Perillo cobra reforma no pacto federativo

“É preciso ter pacto com o dinheiro. Nós (estados e municípios) somos os responsáveis por quase todas as demandas do povo, mas o dinheiro fica lá em Brasília”, disse o governador de Goiás, ao criticar a concentração de recursos (72%) nas mãos do governo federal; em discurso a policiais militares, o tucano alerta que passou da hora de a União agir para fechar as fronteiras, impedindo que drogas e armas cheguem ao país; a reclamação de Perillo acontece após pesquisa detectar que a segurança pública assumiu a liderança entre as queixas da população de Goiânia

Perillo cobra reforma no pacto federativo
Perillo cobra reforma no pacto federativo (Foto: RODRIGO CABRAL)


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Goiás247_ O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) cobrou na quarta-feira (26) alterações no pacto federativo, com uma melhor distribuição de recursos e obrigações a Estados e municípios. “É preciso ter pacto, mas é preciso ter pacto com o dinheiro, porque hoje 72% de tudo que se arrecada no Brasil fica em poder do governo federal, sobrando 14% para os Estados e 14% para os municípios, que são os principais responsáveis pela saúde, pela educação, pela segurança, pela habitação, pelo saneamento, pelas estradas, pelo meio ambiente. Nós somos os responsáveis por quase todas as demandas do povo, mas o dinheiro fica lá em Brasília,” afirmou o governador.

Em discurso durante solenidade de entrega de equipamentos para a Polícia Militar, Perillo disse que muita coisa precisa ser corrigida no Brasil. A primeira é com relação à entrada de drogas ilícitas no País. Lembrou das dimensões das fronteiras, especialmente com a Bolívia e a Colômbia, países de onde vem a maior parte das drogas ilícitas. “Já passou da hora de o governo federal agir pra valer para fechar as fronteiras, impedindo que as drogas, que o contrabando de armas chegue ao nosso país. Se nós temos hoje problemas gravíssimos na área da segurança pública, não são por culpa nossa. Nós até podemos ter algum tipo de falha. A polícia prende, a polícia age, mas as drogas são responsáveis hoje por 70% ou 80% de todos os ilícitos criminais que acontecem”, observou Marconi.

A reclamação de Marconi sucede pesquisa recém divulgada dando conta de que a segurança, pela primeira vez em 16 anos, assumiu no lugar da saúde a liderança entre as queixas da população de Goiânia. Segundo o levantamento do Serpes para o jornal O Popular, realizado nos dias 1º e 2 de junho, para 48,5% dos entrevistados a principal demanda é segurança. Saúde caiu para 38,4%. Educação foi citada por 9%.

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Segundo o governador, além das drogas e do contrabando há a impunidade das leis, “que são frouxas”. Para ele, foi também essa sensação de impunidade que empurrou milhares de brasileiros para a rua nesses dias. “A polícia trabalha incansavelmente, apesar das limitações, mas, em média, um delinquente, um ladrão de mão armada, fica 40 dias preso e depois é devolvido às ruas, para praticar os mesmos crimes e para dar trabalho ao aparelho de Estado e à polícia. Em alguns casos, o sujeito rouba e fica três dias preso. Essas situações precisam ser mudadas”, acrescentou.

Marconi Perillo reclamou em seu discurso das dificuldades de acesso aos recursos federais para as áreas prioritárias dobradas pela população: “Os recursos para construir novas penitenciárias ficam contingenciados, para que o Governo tenha superávit primário. Recursos para outros investimentos na área da segurança também ficam contingenciados. Na área da segurança pública não tem outra conversa. É preciso dinheiro para investir mais e mais em obras, armamentos, munições e, principalmente, investir no policial, investir na contratação de mais policiais. Os Estados vão chegando ao seu limite e pedem socorro ao governo federal.”

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Marconi disse ainda que quer que os pactos hoje propostos saiam da raia do discurso para a prática. “Pacto pressupõe que o governo federal coloque dinheiro na saúde, porque os Estados gastam 12% do seu orçamento, as prefeituras 15% e o governo federal, na PEC 29, não tem obrigação de gastar nada. Pacto significa ajudar os governos estaduais e municipais a pagar o piso dos professores, porque a União não põe dinheiro algum. Pacto significa dinheiro para a Segurança Pública, para que os policiais sejam ainda mais valorizados e para que a gente possa contratar mais policiais”, cobrou o governador Marconi, acrescentando que os governos estaduais são os responsáveis quase exclusivos por todos os gastos com a segurança do cidadão.

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