Perillo: relatório é ação "covarde e irresponsável"
Em nota oficial, governo de Goiás acusa o deputado Odair Cunha (PT-MG) de produzir a mais malfeita e inconsistente conclusão entre todas as CPMIs criadas até hoje no Congresso Nacional. Documento, sob o título “A farsa foi desmascarada”, traz 10 considerações sobre a CPI do Cachoeira e seus desdobramentos, reafirma a inocência do tucano e reforça que relator está a “serviço do mentor maior do mensalão”
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Goiás247 - O relatório do deputado Odair Cunha (MG-PT) sobre a CPI o Cachoeira continua a ser alvo de críticas pesadas do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e de seus aliados. Na quarta-feira, Perillo já havia manifestado sua indignação com o documento elaborado pelo petista que começa a dar fim na CPI do Cachoeira.
O governador encara o relatório como produto de um embate político que sempre quis prejudicá-lo. No início da tarde desta quinta-feira, o governo de Goiás divulgou nota oficial em que chama o relatório de “confuso, direcionado e inconsistente”. O texto, intitulado “A farsa foi desmascarada”, tem 10 considerações sobre a CPI e seus desdobramentos e reafirma a inocência do tucano.
Logo no início do texto, o governo estadual desqualifica o relatório de Odair e também alfineta o deputado ao dizer que ele está a “serviço do mentor maior do mensalão”. A nota diz que Cunha “produziu o mais malfeito e inconsistente “relatório” de todas as CPMIs criadas até hoje no Congresso Nacional”.
O comunicado afirma que Marconi mesmo foi quem solicitou ao Ministério Público Federal para que fosse investigado. E diz, na sequência, que Perillo se apresentou espontaneamente para comparecer à CPI e ainda respondeu a todos os questionamentos dos parlamentares, além de oferecer a quebra de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.
A nota oficial do governo parte então para o que seriam as provas. O relatório final da Polícia Federal nas investigações da Operação Monte Carlo inocentou Perillo. E o texto lembra que mesmo com mais de 30 mil horas de gravações e oito meses de trabalho, o relator Odair Cunha “não conseguiu demonstrar a mínima conexão ou favorecimento do governador Marconi Perillo com o grupo Delta/Cachoeira”.
Odair Cunha é criticado há tempos por Marconi e aliados. O deputado chegou a estar em Goiânia em busca de provas contra Perillo. A ação foi considerada desastrosa e não condizente com um parlamentar que integra uma CPI. “De forma hilária, o relator cria em seu “relatório” a entrega de dinheiro em sistema delivery que, durante as investigações, ele afirmou categoricamente que havia sido feito no Palácio das Esmeraldas, e no “relatório” apresentado, ele transfere a entrega para Anápolis, região ou, ainda, Pirenópolis”, diz a nota oficial.
Provas
O governo de Goiás questiona a ausência de provas ao longo das investigações realizadas pela CPI. “Não existe, em todo o material analisado pela CPMI, nenhum fato ou indício de vantagens concedidas pelo governo ao grupo Delta/Cachoeira. Por esta razão, o relator não indicou, na farsa apresentada por ele como “relatório”, um único fato concreto sequer de vantagens oferecidas a esse ou a qualquer outro grupo”.
A CPI é chamada de circo por não ter convocado membros da administração federal e outros agentes políticos importantes que tiveram os nomes citados nas investigações da PF. O caso mais emblemático é o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que foi poupado de ser ouvido em Brasília pela Comissão. “Não convocar membros da administração federal, de governos estaduais e de prefeituras detentores dos maiores contratos do grupo Delta/Cachoeira com entidades públicas foi o maior indicativo de que esta CPMI foi transformada pelo relator e alguns de seus apoiadores em um grande circo”.
O governo goiano desqualifica o relatório novamente chamando-o de covarde, parcial e direcionado para depois informar que Perillo prestará informações sobre o caso a partir de agora somente ao Superior Tribunal de Justiça.
“Desta forma, mais uma vez o governador Marconi Perillo reafirma sua inocência e, se confirmado o pedido de indiciamento formulado pelo relator, terá sido esta uma ação mesquinha, midiática, covarde, irresponsável e inócua”, finaliza a nota oficial.
