Prefeitura quer mais arranha-céus na capital

Reformulação do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo tem dois lados: pode incentivar o crescimento de regiões hoje pobres em serviços; mas contribuirá também para verticalizar ainda mais BH, com os conhecidos efeitos colaterais no trânsito, entre outros problemas

Prefeitura quer mais arranha-céus na capital
Prefeitura quer mais arranha-céus na capital (Foto: Divulgação)


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Minas 247 - A Prefeitura de Belo Horizonte pretende divulgar na próxima semana suas ideias para mudança no Plano Diretor e na Lei de Uso e Ocupação do Solo na capital. Na prática, defenderá alterações que incentivarão o crescimento vertical em áreas onde hoje isso é proibido. É o caso do entorno das estações BHBus e do BRT do Barreira (zona oeste de BH), do Vilarinho (bairro Venda Nova, no extremo norte), e das avenidas Antônio Carlos (nordeste), Pedro I (região da Pampulha) e Andradas (centro-leste).

É uma proposta polêmica que pode trazer consequências positivas ou negativas. Do lado favorável à mudança que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) vai propor à Câmara Municipal, está a possibilidade de desconcentrar a região central e centro-sul da capital. Com a permissão de arranha-céus nas áreas mais afastadas, abre-se a possibilidade de, junto a grandes edifícios residenciais, construirem-se opções de comércio e serviços em geral. Ao jornal Estado de Minas, a secretária adjunta de Planejamento Urbano, Gina Rende, diz uma frase forte: “Devolveríamos a cidade para o cidadão”.

Mas há controvérsias. O projeto, certamente, será bastante criticado pelos grupos que apontam a exagerada verticalização da cidade que outrora foi conhecida por ter um belo horizonte. Rende, por exemplo, fala em opções de lazer, mas não há nada que garanta, com segurança, que a flexibilização da permissão para construir prédios altos nas regiões leve junto essas alternativas de diversão e entretenimento. Existe o risco, real, de as alterações servirem mais à especulação imobiliária e adensamento dessas regiões, que passariam a enfrentar problemas sérios com tráfego e aumento exagerado da densidade demográfica.

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Leia a matéria de Junia Oliveira no jornal Estado de Minas:

Belo Horizonte vai conhecer na semana que vem as propostas de um novo modelo de cidade. A reformulação do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupação do Solo vai incentivar o crescimento vertical em áreas cobiçadas e até então restritas a grandes empreendimentos. Se a Câmara Municipal der o sinal verde, nos próximos anos importantes corredores de tráfego serão referência também de grandes edifícios residenciais e centros de comércio, lazer e prestação de serviço. Os empreendimentos serão construídos num raio de 600 metros das estações BHBus e do BRT do Barreiro, Vilarinho e avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Andradas. A primeira proposta está concluída e pronta para ser enviada pela prefeitura aos vereadores – a verticalização do Barreiro. A expectativa é de que o projeto seja apreciado depois das eleições municipais.   

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 “A intenção é ter um bairro vertical, mais sustentável, que terá serviço, comércio e lazer próximo às moradias. Partilhar espaço para aproximar pessoas não só dos lugares, mas também do convívio público, devolvendo o cidade para o cidadão”, afirma a secretária adjunta Municipal de Planejamento Urbano, Gina Rende. A princípio, os edifícios não terão limitação de altura, apenas do coeficiente de aproveitamento da construção (área edificada, em relação à metragem do terreno). “Não nos interessa que a taxa de ocupação seja baixa. Quanto mais fina a torre, maior a possibilidade de essa ocupação ocorrer também no nível do chão, com uma área onde se pode ter ciclovia, deslocamento de transporte coletivo, áreas de compras e de estar”, acrescenta. O conceito prioriza quadras abertas, mais espaços de uso público e verde, numa cidade mais sustentável.

As propostas exigirão mudanças de zoneamento da capital. As áreas de especial interesse social (AEIS) e de diretrizes especiais (ADEs) foram estudadas e regulamentadas, além de reavaliadas as zonas de preservação ambiental (ZPAM), para que se saiba qual é o “estoque” da cidade. Nos estudos em curso há mais de um ano, foi verificado ainda onde pode haver ocupação e em que condições, quais regiões serão preservadas e em quais serão viabilizados o trabalho e a renda (com disseminação de comércio e serviços) e onde serão destinadas áreas para habitação de interesse social.

