Perca o medo da Bolsa

O educador financeiro Mauro Calil derruba mitos e ensina como investir em ações para formar patrimônio. Estratégia prima por empresas com lucro constante e ensina a evitar armadilhas de preços

Perca o medo da Bolsa
Perca o medo da Bolsa (Foto: Shutterstock)


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Luciane Macedo _247 - "Comprando mais". Eis o que estão fazendo os veteranos investidores em ações desde que a Bolsa começou a cair sob o peso da tragédia grega em abril. É o mesmo que fizeram durante a crise de 2008, estão "aproveitando a oportunidade para aumentar seu patrimônio gastando menos", conta o educador financeiro Mauro Calil, professor da Academia do Dinheiro e do Instituto Nacional de Investidores (INI). Desde 2005, Calil, que ganhou seu primeiro lote de ações do avô, aos 11 anos, derruba mitos e temores sobre a Bolsa, além de ideias preconcebidas como "dá trabalho ter dinheiro" ou "é melhor ter saúde do que dinheiro".

Em salas de aula lotadas, ele mostra como enriquecer conseguindo rentabilidade real média de 15% ao ano com uma carteira de ações. O suficiente para que um trabalhador que ganha não mais que R$ 1.000,00 líquidos e aplique só o seu 13º salário possa viver de dividendos 30 anos depois. Um prazo que, tudo indica, pode virar um luxo para quem planeja, um dia, viver de renda. À medida que os juros básicos da economia diminuem, levam consigo os fartos ganhos de grande parte das aplicações em renda fixa -- a menos que se aumente os valores investidos para compensar. Já na renda variável, o apetite ao risco e as estratégias determinam em boa parte como cresce o dinheiro do investidor, esteja o mercado em alta ou em baixa.

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Os alunos que trocam uma diversão de fim de semana por uma pequena maratona de cinco horas de aula com Calil não saem de lá sabendo tudo de análise técnica da Bolsa e nem dominando estratégias arrojadas ou de alto risco. Mas saem habilitados para aumentar seu patrimônio e até surfar nas crises, ficando zen em tempos de pânico. É que o "Método INI de Investimento em Ações", que já desvendou os segredos da Bolsa para mais de 10 milhões de investidores em 20 países, é conservador e fundamentalista. Ele prima pela segurança de empresas com lucros constantes ao longo do tempo, mostra como identificá-las e como comprar as ações evitando armadilhas de preços (veja abaixo).

"O método preza por manter o investidor tranquilo e evitar o desespero", comenta o educador financeiro. "Ele mantém a água na canela, mas não te afunda." Calil aplica o mesmo método em sua recém-inaugurada Academia do Dinheiro, uma espécie de clube para que os alumni possam continuar exercitando e aperfeiçoando suas habilidades para fazer dinheiro, em Bolsa e também em outros investimentos. A maioria dos dedicados aprendizes nunca investiu em Bolsa. No primeiro domingo de junho, dos 85 alunos presentes, apenas cinco já tinham colocado seu dinheiro onde muitos brasileiros ainda temem investir.

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Mas de onde vem o medo da Bolsa, que sempre ganha contornos exacerbados durante as crises? "São medos infundados e irracionais", diz o educador financeiro. "O medo da Bolsa é o mesmo da criança quem tem medo de escuro, é o medo do desconhecido". Calil, que acumula mais de vinte anos de experiência na Bolsa, explica aos seus alunos que manter a tranquilidade quando o Ibovespa despenca é algo natural para os veteranos, e que também pode ser para eles. "O investidor experiente não vive de Bolsa, do compra e vende, do stress do mercado", conta Calil. "Ele investe em renda fixa, Bolsa e imóveis, e hoje você tem os fundos de investimento imobiliário que facilitam muito dar o tempero certo para a carteira de investimentos".

Outro segredo dos veteranos de sucesso e pilar do modo zen na Bolsa, ensina Calil, é a tática do "devagar e sempre", ou seja, investir valores moderados com regularidade. Um dos principais erros de quem juntou dinheiro para comprar ações é querer "apostar todas as fichas" de uma vez. "Se a pessoa tem R$ 30 mil, não deve colocar tudo de uma vez na Bolsa, o certo é dividir esse dinheiro", diz o educador financeiro.

