Projetos pessoais impedem a união das oposições

Eleições municipais acrescentam novos nomes na já complicada matemática dos partidos que um dia cogitaram uma grande aliança para enfrentar o tucano Marconi Perillo. Dificuldade maior tem sido abrir mão das vaidades e unificar o discurso em torno de um projeto administrativo para o Estado

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Goiás247_ A dois anos das eleições estaduais, as lideranças e partidos de oposição em Goiás já manifestam sua profunda divergência sobre os rumos da disputa para governador de 2014, especialmente na escolha do candidato que representará o grupo. As eleições municipais, aliás, produziram uma infinidade de novos nomes, seja pelo sucesso ou pela derrota nas urnas. O resultado é uma disputa de projetos pessoais sem plataforma política e, muito menos, administrativa.

PMDB e PT concentram as maiores divergências na escolha do candidato: não se entendem sequer sobre quem será o cabeça da chapa ou vice. Mas, por fora, também correm o PSB de José Batista Júnior e o PDT de Vanderlan Cardoso. No PMDB, o ex-prefeito Iris Rezende, eterno candidato a governador, enfrenta a movimentação – pautada pelo que ele tem definido como "rebeldia" – da ala mais jovem, que tem três deputados estaduais brigando entre si pela vaga: Daniel Vilela, Samuel Belchior e Wagner Siqueira Júnior.

No PT a situação também não é muito diferente, ainda que o partido tenha uma vida orgânica interna bastante sistematizada – o que não deixou de produzir alianças atípicas como aquela com o PMDB para sucessão ao Paço Municipal em 2008. Os prefeitos Paulo Garcia (Goiânia) e Antônio Gomide (Anápolis) travam uma verdadeira luta de foices pela indicação da candidatura a governador. A disputa, já bastante evidente até entre as tendências dos prefeitos no partido, remete a uma certeza: os petistas não aceitarão o PMDB com a cabeça de chapa e lutarão até o fim para garantir o comando da candidatura para o Palácio das Esmeraldas.

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Apesar de ter maiores condições políticas e administrativas para disputar a indicação de seu partido e até do PMDB para liderar a chapa ao Governo de Goiás, o prefeito petista Paulo Garcia enfrenta os efeitos negativos da forte ligação com Iris e com o fato de seu vice, Agenor Mariano, ser filiado ao PMDB. Paulo chegou ao comando do Paço com a saída de Iris da cadeira de prefeito para disputar o Palácio das Esmeraldas em 2010. Caso enfrente o PMDB para sagrar-se candidato, Paulo avalia que pode ter o Paço contra si na disputa pelo governo estadual.

Já Gomide tem a seu favor tanto o distanciamento em relação ao comando estadual do PMDB quanto o fato de ter ao seu lado um exímio articulador político, o irmão e deputado federal Rubens Otoni Gomide. Juntos, eles controlam a maioria dos votos dos delegados do PT Estadual, com força suficiente não apenas para determinar que os petistas tenham candidato próprio ao governo de Goiás, mas para vetar a indicação de Paulo e até de um vice escolhido pelo PMDB.

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Em função disso é que, ainda que muito reservadamente, lideranças de PT e PMDB já dão como favas contas a implosão da aliança entre os partidos para a sucessão de 2014. Entre partidos aliados, o assunto já não está mais sequer restrito aos bastidores. A tarefa comum de todos é administrar as condições políticas para evitar que a cisão tenha o menor impacto possível sobre a formação e o andamento das candidaturas, o que poderia, evidentemente, favorecer ainda mais o governador Marconi Perillo – favorito para a disputa de 2014.

Nanicos

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Paralelamente, legendas menores, ora alinhadas ora distantes da base aliada do governo Marconi, também tentam viabilizar seus candidatos à sucessão estadual. É o caso do DEM de Ronaldo Caiado, do PSB de José Batista Júnior (Júnior do Friboi) e de Vanderlan Cardoso (ex-PR, ex-PMDB, agora sem partido e com o pé no PDT). Elas têm em comum o fato de se concentrarem numa guerra fratricida de nomes, sem contudo discutir novos projetos e propostas de gestão para a administração estadual.

Iris e o PT do deputado federal Rubens Otoni também têm manifestado insatisfação com a movimentação de Vanderlan, que não perde a chance de se afirmar pré-candidato ao governo. Vanderlan deixou o PMDB menos de um ano após se filiar no partido em grande ato da legenda, com a promessa de ser o candidato das oposições. Insatisfeito com o centralismo de Iris, saiu atirando, fazendo duras críticas à condução da legenda e o tratamento dado a novas lideranças.

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Tanto no caso Batista Júnior quanto no de Vanderlan, pesa o pífio resultado de seus grupos políticos nas eleições e a falta de traquejo de ambos para a lida política. O megaempresário – que foi obrigado a deixar o bilionário Grupo J&F em função de sua incursão pela política – já começa a sofrer com insinuações de que sua candidatura é mero balão de ensaio, já que seu real objetivo seria negociar uma indicação à vice ou ao Senado, na chapa da oposição e até mesmo na da situação. Já Vanderlan, empresário mediano de Goiás, já firmou sua fama por se parecer demais com o ex-governador Alcides Rodrigues, que se notabilizou como leniente na política e na condução da administração política.

O caso de Ronado Caiado (DEM) é considerado por todos questão absolutamente à parte. Primeiro, pela notável capacidade do deputado federal de, sucessivas vezes, esvaziar o próprio partido. Os casos mais emblemáticos são dos anos de 2003 e 2011. Em 2003, o deputado decidiu retirar, por conta própria, o apoio ao governador Marconi Perillo e, do dia para noite, perdeu 28 dos 32 prefeitos da legenda, à época ainda batizada de PFL. O rebatismo do PFL em DEM deu um novo fôlego para a legenda, mas, em Goiás, graças ao estilo de Caiado de conduzir o partido com mão de ferro, os democratas foram dragados pelo recém-fundado PSD.

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Em conversas reservadas, o ex-prefeito Iris Rezende, principal cacique peemedebista, tem dito não confiar na "megalomaníaca" proposta de Batista Júnior de unir as oposições nas eleições estaduais de 2014. Para Iris, não há garantias de que, na última hora, o agora ex-co-proprietário da J&S vá honrar seus compromissos. A ambição de Batista não se sustenta nos números de seu próprio partido. Segundo dados do TSE, o PSB elegeu apenas 10 prefeitos em Goiás nas eleições deste ano – 4% dos 246 municípios. Em números absolutos, vai administrar municípios que, somados, correspondem a 1,86% da população goiana. No ranking partidário, o PSB é o 10º em número de prefeitos eleitos.

Se o PSB elegeu os prefeitos de Campinorte, Nova Iguaçu de Goiás, Guaraíta, Jussara, Turvânia, Petrolina de Goiás, São João D'Aliança, Iaciara, Posse e Alto Paraíso de Goiás, o PSB perdeu as eleições em municípios importantes, como Catalão (onde apoiou Adib Elias, do PMDB, contra Jardel Sebba, do PSDB), Formosa, Itumbiara, Trindade (onde apoiou Flávia Morais, contra o vencedor Jânio Darrot, do PSDB), Rio Verde (apoiou Karlos Cabral, do PT, contra Juraci Martins, do DEM) e Quirinópolis. Em Palmeiras de Goiás, Batista Júnior fez da disputa contra o candidato apoiado pelo governador Marconi Perillo um capítulo especial e à parte das demais cidades. Também saiu derrotado.

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