Praça de guerra em torno do jogo da seleção

São cerca de 10 mil manifestantes, que tentam bloquear a BR-116, principal acesso à Arena Castelão, em Fortaleza, onde o Brasil joga contra o México às 16h; "Nossa intenção é fechar a BR", diz integrante do ato; PM dispara balas de borracha e joga gás; protesto reivindica direitos como saúde, educação e transportes e critica gastos com a Copa do Mundo; no Facebook, há 40 mil confirmados na manifestação chamada de "+ Pão - Circo"

Praça de guerra em torno do jogo da seleção
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247, com Agência Brasil – Uma enorme manifestação toma conta do entorno da Arena Castelão, em Fortaleza, poucas horas antes do jogo da seleção brasileira, que enfrenta o México às 16 horas pela Copa das Confederações. Os manifestantes reivindicam direitos como saúde, educação e transportes, protestam contra os gastos com a Copa do Mundo e se solidarizam com outras manifestações que têm ocorrido em outros estados brasileiros nos últimos dias.

"Nossa intenção é fechar a BR", disse em entrevista ao portal Terra uma manifestante do grupo, que se encaminha para a BR-116, principal acesso para o estádio da capital. A polícia tenta conter o protesto atirando balas de borracha e gás lacrimogêneo. Os torcedores que passam no meio do ato para assistir ao jogo são vaiados, assim como foi a polícia. Existe até uma expectativa de que os jogadores também se manifestem ficando de costas para o campo no momento do Hino Nacional.

O protesto em Fortaleza é chamado + Pão - Circo e foi organizado, principalmente, via redes sociais. De acordo com a página do evento no Facebook, está confirmada a presença de 40 mil pessoas. De acordo com um dos organizadores da manifestação, o jornalista Livino Neto, 27 anos, não há como prever o quórum do protesto – que, além dos confirmados via internet, deve arregimentar mais pessoas ao longo do trajeto.

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"Existe um gasto absurdo com a Copa do Mundo. Aqui no Ceará, só o Castelão custou R$ 500 milhões. Outro problema são as ameaças de remoção em função das obras para a competição. Em Fortaleza temos um déficit habitacional de pelo menos 70 mil unidades habitacionais. Dez mil famílias podem ser deslocadas por isso. Em vez de fazer [moradia] para quem não tem, você afasta ainda mais as pessoas", explicou, sobre as principais motivações do protesto.

Outras reclamações do movimento são a falta de uma política voltada à região do semiárido, além da falta de transparência por parte dos governos em relação aos gastos com as obras para a Copa, o que, segundo ele, dificulta que se façam debates mais amplo em torno do tema. "A gente está em um momento muito especial no país como um todo, momento de resistência, em que as pessoas estão indo às ruas reivindicar o que é seu por direito. Acredito que, a partir daí, haja uma nova realidade de mobilização e de capacidade de organização para reivindicar direitos em um outro nível", disse Neto.

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