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A lógica por trás da tática é simples: não se deve colocar em ações um dinheiro que poderia ter outro destino no curto prazo, como a compra de um carro ou uma viagem muito desejada. "A Bolsa é muito transparente em relação ao risco, e se a pessoa troca um sonho pelo investimento em ações para tentar realizar dois sonhos, ela já vai fragilizada para o mercado", explica Calil. "Se o Ibovespa cai 2%, esse investidor já entra em pânico e pensa: 'Estou perdendo tudo'".

Quando a Bolsa passa por períodos de grande turbulência, como agora, as oportunidades para fazer crescer o patrimônio em ações ficam ainda mais atraentes. E para quem já cultiva o hábito de investir "devagar e sempre", não falta dinheiro para ir às compras na liquidação. "Quem entende de Bolsa comemora a queda, porque sabe que seus R$ 100,00 compram mais que no passado", exemplifica Calil. "Se a Bolsa está caindo 12%, seus R$ 100,00 estão valendo R$ 88,00, mas se antes você comprava cem papéis, você consegue comprar 112 na queda". É uma lógica simples, mas temores infundados de quem não conhece a Bolsa impedem que muita gente compre na baixa.

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Outros princípios do método INI também ajudam o investidor a manter a calma, entre ele o reinvestimento de dividendos e juros sobre capital. "É uma forma de ter uma grana a mais para comprar que não sai do seu bolso", observa Calil. A escolha das empresas é criteriosa, e foca nos lucros constantes ao longo do tempo. "Se o lucro da empresa é constante, mesmo que a cotação caia pontualmente durante uma crise, ela volta ao patamar superior", explica o educador financeiro.

"A Bolsa caminha para cima, mas não em linha reta, 80% da valorização de um papel, em um ano, ocorre em apenas 20% dos pregões, ou seja, se você vai tentar adivinhar que pregões são esses, é um stress maluco", assinala Calil. "Se você tira o foco do investidor do curto prazo e das cotações, ele consegue perder o medo e acreditar que consegue 2% de rentabilidade real ao mês, porque não vai ser assim todo santo mês, mas ao longo do tempo". O investidor que tiver paciência vai reconhecer seus ganhos ao longo do tempo.

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Calil também incentiva o contato com o mercado de ações desde cedo. A maioria dos investidores pessoa física na Bolsa tem mais de 60 anos, e a participação do público mais jovem ainda é pequena. "Todo milionário investe em ações", comenta Calil. "Tem que começar do berço", recomenda. "Muitos pais e avós abrem uma poupança para seus filhos e netos, mas deveriam construir uma carteira de ações porque, com pequenas quantias, você consegue, do zero aos 15 anos, formar um patrimônio de milhões para uma criança".

O educador financeiro assinala que o risco é diluído com pequenos valores e prazo a perder de vista. "Você tem um tempo enorme de maturação da carteira e para reaplicar os dividendos", orienta Calil. "Bolsa é sinônimo de longo prazo e um bebê é quem tem mais tempo se alguma coisa der errado". A dica para os pais ou avós temerosos é abandonar a falsa crença de que só a poupança é segura: "As pessoas também deixam de ganhar dinheiro cultivando mitos positivos, e o mito da poupança é um deles".

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Em qualquer idade, o melhor antídoto para afastar o medo de investir em ações, avalia Calil, é adquirir conhecimento de qualidade e fugir de promessas milagrosas. "Não existe 'fique rico na Bolsa em quatro meses', embora possa acontecer, são casos excepcionais", adverte. "Existem muitos produtos que te permitem tomar esse conhecimento emprestado, ele não precisa ser seu, um exemplo disso são os fundos de ações".

E aos que ainda insistem em achar que "ter dinheiro dá trabalho", Calil lembra que o trabalhoso é justamente não ter dinheiro quando mais se precisa dele ou ter que se virar para sair das dívidas. E não é à toa que, quando pensamos em recomeços, como na virada do ano, desejamos não só "saúde para dar e vender", mas também "muito dinheiro no bolso": o melhor, mesmo, é ter os dois.

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