Presidente do Bahia leva crise para embate político
Marcelo Guimarães Filho, que é suplente de deputado federal pelo PMDB e está em exercício do cargo, disparou artilharia pesada contra todos os políticos que declararam apoio à campanha 'Bahia da Torcida', com exceção de ACM Neto (DEM), que fez aliança com o PMDB no segundo turno da disputa pela Prefeitura de Salvador; "Eles deveriam dar explicações sobre os mensaleiros do PT, condenados pelo STF. Lídice da Mata, que é conhecida com a 'Prefeita dos Ratos', deixou a cidade no lixo e não pode falar sobre gestão"
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Bahia 247
O movimento 'Bahia da Torcida', lançado na sexta-feira (17) na Arena Fonte Nova pelo marqueteiro do PT baiano, Sidônio Palmeira, é visto pelo presidente do clube, deputado federal Marcelo Guimarães Filho (PMDB) como "briga política".
Campanha reuniu no primeiro ato cerca de seis mil torcedores e contou com manifestação de apoio do prefeito ACM Neto (DEM) e do governador Jaques Wagner (PT), que gravaram depoimentos em vídeo, além de diversos outros políticos, tais como o deputado federal Nelson Pelegrino (PT) e a senadora Lídice da Mata (PSB).
O movimento em si pede 'democratização' para escolha da diretoria do clube, que há 15 anos está sob domínio da família Guimarães, sem eleição direta. Mais radicais, os torcedores pedem de imediato a renúncia de Marcelo Guimarães Filho. "Querem se aproveitar politicamente de uma situação pontual do clube", disse o cartola, que afasta a possibilidade de deixar o cargo.
Em entrevista à Rádio Excelsior, Marcelo Guimarães Filho disparou artilharia pesada contra os políticos que entraram na campanha um a um. A única exceção foi o prefeito ACM Neto. Wagner, Pelegrino e Lídice receberam chumbo grosso.
"Eles deveriam dar explicações sobre os mensaleiros do PT, condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Eu não vi eles pedirem a saída dessas pessoas, pelo contrário, vi defendendo. Eu não pedi intervenção do governo [da Bahia] quando houve a greve da PM e quando os alunos ficaram sem aulas com a greve dos professores. (...) Nelson Pelegrino precisa explicar as mortes na Secretaria de Saúde, que até hoje não tiveram explicações. (...) Lídice da Mata, que é conhecida com a 'Prefeita dos Ratos', deixou a cidade no lixo e não pode falar sobre gestão. (...)"
O presidente do Bahia não poupou nem o craque Bobô, eterno ídolo dos tricolores. "As famílias das setes pessoas que morreram na Fonte Nova devem falar por si sobre a gestão dele à frente da Subesb. (...) Tudo isso [o movimento] eu vejo como um proselitismo político. Não se deve misturar política com futebol".
Wagner reafirmou seu engajamento no movimento Bahia da Torcida, mas não quis entrar em rota de colisão com o peemedebista Marcelo Guimarães Filho.
"Não há melhor julgador do que aqueles que fazem o sucesso do time, que é a torcida, que enche estádios. Então, não tem nada a ver com política. Eu poderia simplesmente dizer que não me meteria, mas eu não estou me metendo como torcedor do Bahia, mas como torcedor do futebol baiano. É claro e nítido que a diretoria do Vitória é uma diretoria muito mais consistente, com muito mais permeabilidade de opiniões do que a diretora atual do Bahia. Eu não tenho nada contra Marcelo Guimarães Filho, pessoa física. Mas este patrimônio, que é dos baianos, a torcida do Bahia, merece o cuidado do chefe de Estado. Eu não estou aqui para disputar, não tenho candidato e não vou indicar ninguém. Eu só sei a realidade: o Bahia passa por uma fase ruim e a diretoria do Bahia é hermética", disse o governador em entrevista ao Bahia Notícias no GP Bahia de Stock Car neste domingo (19).
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