Protesto em Aracaju ainda será contra aumento da passagem
Movimento “Não Pago” não aceita redução de apenas R$ 0,10 e quer revogação total do aumento de maio (que subiu a tarifa de R$ 2, 25 para R$ 2,45); além disso, o debate sobre o tema é mais complexo; estudo feito pela Universidade Federal de Sergipe mostra irregularidades e superfaturamento na planilha do Setransp e da SMTT; valor correto da passagem na capital sergipana seria de R$ 1,92
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Sergipe 247 – Se na maior parte do país, o tema “reajuste da tarifa do transporte público” já foi superado nas manifestações que ganharam as ruas desde a semana antepassada, em Aracaju, o novo protesto agendado para ocorrer nesta terça-feira (25) ainda tem esta pauta de reivindicação. O Movimento “Não Pago” exige que a prefeitura revogue, integralmente, o aumento da passagem na capital (que saltou de R$ 2,25 para R$ 2,45 no mês de maio). Ainda hoje pela manhã, a Câmara deve iniciar a votação do projeto que retira apenas R$ 0,10 da tarifa atual.
Em nota divulgada no final de semana, o “Não Pago” “convoca toda a população aracajuana (apartidários e partidários) a participar do Segundo Grande Ato Acorda Aracaju que ocorrerá nesta terça, às 16 horas na Praça Fausto Cardoso”. “Vamos pressionar o poder público para revogar o aumento da passagem. #RevogaJoão!”, defende. O primeiro protesto, que aconteceu na última quinta-feira (20), reuniu cerca de 30 mil pessoas.
O coordenador do Movimento “Não Pago”, Demétrio Varjão, ressalta, porém, que o objetivo principal do grupo é ainda mais ousado: redução da tarifa para R$ 1,92. Este número não é aleatório. É resultado de um estudo feito pelo movimento, que localizou diversas irregularidades na planilha que define o reajuste da passagem. O documento é assinado pelo próprio Varjão, que é economista, pelo professor Airton Paula Souza, chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe, por Odair Ambrósio (analista tributário da Receita Federal) e por Manoel Messias Oliveira (também economista).
De acordo com o laudo técnico-econômico, os elementos utilizados na fórmula de cálculo tarifário do transporte coletivo de Aracaju são defasados, ainda baseados em instruções do Governo Federal de 1983 e mantendo itens na conta da passagem que já não fazem mais parte do serviço. Além disso, o “Não Pago” localizou superfaturamento nos custos do Sindicato das Empresas de Transporte Público de Aracaju (Setransp) e a existência de valores estipulados arbitrariamente, ainda assim os números foram considerados pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).
O Movimento “Não Pago” propôs à SMTT, uma série de ações de revisão na planilha: revisão do coeficiente de consumo do combustível; exclusão do item “protetor” do cálculo tarifário, revisão do coeficiente de consumo de pneu e revisão do preço de pneu novo e serviço de recapagem; revisão do fator de utilização do pessoal de manutenção; revisão do fator de utilização do cobrador; revisão das despesas com pessoal administrativo, além da retirada do PIS e Cofins, impostos federais zerados pela presidente Dilma Rousseff. Somados estes fatores, a passagem ficaria R$ 0,53 mais barata.
Até o momento, estes dados foram ignorados pela prefeitura de Aracaju, que acatou apenas a retirada de R$ 0,10 dos impostos federais. É o resultado da manifestação desta terça-feira e dos atos sequentes que servirá de pressão para que o prefeito João Alves Filho (DEM) aceite negociar com o movimento e rever novamente o preço da passagem.
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