Planejamento evitou confrontos no Recife
O presidenciável e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mostrou o seu jogo de cintura no protesto que ocorreu nesta quinta-feira (20), no Recife (PE); ao tomar conhecimento da mobilização para o ato e analisar o cenário de violência em outras capitais, Campos planejou cada passo para evitar o risco de conflitos e minimizar os danos à sua imagem e a da gestão do PSB em Pernambuco; atuação da polícia foi aprovada pelos manifestantes
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PE247 – O presidenciável e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mostrou, novamente, a sua fama de político com jogo de cintura, o que foi perceptível, mais uma vez, no protesto que ocorreu nesta quinta-feira (20), no Recife (PE). Ao tomar conhecimento do protesto que aconteceria em Recife e analisando o cenário de violência em outras capitais, Campos planejou cada passo para evitar o risco de conflitos e minimizar os danos à sua imagem e a da gestão do PSB em Pernambuco.
Policiais foram orientados reiteradamente para evitar provocações. Com os rodoviários ameaçando aderir ao movimento, o Ministério Público do Trabalho recomendou que os motoristas, caso engrossassem a passeata, recolhessem os ônibus às suas respectivas garagens. O comércio também fechou as portas mais cedo e as empresas e órgãos públicos liberaram seus funcionários antes do final do expediente e do começo do protesto. Tudo somado, as medidas acabaram por reduzir a possibilidade de conflitos pelas ruas do Recife.
Em uma jogada de marketing digna de ser estudada, diversos policiais tomaram as ruas da capital pernambucana portando braçadeiras brancas onde estava escrito a palavra “paz”. Outro contingente que atuou na segurança em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) portavam flores brancas. Atuando apenas na prevenção e coibindo furtos e assaltos, bem como os princípios de tumulto tão logo estes eram iniciados, a atuação da Polícia foi aprovada pelas mais de 50 mil pessoas que participaram da manifestação.
No bairro do Recife, uma viatura da polícia chegou a ser aplaudida pelos manifestantes e retribuiu buzinando para agradecer o gesto de quem aclamava os policiais. A maneira como a polícia se comportou e o pacifismo na manifestação foi mais uma jogada do gestor que visa se candidatar ao Palácio do Planalto em 2014.
Alguns policiais chegaram a protestar junto com os manifestantes, que pediam melhorias no transporte público, além de defender outras bandeiras como os direitos dos animais, suspensão da PEC 37, que tira do Ministério Público o poder de investigação, e a renúncia do Pastor Marcos Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Apesar de atos isolados de vandalismo e tentativas de assaltos, a manifestação no Recife foi pacífica, sem que houvesse, portanto, quebra-quebra como houve em outras capitais, como Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP) e Brasília (DF). O governador proibiu o uso de gás lacrimogênio e balas de borracha para evitar cenas de violência como em outras cidades. Mil policiais entre civis, militares e homens do Corpo de Bombeiros fizeram a segurança da mobilização.
Diferentemente do que ocorreu em Manaus (AM), por exemplo, nenhum ônibus da capital pernambucana foi quebrado. A sede da Prefeitura do Recife teve uma vidraça quebrada, mas a situação foi controlada rapidamente, uma vez que o Executivo municipal tinha reforçado o policiamento no local. Não houve tumultos em frente à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), até porque o governador aconselhou os parlamentares a largarem mais cedo do expediente.
Campos anunciou a redução das passagens, na última terça-feira (18), em R$ 0,10. Com isso, o preço do Anel A caiu de R$ 2,25 para R$ 2,15, B (R$ 3,45 para R$ 3,35), D (R$ 2,75 para R$ 2,65) e G (R$ 1,50 para R$1,40). Mas nem o reajuste e nem o aparato policial impediu que os manifestantes também criticassem o chefe do Executivo estadual. A manifestação, apesar de pacífica em comparação com outras capitais, resultou em 31 prisões.
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