‘Precisamos discutir o Brasil da próxima década’

Numa crítica à antecipação da eleição presidencial, o provável candidato do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, afirmou que "não precisamos discutir o Brasil da próxima eleição, mas o Brasil da próxima década"; ele abriu o evento Diálogos Capitais, promovido pela revista Carta Capital; em seu discurso, Campos voltou a defender a necessidade de se criar um novo Pacto Federativo

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Leonardo Lucena _PE247 – O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), deixa cada vez mais claro o seu discurso ao defender a necessidade de se criar um novo Pacto Federativo para dar mais autonomia aos estados e municípios de decidirem sobre os rumos de suas políticas econômicas, o que, de acordo com o socialista, é possível se não houver concentração de recursos na União. Campos abriu nesta segunda-feira (25) o evento Diálogos Capitais, com o tema "Nordeste: Como enfrentar as dores do crescimento", promovido pela revista Carta Capital e, indiretamente, criticou mais uma vez a antecipação do debate político-eleitoral. Segundo Campos, "não precisamos discutir o Brasil da próxima eleição, mas o Brasil da próxima década".

O chefe do Executivo estadual ganha cada vez mais credibilidade de gestores municipais e empresários ao levantar a bandeira do Pacto Federativo, após um 2012 em que as cidades passaram por uma crise financeira provocada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide). Como consequência, a União diminuiu o repasse de verbas para os estados e municípios.

Mesmo sendo cotado para se candidatar à Presidência da República nas próximas eleições, em 2014, Eduardo Campos, assim os seus interlocutores, afirma preferir se concentrar na política administrativa do seu governo e ajudar a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, a fazer o Brasil retomar o crescimento econômico em 2013. O presidente do PSB já disse que definirá se é candidato ou não até janeiro do próximo ano. Mas ao defender o Pacto Federativo, está conseguindo, cada vez mais, o apoio de prefeitos e empresários, que veem o fortalecimento financeiro dos estados e municípios como uma oportunidade de implantarem medidas com eficácia na prestação de serviços, menos burocracia e, no caso do empresariado, mais otimismo com relação ao lucro.

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Em meio às criticas de que o governo federal não adota políticas de desenvolvimento regional, o socialista afirmou que defende o Pacto Federativo não para confrontar com o governo Dilma e simplesmente dar mais autonomia aos estados e municípios, mas com o objetivo de facilitar o acesso das populações regionais a políticas públicas. "Todas as vezes em que se teve democracia neste país, tivemos liberdade e fortalecimento do poder local. Por isso defendo um novo Pacto Federativo, com mais equilíbrio entre União, estados e municípios", disse.

"Não queremos apenas que as pessoas possam comprar mais. Elas têm que ter o direito ao acesso a políticas públicas", complementou Campos, que também fez questão de elogiar as políticas de controle da inflação, na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e de emancipação social, por meio de transferência de renda, no Governo Lula (PT).

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No encontro, que também contou com a presença do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), um dos articuladores da campanha da Dilma e que defende a formação de uma chapa entre a petista e Eduardo, o socialista voltou a criticar, indiretamente, a antecipação do debate político-eleitoral. "Nós vivemos um 2011 pior que 2010. Também tivemos um 2012 pior que 2011. E agora precisamos de um 2013 melhor que 2012. E para isso não discutir o Brasil da próxima eleição, mas o Brasil da próxima década", declarou.

Apesar de Campos ter definido o prazo para janeiro do próximo ano a fim de oficializar ou não o lançamento de sua candidatura a presidente, curiosamente, a revista Veja desta semana atribuiu uma declaração ao governador: "Não só sou candidato, mas corro o risco de ganhar", teria afirmado o pernambucano. Se ele vai ser ou não, ainda é uma incerteza, porém, pelo andar da carruagem, no que depender dos interlocutores do PSB, o socialista já é candidato. E, quanto à principal bandeira de Campos, no momento, que é o Pacto Federativo, resta saber qual será o impacto dela nas urnas, caso ele realmente marche rumo ao Palácio do Planalto em 2014.

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