Presidente da CPI: disputa PSDB-PT não atrapalha
Senador Vital do Rêgo apresenta balanço da CPI do Cachoeira um dia após protesto do PSDB contra direcionamento da comissão, que estaria dirigida pelo PT contra o governador de Goiás, Marconi Perillo; segundo ele, o Estado é o centro da organização e, portanto, origem da maioria dos investigados
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247 com Agência Senado - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista que investiga as relações de Carlos Cachoeira com agentes públicos, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou que um possível embate entre PT e PSDB não pode e nem vai atrapalhar os trabalhos de investigação dos parlamentares no próximo semestre.
Ao fazer um balanço da atuação da CPI mista nesta quarta-feira (18), o senador disse que respeita a disputa política, mas o centro da organização está em Goiás, portanto é natural que um maior número de investigados seja daquele estado.
Ao ser questionado sobre críticas do PSDB de que a CPI estaria com foco apenas no governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO), Vital do Rêgo disse ainda que não há direcionamento nos trabalhos da comissão e que a presidência tem agido de forma "isenta e reta".
Disputa
Nesta terça-feira, o PSDB convocou entrevista coletiva para reagir ao que o partido encara como direcionamento da CPI contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, que estaria sendo comandado pelo PT, que detém a relatoria e a vice-presidência da CPI do Cachoeira. Ouvido pelo 247, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) respondeu que "Perillo não tem defesa".
Nova convocação
O requerimento para a reconvocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pode ser votado pela CPI do Cachoeira no início de agosto, logo após o fim do recesso parlamentar, informou Vital do Rêgo. Segundo o senador, todos os requerimentos apresentados entrarão na pauta, como vem ocorrendo em outras reuniões administrativas da CPI.
– A reconvocação do governador Perillo é uma decisão colegiada. O requerimento já foi posto na casa. Nós esperamos que na próxima reunião administrativa esse requerimento, como outros tantos, possa ser apreciado – afirmou o senador, após garantir que todos os requerimentos são incluídos na pauta e tratados com a mesma prioridade.
Perillo já prestou esclarecimentos à CPI no dia 12 de junho. O requerimento para uma nova convocação foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Segundo a revistaÉpoca, o governador teria recebido propina para liberar pagamentos do governo do estado à empreiteira Delta. O acerto teria ocorrido por meio da venda da casa de Perillo, onde Cachoeira foi preso pela Polícia Federal em fevereiro deste ano.
– A presidência vai conduzir [os trabalhos] para que a questão política não atrapalhe a eficiência dos trabalhos.
Cronograma
No segundo semestre, a CPI terá reuniões às terças, na parte da tarde, e às quartas, pela manhã. Segundo o senador, já estão marcadas reuniões para todo o mês, a partir do dia 7. A primeira reunião administrativa está prevista para 15 de agosto, mas Vital do Rêgo informou que tentará acertar uma data na primeira semana de agosto, provavelmente no dia 2.
Quanto aos depoimentos do dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, e do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o presidente informou que o cronograma só será definido na próxima semana.
Vital do Rêgo confirmou que a tendência é procurar ouvir pessoas que se dispuserem a falar, já que muitos depoentes usaram o direito de permanecer em silêncio durante as reuniões. Dos 24 convocados no primeiro semestre, nove prestaram depoimentos integrais e dois, apesar de falarem, não responderam a todas as perguntas. Os outros 13 convocados não se manifestaram.
O senador lembrou, no entanto, que as testemunhas não são a única fonte de informações da CPI.
– A riqueza desta CPI está na sala-cofre, está na transferências de dados – afirmou Vital, fazendo referência aos arquivos com mais de 2 mil horas de gravações interceptadas pela Polícia que estão em poder da CPI e às demais informações sigilosas recebidas pela comissão.
Até agora, a CPI solicitou a quebra do sigilo bancário de 82 pessoas físicas e jurídicas; a quebra do sigilo fiscal de 80; e a quebra do sigilo dos registros telefônicos de 78 pessoas. Já foram recebidas pela comissão 384 informações bancárias, 58 fiscais e 374 telefônicas.
Para facilitar a análise das informações, a comissão solicitou à Secretaria Especial de Informática do Senado (Prodasen) que elabore um projeto de treinamento. A capacitação deve ser oferecida aos operadores designados pelos parlamentares integrantes da comissão para trabalhar com os dados.
Desafios
Sobre os próximos passos da CPI, Vital do Rêgo informou que a comissão tem o desafio de definir o procedimento para casos de depoentes que não desejem se manifestar. Atualmente, eles são dispensados, ao contrário do qeu ocorreu, por exemplo, no depoimento do principal investigado, Carlinhos Cachoeira, que ouviu por horas seguidas, sem responder, as perguntas dos parlamentares. O novo procedimento de dispensa tem sido criticado por alguns parlamentares da comissão.
Para o senador, a comissão já conseguiu vencer o desafio do descrédito atribuído à comissão no início dos trabalhos e agora terá de vencer o desafio do esvaziamento em ano de eleições municipais. Vital do Rêgo disse acreditar que a CPI precisa aprofundar as investigações já iniciadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público e, ainda, oferecer ao país uma nova legislação que dificulte a atuação de organizaçaões criminosas.
– O pacote legislativo precisa prever que os crimes de contrabando, de evasão fiscal e de vícios do processo licitatório não sejam mais cometidos com a mesma facilidade – disse.
Sobre as ameaças sofridas por autoridades ligadas às investigações, que levaram até ao afastamento de um juiz federal do caso, o senador disse que a comissão não se sentirá intimidada.
Vital do Rêgo afimou, ainda, que cabe à polícia investigar o assassinato do policial federal Wilton Tapajós Macedo, que integrou a Operação Monte Carlo, na qual Cachoeira foi preso. Tapajós foi morto a tiros na última terça-feira. A polícia ainda investiga se o caso tem ligação com o trabalho do policial. Parentes do agente informaram que ele vinha sendo ameaçado. O presidente da comissão informou que não pretende solicitar proteção policial.
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