PC Farias: Começa a fase final do julgamento

O quinto dia de julgamento do Caso PC Farias teve início, nesta sexta-feira (10), com a fase de debates entre o Ministério Público e a defesa dos réus. O promotor Marcos Mousinho, que pede a condenação dos militares, afirmou que houve omissão por parte dos quatro policiais que faziam a segurança de Paulo César Farias e afirmou que os peritos direcionaram as investigações.  Por sua vez, o advogado dos réus, José Fragoso,  tenta convencer os jurados de que houve homicídio seguido de suicídio. Ele afirmou que houve “desonestidade científica” por parte da segunda equipe de peritos, que queriam derrubar a tese do Badan Palhares. 

PC Farias: Começa a fase final do julgamento
PC Farias: Começa a fase final do julgamento (Foto: Jonathan Lins)


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Alagoas247 – O promotor Marcos Mousinho disse que o trabalho feito pela primeira perícia não realizou uma investigação aprofundada, apenas tentou provar o que estava, em um primeiro momento, na boca das pessoas, da imprensa e das autoridades. “A primeira perícia fez os trabalhos, baseando-se na afirmação de autoridades. Todo o trabalho investigativo morreu ali. A possibilidade de descobrir quem cometeu aquele crime foi sepultada quando eles começaram a trabalhar para provar a tese que já era de conhecimento de todos às 13h30, antes mesmo de qualquer investigação. A segunda perícia não fez testes e mais testes para chegar à conclusão que chegou", disse.

 “O Ministério público terá que provar aos senhores que, de fato, não houve suicídio. Que Suzana Marcolino não matou Paulo César Farias e depois se matou. Houve dois homicídios naquela madrugada, quando ocorreram as mortes. Eles, como segurança, tinham a obrigação de agir. Eu não posso falar que eles são autores materiais, não posso afirmar que eles executaram o crime. Eles se omitiram de impedir as mortes”, afirmou Marcos Mousinho.

Uma das questões colocadas pelo promotor disse respeito ao afastamento do delegado Fernando Pedrosa das investigações e à substituição dele pelo delegado Cícero Torres. Marcos Mousinho ressaltou o fato de que, antes mesmo de ser realizada uma perícia no local, já havia sido afirmado que o crime se tratava de homicídio seguido de suicídio, o que, segundo ele, teria influenciado no resultado da primeira perícia, realizada na cena do crime.

Ele também destacou o fato de não terem sido feitos exames residuográficos nas pessoas que se encontravam na casa na madrugada do crime. "A mente dos investigadores e dos peritos já estava em um só caminho, o de investigar o crime passional. Quando as pessoas afirmam que houve homicídio seguido de suicídio, eles trabalharam para provar que foi isso que aconteceu", afirmou.

Sentam no banco dos réus os militares Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva, Josemar Faustino dos Santos e Reinaldo Correia de Lima Filho, que foram interrogados ontem e negaram ter alguma responsabilidade no crime. 

A expectativa é que a decisão dos jurados saia ainda nesta sexta-feira (10), após cinco dias de julgamento.

Defesa: 'Queriam desmascarar Badan Palhares

Depois de 30 minutos de intervalo, a segunda etapa dos debates referentes ao julgamento do caso PC Farias teve início por volta de 11h40 desta sexta-feira (10), no Fórum do Barro Duro. O advogado José Fragoso tenta convencer os jurados de que houve homicídio seguido de suicídio. Ele afirmou que houve “desonestidade científica” por parte da segunda equipe de peritos, que queriam derrubar a tese do Badan Palhares. 

Fragoso fez críticas aos testes realizados pela equipe de Domingos Tochetto com o intuito de analisar a trajetória da bala, o posicionamento de Suzana no momento em que recebeu o tiro e até a ausência de sangue no revólver utilizado durante o crime. “A questão é de desonestidade científica. Queriam desmascarar Badan Palhares”, afirmou. 

Para o advogado, a tese de que o crime se tratava de duplo homicídio só surgiu depois que a conclusão do primeiro laudo vazou para uma revista de circulação nacional, chamando a atenção do resto da mídia. 

“As conclusões do laudo da primeira equipe de peritos vazou e atraiu a mídia nacional, que fez de tudo para transformar um fato da vida real em uma obra de ficção”, argumentou Fragoso, destacando que Suzana nunca foi tratada por Paulo César Farias como uma prostituta. 

Ele deu início às explanações citando as pessoas que participaram, no primeiro momento, da apuração do crime, e negando que houve direcionamento dos peritos que realizaram a primeira perícia no local das mortes. 

