Prévia de 2014: André e Márcio protagonizam embate político de Sergipe
Deputados federais André Moura (PSC) e Márcio Macêdo (PT), durante encontro com jornalistas na noite desta quinta (9), protagonizaram discussão, que mostrou diferenças claras e objetivas entre os pensamentos dos dois maiores grupos políticos de Sergipe; André defendeu candidatura de Eduardo Amorim e disse não ver contradição em apoiar PT, no cenário nacional, mas ser oposição na cena local; Márcio disse que Amorim não tem conteúdo e ironizou posição de André, em relação ao PT em Brasília
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Em tempos de relações políticas confusas, que desconsideram ideologias e que unem políticos que não comungam de mesmas ideias e projetos, a realização do debate entre os deputados federais André Moura (PSC) e Márcio Macêdo (PT), na última quinta-feira (9), no Cabaré (encontro com jornalistas) foi um alento.
Embora já tenham dividido o mesmo palanque nas eleições de 2010, os dois parlamentares travaram um embate, tanto em torno da redução da maioridade penal quanto sobre questões políticas, que mostrou diferenças claras e objetivas entre os pensamentos dos dois maiores grupos políticos de Sergipe.
No debate, de caráter técnico, André Moura, autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 57, que propõe a redução da idade penal de 18 anos para 16 anos, citou casos diversos de atos violentos praticados por adolescentes para embasar sua defesa. Já Márcio Macêdo, contrário à mudança na legislação, disse que a diminuição da maioridade vai de encontro às cláusulas pétreas da Constituição Federal. Ele frisou que, segundo dados do Ministério da Justiça, apenas 0,9% dos crimes são praticados por menores de idade. A discussão entre os dois deputados se estendeu por horas. O evento começou às 20h30 e só se encerrou às 23h30, com a participação ativa da platéia.
No entanto, foi a discussão de caráter político que incendiou o encontro. A controversa relação que o PSC mantém com o PT, sendo aliado no âmbito nacional, mas opositor ferrenho na cena estadual, motivou André e Márcio em suas mais eloquentes manifestações.
O deputado do PSC tentou minimizar a contradição, afirmando que segue uma orientação da Executiva Nacional do partido, e ressaltou que não vota com o Governo Federal quando avalia que a proposição pode prejudicar a sociedade. Disse ter orgulho de já ter sido aliado do ex-governador Albano Franco e de ser aliado hoje do prefeito João Alves Filho (DEM) e do senador Eduardo Amorim (PSC), mas que se envergonharia de ter ao seu lado políticos como José Dirceu e João Paulo Cunha, condenados no processo conhecido como mensalão.
Em resposta a André, Márcio foi na jugular. Ressaltou que o deputado do PSC é sim, aliado do PT nacionalmente, tanto que faz parte do conselho político da presidente Dilma Rousseff: “aqui, André é oposição, mas quando pega o avião e desde em Brasília, se torna aliado fiel do Governo da presidente Dilma. Vota, na maioria das vezes, com o PT, sim. E tem assento no núcleo político do PT. Só senta-se à mesa com a presidente quem é aliado”. Márcio ainda questionou como pode André ser aliado de Amorim, de João e de Dilma, ao mesmo tempo. Esta, o deputado do PSC não soube rebater.
Já sobre a disputa eleitoral de 2014, André foi claro: o PSC terá candidatura própria e tende a ser o senador Eduardo Amorim. “Como presidente do PSC, trabalho para convencer Eduardo Amorim a ser candidato, para que Sergipe possa ter a oportunidade de experimentar a verdadeira mudança, com gente nova, com desenvolvimento sustentável, com mais empregos e benefícios sociais. Tenho orgulho de ser aliado de Eduardo Amorim, que espero que seja o futuro governador de Sergipe”, disse.
Márcio, novamente, foi incisivo: “Essa turma tenta passar a ideia de que é nova, mas é nova apenas na casca. Não tem conteúdo. Eduardo Amorim não tem nenhum projeto para Sergipe”. Ele também elencou uma série de ações do Governo Marcelo Déda (PT) que se traduzem no desenvolvimento do Estado. O deputado do PT ainda ressaltou que o PSC não pode cantar vitória antes da hora. “Ainda iremos disputar. O nosso Governo tem muito serviço prestado à sociedade”, frisou.
Outro tema que colocou André e Márcio em posições antagônicas é o que se relaciona à indicação do PSC para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e a posição polêmica do deputado federal e presidente da comissão, Marco Feliciano, contrário aos relacionamentos homoafetivos. André tergiversou. Afirmou que não apóia o que diz o pastor deputado, mas não foi categórico em defender o respeito ao casamento gay.
Sobre este assunto, Márcio Macêdo, mais uma vez, foi objetivo. “André não consegue defender Marco Feliciano, porque Feliciano é indefensável. É inadmissível que a Casa do Povo, em sua comissão que resguarda o direito das minorias tenha como presidente um racismo e homofóbico. Agora eu estou dizendo, em alto e bom som, que sou a favor do casamento homoafetivo”, disse.
De modo geral, o debate entre os dois deputados foi respeitoso. Em todos os momentos, eles souberam manter o nível, sem partir para ataques pessoais. André desempenhou bem seu papel de liderança do PSC, mas não foi objetivo ao lidar com algumas questões. Já Márcio Macêdo, durante todo o debate, soube aproveitar as oportunidades e rebater todos os pontos defendidos pelo adversário político. O debate, que tende a se tornar mais intenso, na medida em que se aproximar o pleito eleitoral de 2014, promete ser dos mais acirrados dos últimos anos. André e Márcio são a prova disto.
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