Leia a íntegra da nota:
NOTA OFICIAL DO GOVERNO DE GOIÁS
A farsa foi desmascarada
O relator, a serviço do mentor maior do mensalão e na ânsia de agradar seu chefe, produziu o mais malfeito e inconsistente “relatório” de todas as CPMIs criadas até hoje no Congresso Nacional.
O “relatório” é tão confuso, direcionado e inconsistente que fica difícil até contestá-lo pontualmente. Fica o repúdio, de forma veemente, a esta peça de ficção elaborada exclusivamente como instrumento de vingança.
Aos fatos:
1. O governador solicitou, por iniciativa própria, que o MPF abrisse processo para investigá-lo.
2. Em respeito ao Congresso Nacional e como ex-parlamentar, ofereceu-se espontaneamente para comparecer à CPMI do Cachoeira, onde respondeu com clareza, objetividade e transparência todos os questionamentos que lhe foram feitos e, em seguida, ofereceu a quebra de todos os seus sigilos – fiscal, telefônico e bancário.
3. Depois de quase três anos de investigações e mais de 30 mil horas de gravações e todos os sigilos do governador à sua disposição, o relator teve oito meses para fundamentar suas posições que, diga-se de passagem, foram manifestadas de forma irresponsável ao longo desse período. Mesmo com toda a farta documentação, ele não conseguiu demonstrar a mínima conexão ou favorecimento do governador Marconi Perillo com o grupo Delta/ Cachoeira.
4. De forma hilária, o relator cria em seu “relatório” a entrega de dinheiro em sistema delivery que, durante as investigações ele afirmou categoricamente que havia sido feito no Palácio das Esmeraldas, e no “relatório” apresentado, ele transfere a entrega para Anápolis, região ou, ainda, Pirenópolis.
5. Não existe, em todo o material analisado pela CPMI, nenhum fato ou indício de vantagens concedidas pelo governo ao grupo Delta/Cachoeira. Por esta razão, o relator não indicou, na farsa apresentada por ele como “relatório”, um único fato concreto sequer de vantagens oferecidas a esse ou a qualquer outro grupo.
6. A pressa do relator, em encerrar esta CPMI antes de analisar mais de 500 pedidos de depoimento e de quebra de sigilos, evidencia seu pavor ao ver que as investigações caminhavam perigosamente em direção à verdade nua e crua dos fatos, isto é, ao DNIT e governos estaduais e municipais ligados ao partido dele.
7. Não convocar membros da administração federal, de governos estaduais e de prefeituras detentores dos maiores contratos do grupo Delta/Cachoeira com entidades públicas foi o maior indicativo de que esta CPMI foi transformada pelo relator e alguns de seus apoiadores em um grande circo.
8. O que vimos no “relatório” covarde, parcial e direcionado, elaborado como instrumento de vingança contra desafetos do líder maior oculto do mensalão foi uma tentativa de, através de fragmentos de gravações, montar uma peça frágil, inconsistente, sem o mínimo de embasamento técnico ou de provas para incriminar e desgastar politicamente adversários dos mensaleiros.
9. Diante disso, da fragilidade do “relatório”, do espírito de vingança do relator e do fato de esta peça elaborada pelo deputado Odair Cunha nada de novo ter trazido e não ter conseguido provar nenhuma das sandices ditas por ele ao longo dos últimos oito meses, o governador não se manifestará mais sobre esses assuntos, pois já prestou, no período, todas as informações solicitadas pela CPMI e pela sociedade de forma geral através da imprensa.
10. O governador se reserva o direito de, a partir de agora, prestar as informações relativas ao caso ao Superior Tribunal de Justiça, onde as investigações já são conduzidas de forma isenta por pessoas de bem, honestas e que não estão a serviço de nenhum partido político.
Desta forma, mais uma vez o governador Marconi Perillo reafirma sua inocência e, se confirmado o pedido de indiciamento formulado pelo relator, terá sido esta uma ação mesquinha, midiática, covarde, irresponsável e inócua.
Goiânia, 22 de novembro de 2012
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