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Segundo Gina Rende, o desafio é intensificar o adensamento em regiões próximas ao transporte. “Melhor do que verticalizar a cidade inteira é a concentração onde há infraestrutura e acesso e onde as pessoas conseguem se deslocar com facilidade”, diz a secretária, acrescentando que serão incentivados os zoneamentos mistos (comércio, serviço e residencial). “A lógica é trabalhar perto de casa, o que é fundamental para que a cidade consiga driblar, de certa forma, gargalos intransponíveis. O sistema viário tem um limitador sério que são as próprias vias e estudos apontam que não há solução para o transporte individual”, ressalta.

A primeira empreitada será no Barreiro, perto da estação BHBus da Avenida Afonso Vaz de Melo. A proposta é de coeficiente máximo de 5 (o que significa construção cinco vezes maior que a área do terreno). A grande mudança é que nos corredores candidatos à verticalização o índice atual é entre 0,5 e 1.  

Os estudos da verticalização do Vilarinho, perto da estação BHBus e metrô e da Catedral Cristo Rei, estão em fase inicial. Já os projetos para as avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Andradas serão os próximos a passar por avaliação. A secretária adjunta explica que as propostas não podem ser lançadas simultaneamente, uma vez que a concentração de investimentos é que provoca a mudança de características de uma área. Para construir, os empreendedores deverão pagar pelo coeficiente. Uma das formas será por meio dos certificados de potencial adicional de construção (Cepac), títulos imobiliários disponibilizados pela prefeitura que dão ao comprador o direito de construir além dos limites estabelecidos pela Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, conforme antecipou o Estado de Minas em dezembro.

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Mudanças no Plano Diretor, no Estatuto da Cidade e na Lei de Uso e Ocupação do Solo, como em pontos relativos ao imposto progressivo, outorga onerosa e de uso, só devem ocorrer em 2014. Quinta-feira, a prefeitura apresentará à população, em audiência pública no auditório do Dayrell Hotel, no Centro, o que será alterado e como isso ocorrerá. Mas um desfecho  está previsto para até início de outubro, quando as empresas contratadas entregarem os projetos concluídos. As discussões continuarão na Câmara e na Conferência de Municipal de Política Urbana, ano que vem.

Mas o que for definido nas operações urbanas consorciadas – nome dado ao um instrumento que permite à administração pública impor normas mais específicas em áreas de maior interesse –, não precisará esperar os próximos dois anos. Esse é o caso dos projetos de verticalização e da alteração na região do Isidoro (Norte de BH), onde os empreendimentos estão em fase de licenciamento, porque não são necessárias mudanças na legislação.

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Novo perfil

Verticalização está Prevista num raio de 600 metros das estações de ônibus, BRT e metrô

Áreas contempladas
l Barreiro (Estação BHBus da Avenida Afonso Vaz de Melo)
» Fase: projeto está concluído e será enviado para a Câmara Municipal depois das eleições
Vilarinho (nas proximidades da Catedral Cristo Rei e da Estação Vilarinho)
» Fase: projeto em início de estudos
Avenidas Antônio Carlos e Pedro I
» Fase: proposta ainda será estudada
Avenida dos Andradas
» Fase: proposta ainda será estudada

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O que muda nos corredores?
Como é: hoje não são permitidas grandes construções nessas áreas. Os coeficientes de aproveitamento (área edificada, em relação à metragem do terreno) variam entre 0,5 e 1, o que resulta em prédios de no máximo dois andares.
Como será: com o novo plano, os coeficientes aumentam. Pela proposta da PBH, no Barreiro eles poderão chegar até 5. A princípio não haverá limites de altura.

Como construir
Empreendedores poderão comprar imóveis ou terrenos e deverão pagar o coeficiente ao poder público, por meio, por exemplo, dos certificados de potencial adicional de construção (Cepac).

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