Pau quebra na sede da prefeitura de São Paulo

20h00: do nada, estudantes começaram a jogar pedras na unidade de transmissão da TV Record; manifestantes tentam tombar o veículo e lançam bombas sobre ele; manifestação degringola para mais violência; grades de proteção diante da prefeitura foram retiradas pelos manifestantes e arremessadas contra o portão principal; "Vem pra rua, vem, contra o governo", gritavam; guardas municipais se refugiaram dentro do prédio; grupo de manifestantes fez cordão humano em frente ao prédio para tentar evitar depredação; Haddad deixou a prefeitura de helicóptero para se reunir com a presidente Dilma; por Marco Damiani

Pau quebra na sede da prefeitura de São Paulo
Pau quebra na sede da prefeitura de São Paulo


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Marco Damiani _247 - A manifestação corria pacífica em frente à Prefeitura de São Paulo até um grupo de jovens tentar invadir o prédio. Os guardas municipais que faziam a segurança, defendendo a entrada do prédio, acabaram cedendo e entraram, para se proteger atrás das portas. Após a tentativa de invasão, alguns manifestantes chegaram a recolocar as grades de proteção que estipulam o acesso até onde os manifestantes devem ir. Mas, enquanto alguns manifestantes recolocam as grades, outros voltam a derrubá-las. Às 20h, um grupo de 20 estudantes começou a jogar pedras e bombas na unidade de transmissão da TV Record.

Dentro do prédio, homens da guarda civl metropolitana em uniformes de batalha percorreram os andares buscando olhar das janelas mais altas a extensão do cerco à prefeitura. Um dos policiais falou ao 247: "Estamos em 50 policiais, um número bastante reduzido para esta população. A maioria dos estudantes vem para um protesto pacífico, mas há elementos de outras etnias com outros objetivos. Esse é o complicador". Do sexto andar, era possível sentir o gás lacrimogêneo.

A marcha se desdobrou em vários corre-corres. Às 19h07, o grupo que rumou em direção ao Teatro Municipal voltou para engrossar a multidão na frente da sede municipal. O prefeito Fernando Haddad vai sendo informado por telefone. Ele tomou o helicóptero, por volta das 18h, para encontrar com a presidente Dilma Roussef em um hotel na zona sul da capital. A presidente montou um gabinete de crise com o ex-presidente Lula, o marqueteiro João Santana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

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Grades

A proteção de grades à Prefeitura parece ter sido um erro, uma vez que as próprias grades vão funcionado como arma e são motivo de disputa entre os estudantes. Um deles, vê-se aqui de cima, tem uma maçarico nas próprias mãos. Outro carrega a grade, talvez para transformá-la num instrumento de guerra urbana. Não há vestígio, mirando-se aqui do alto, de qualquer liderança que possa acalmar a multidão.

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Todas as vidraças da entrada principal foram quebradas pelos manifestantes. Às 19h10, a bandeira da cidade de São Paulo foi tirada do mastro e rasgada diante da prefeitura. Em seguida, os manifestnes gritavam "tira a do Brasil, tira a do Brasil", buscando também tirar a bandeira brasileira. Várias pequenas brigas acontecem entre a multidão. Uma faixa amarela "Chega de impostos" aparece às 19h15. Ao mesmo tempo, uma fogueira é acesa, mas outros estudantes a apagam. Uma equipe de TV é atacada. Do alto, calculo em pelo menos 10 mil pessoas diante da sede municipal. Colunas chegam das duas centrais para engrossar a manifestação. Não há hora para terminar.

Depois do acirramento dos ânimos, um grupo de manifestantes fez um cordão humano em frente ao prédio da prefeitura para tentar evitar que a sede do Executivo municipal fosse depredada. Eles pediam que a manifestação transcorresse sem violência e impediam que outros participantes do ato continuem a tentar invadir o local. "O nosso movimento não usa branco nem veste a bandeira do Brasil. Tem identidade combativa. O aumento da tarifa já é uma agressão. Isso aqui é um ato de legítima defesa", disse Wagner Luís à Agência Brasil. Ele é fotógrafo e milita em movimentos sociais há 14 anos.

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Mais cedo

"Quem não pula, sai da rua", gritam lá embaixo. "Ei, Haddad, vai ..." – e xingam. Do sexto andar, um espaço na janela é disputado. Centenas, milhares de estudantes estão lá em baixo. A sede da Prefeitura de São Paulo, num dos extremos do Viaduto do Chá, está sendo cercada. São 18h04. É a marcha estudantil que, iniciada na Praça da Sé, às 17 horas, acaba de chegar. "Vem pra rua, vem", convocam os estudantes.

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Não são os 100 mil de ontem, mas, nessa esquina com a Praça do Patriarca, se forem dez mil já podem ocupar todo o espaço. É o que acontece. A Guarda Municipal reforçou seu efetivo lá embaixo. Nas grades que protegem o prédio municipal, os estudantes estendem bandeiras do Brasil.

"Gente, que loucura!", exclama uma funcionária pública. "Mas está bonito", diz outro. Para alguém completar: "Ainda bem que é pacífica".

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Até agora, sim. Para um grupo que parou diante do edifício, outro, também grande, avançou pelo Viaduto do Chá, em direção ao Teatro Municipal. Lá, na quinta-feira foram registradas cenas de violência a partir da ação da Polícia Militar. Hoje, tudo pode acontecer. A informação que chega, aqui no prédio, é a de que o colega Caco Barcellos, da Rede Globo, foi atacado. Exagero? Verdade? Televisão ligada para confirmar, mas nenhuma apuração concreta.

Os que eram centenas agora são milhares. O trânsito parou. Um mar de gente tomou a frente da sede municipal. "Abaixo a repressão", gritam, ainda que ela não esteja presente. Ainda.

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