Por falta de pagamento do governo Temer, Canal do Sertão pode parar
A construtora Odebrecht, responsável pelas obras do Canal do Sertão, em Alagoas, já demitiu 140 trabalhadores este mês; situação no canteiro é de desespero porque novas demissões podem ser feitas e há risco de paralisação total por falta de repasse de recursos que são liberados pelo governo Michel Temer; até junho deste ano as obras eram feitas em ritmo acelerado, com 470 funcionários; se não houver repasses de mais de R$ 50 milhões até a primeira semana de dezembro, serão realizadas demissões totais, mas de forma temporária
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Por Mariane Rodrigues/gazetaweb.com - Com a proposta de distribuir água tratada em torno de 250 km pelos municípios do Sertão e Agreste Alagoanos, o Canal do Sertão tem enfrentado polêmicas sobre possíveis irregularidades e dificuldades para ser entregue no tempo previsto, que seria em junho de 2018. Desta vez, funcionários que trabalham na construção civil, contratados pela empresa Odebrecht, denunciam demissões e riscos de paralisações nas obras por falta de repasse de recursos que são realizados pelo Governo Federal.
De acordo com o funcionário Luiz Carlos de Souza, a construtora Odebrecht demitiu 70 trabalhadores no dia 13 de novembro. Dois dias depois, mais 70 pessoas foram dispensadas.
As informações recebidas pelos funcionários do Lote 04, durante reunião com os engenheiros do Canal, são as de que, se o repasse não for efetuado até o dia 1° de dezembro, as obras deverão ser paralisadas.
Segundo Luiz Carlos, todos os funcionários, mesmo os que ainda não foram demitidos, estão desesperados. "O clima aqui é de muita tristeza para os que saíram e os que ficaram, pois, o amanhã é incerto. Estamos todos aflitos com medo de ficar desempregados", afirma o funcionário.
Uma pessoa ligada à construtora Odebrecht, empresa responsável pela construção do lote 04, confirmou a versão do funcionário. Ela afirmou que, até junho deste ano, as obras estavam sendo realizadas em ritmo acelerado, com 470 funcionários. Em novembro, o ritmo precisou ser reduzido. E, se não houver repasses, em mais de R$ 50 milhões, até a primeira semana de dezembro, serão realizadas demissões totais, mas de forma temporária.
"A consequência disso é a paralisação temporária total das obras. E as demissões serão em quantidades maiores, em torno de 300 funcionários que restam, além da suspensão de contratos com empresas que prestam serviços de transporte, alimentação e moradia", informa a fonte.
Atualmente, 60% das obras estão concluídas. Dos 250 km esperados, 113 já estão prontos. A proposta é de que o Canal percorra os municípios entre Delmiro Gouveia, no alto Sertão de Alagoas, até Arapiraca, no Agreste Alagoano. Ao todo, o Canal do Sertão deve abranger sete lotes, mas, atualmente, as obras estão no quarto, que corresponde às cidades de São José da Tapera e Senador Rui Palmeira.
Os repasses em atraso estão orçados em mais de R$ 50 milhões. A transferência é feita pelo Governo Federal, através do Ministério da Integração, ao Governo Estadual. Os pagamentos são efetuados pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra). Agora, devido aos atrasos, não há mais previsão.
TCU detecta graves irregularidades em obras do Canal do Sertão de Alagoas
A descoberta se deu após uma auditoria na Secretaria de Infraestrutura do Estado de Alagoas. Foram analisados contratos dos trechos 3, 4 e 5, cujos valores são, respectivamente, de R$ 494 milhões, R$ 458 milhões e R$ 477 milhões.
Seinfra
A Gazetaweb entrou em contato com a Seinfra para saber o motivo da falta de repasses e se há previsão para que eles ocorram. O órgão se limitou a informar - em nota - que trabalha para adequar os contratos, com o objetivo de acelerar os trabalhos, abrir novas vagas e suprir as demissões existentes.
Confira nota na íntegra
A Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) esclarece que o Trecho 4 do Canal do Sertão já encontra-se com 73% das obras executadas, para levar a água do rio São Francisco aos municípios de Senador Rui Palmeira e São José da Tapera, após sua conclusão.
Mesmo diante do cenário atual, o Governo de Alagoas já quitou, em três anos, mais de R$ 117 milhões da dívida da obra do Canal do Sertão, que chegou a R$ 147 milhões, deixada pela gestão anterior. Isso possibilitou levar, no mesmo período, a água do km 65 ao km 107, viabilizando interligações de sistemas coletivos de abastecimento, intensificação de políticas públicas de combate à seca e avanço de culturas irrigadas de pequenos e médios produtores.
Agora, a Seinfra atua na adequação do contrato, para dar mais celeridade aos trabalhos e permitir a abertura de novas frentes de trabalho, suprindo, de tal modo, demissões registradas na atual conjuntura - na qual é identificada redução generalizada no repasse de recursos do Governo Federal para todas as importantes obras do país.
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