Proteção à privacidade desafia a publicidade digital

A regulação europeia para proteger a privacidade dos internautas coloca em risco parte da publicidade digital, que, muitas vezes, oferece anúncios direcionados em razão do comportamento de cada consumidor na rede. O dilema colocado agora é: até que ponto devemos abrir mão da nossa privacidade para ter acesso a produtos e serviços gratuitos na rede 

Proteção à privacidade desafia a publicidade digital
Proteção à privacidade desafia a publicidade digital (Foto: Politico Europe)


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Por Henrique Sobreira, especial para o Digiclub – Redigido em 14 de Abril de 2016 pelo Parlamento Europeu, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) entrou em vigor no dia 25 de maio de 2018. A nova legislação, válida para todos os estados membros da União Europeia, visa proteger a privacidade dos cidadãos europeus na internet. É uma das grandes propostas de regulamentação da web no momento em que as infrações cometidas no mundo virtual têm despertado preocupações no mundo inteiro. Seria esse modelo de proteção europeu um exemplo de atitude a ser seguido globalmente? Outra questão relevante: até que ponto o controle da privacidade traz dificuldades para os que querem empreender na rede?

De fato, a proteção de dados pessoais na internet deve ser um direito assegurado a todos. Desde de 2013, com as revelações da vigilância global cometidas pela NSA, até os dias atuais, com o recente caso de Cambridge Analytica, governos ao redor do mundo estão buscando medidas para melhorar a experiência online de seus cidadãos, e principalmente defendê-los destas ameaças. O que foi efetivado pela União Europeia em maio, resumidamente, possibilita multar as organizações que usarem dados de internautas indevidamente, e também, facilita para os cidadãos europeus, a visibilidade que eles possuem sobre as informações que empresas, corporações e organizações têm sobre elas. Em outras palavras, a regulação busca mais transparência nas relações entre o indivíduo e as empresas que atuam na internet – o que não é ruim em tempos em que os internautas são convertidos em mercadorias das grandes empresas.

Porém, o modelo proposto pela União Europeia traz desafios para o mundo da publicidade online. Atualmente, são investidos na internet cerca de US$ 229,3 bilhões somente em propaganda e o coração das estratégias de marketing online está na analise de dados. Ao receber informações de milhões de pessoas que usam diariamente o Google, o Facebook ou a Amazon, as empresas privadas que anunciam nestas plataformas e outras conseguem visualizar onde o consumidor estava, o que comprou, onde clicou e diversas outras informações, que, categoricamente são importantes para eles, principalmente na área de "retargeting" (anúncios direcionados em razão do comportamento prévio do internauta). Ao regular essa coleta, empresas como o Google e o Facebook não poderiam compartilhar o que sabem sobre seus usuários com terceiros. Um exemplo disto, é que uma plataforma de coleta de informação do Google, a "Google DoubleClick IDs", não mais irá mais deixar que clientes transfiram dados de sua plataforma para plataformas de gerenciamento de dados de outras empresas, as chamadas DMPs.

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Desafio para os anunciantes

 

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O Facebook também decidiu que não irá mais compartilhar informações sobre as suas tags de visualização com a plataforma do Google. De acordo com o site "www.digiday.com" em uma matéria intitulada de "Profissionais de marketing lutam para rastrear o público depois que o Facebook e o Google redimensionam dados para o RGPD" publicada no dia 18 de junho de 2018, alguns profissionais de marketing já dizem que, dentro de suas DMPs, eles não podem mais medir as visualizações de suas compras no Facebook, apenas os cliques.

Portanto, apesar de ser um importante passo para a melhoria da segurança de cada indivíduo na internet, esse tipo de regulamentação traz consigo complicações nos setores de investimento e publicidade digital.O desafio maior para que os anunciantes invistam em propagandas na web, devido a medidas desse tipo, coloca em risco nossa liberdade de usar gratuitamente as mais populares plataformas e sites online, o que traz um dilema: até que ponto devemos abrir mão da nossa privacidade para ter acesso a produtos e serviços gratuitos na rede.

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