"Na época, o secretário de Segurança designou o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Cícero Torres, para presidir o caso, mas integrantes do Ministério Público Estadual, da Polícia Federal e da OAB participaram dos trabalhos”, ressaltou o advogado, citando os nomes dos profissionais.

Sobre a arma utilizada no crime, Fragoso ressaltou que o importante não é saber que ela foi comprada por Suzana, mas como ela adquiriu o revólver. Para ele, Suzana estava mais que determinada a adquiri-la. "Ela fez oito ligações para uma pessoa com intuito de comprar uma arma", falou o advogado, ressaltando que ela chegou a ir a uma loja na tentativa de adquirir o revólver. Segundo o advogado, Suzana comprou a arma no dia em que fez o exame de gravidez.

O advogado de defesa usou como argumento para defender os réus o fato de Suzana ter mentido para os amigos afirmando que estaria grávida. “Ela fez um exame de gravidez e disse que estava grávida, mas não estava. Ela queria estar grávida”, ressaltou.

Segundo Fragoso, depois de comprovado que a arma havia sido adquirida por Suzana, o próximo passo foi a realização do exame residuográfico. De acordo com ele, o fato de só terem sido encontrados resíduos de pólvora nas mãos de Suzana, sendo que tanto ela quanto PC Farias eram fumantes, comprova que ela teria efetuado os disparos.

“Se os dois fumaram, e fumaram bastante naquele dia, porque o exame com o reagente de Griess só encontrou pólvora combusta nas mãos de Suzana?”, questionou.

Digitais

Sobre a ausência de impressões digitais na arma do crime, Fragoso contestou o teste realizado pelo perito criminal Domingos Tochetto, apresentado no quarto dia de julgamento. Segundo ele, a metodologia utilizada foi equivocada. Pelos testes, vinte pessoas teriam simulado suicídio, e mesmo depois de limpar a arma, haviam deixado as impressões digitais.

Para argumentar a contestação, José Fragoso mostrou um trecho escrito pelo próprio Tochetto, onde consta a informação de que em apenas 1% ou 2% das armas, principalmente em suicídio, são constatadas impressões dígito-papilares com condições de permitir um confronto papiloscópico. “A metodologia utilizada para fazer a análise das armas, durante o teste, foi errada”, falou.

Fragoso também falou que, uma perícia feita pela Polícia Federal na casa de Guaxuma constatou que não existia a possibilidade de uma terceira pessoa ter tido acesso ao quarto onde ocorreu o crime.

O advogado de defesa dos réus também destacou, durante a explanação, que os peritos convocados para fazer a segunda perícia do caso PC Farias teriam divergências com Badan Palhares, responsável pelo trabalho realizado no local do crime, que concluiu que houve homicídio seguido de suicídio.

“Badan Palhares tinha divergências com Tochetto relativas a um laudo produzido na Paraíba, onde o Badan dizia que houve suicídio e, de outro lado, o Tochetto afirmava que foi homicídio”, disse.

Ainda sobre os telefonemas feitos ao dentista na madrugada do crime, Fragoso citou uma mensagem deixada por Suzana na secretária eletrônica. “Às 5h02, há a última ligação e ela deixa uma nova mensagem, dizendo: ‘Eu amo você. Eu nunca vou esquecer você. Espero um dia encontrar você nem que seja na eternidade’. Senhores, isso é equivalente a um bilhete suicida, afirmou o advogado aos jurados.

José Fragoso leu um trecho do laudo pericial que apontava o duplo homicídio. No referido trecho, os peritos não descartam totalmente a hipótese de homicídio seguido de suicídio. “Os exames e testes que realizamos não permitem afastar a possibilidade dessa causa jurídica de morte. Não temos elementos para avaliar se havia uma terceira pessoa no quarto, dizia o laudo.

Ainda sobre as perícias feitas, o advogado exibiu no telão opiniões de especialistas na área que confirmavam a tese apontada no primeiro laudo: de homicídio seguido de suicídio.

Fragoso explorou a consciência dos jurados ao pedir para que eles não condenem os réus sem saber o que verdadeiramente aconteceu. Coloquem-se no lugar deles. Porque se eles forem condenados, então parte-se da premissa que eles estão mentindo. E eu só posso dizer que alguém está mentindo se eu conheço a verdade. Por isso, peço a absolvição de todos, é o que tenho a dizer a vossas excelências”, concluiu o advogado.

A sessão foi suspensa às 14h04 para o almoço e será retomada uma hora mais tarde com a réplica do promotor Marcos Mousinho.

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Com gazetaweb.com

 

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