Parque Nacional Chapada Diamantina amplia regularização

Administração do parque concluiu a oitava desapropriação de uma área com mais de 4 mil hectares (ha); outras sete áreas estão em processo final de desapropriação, previstas para este ano; "Com a conclusão da negociação das sete áreas que estão sendo regularizadas e outras nove que estão na Justiça, vamos conseguir regularizar 80% dos quase 30 mil hectares de área que precisam ser regularizados", calcula o biólogo Cezar Gonçalves

Parque Nacional Chapada Diamantina amplia regularização
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Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Há pouco mais de um mês, a administração do Parque Nacional Chapada Diamantina (PNCD) conseguiu concluir a oitava desapropriação de uma área dentro da unidade, com mais de 4 mil hectares (ha). Outras sete áreas estão em processo final de desapropriação, previstas para este ano.

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O processo de regularização da unidade está ainda na fase inicial. Segundo o analista ambiental que trabalha na unidade, Cezar Gonçalves, existem mais de 300 propriedades, entre imóveis de comunidades que já moravam na região antes de o parque ser criado em 1985 e fazendas, que ocupam a maior área ainda irregular.

"Com a conclusão da negociação das sete áreas que estão sendo regularizadas e outras nove que estão na Justiça, vamos conseguir regularizar 80% dos quase 30 mil hectares de área que precisam ser regularizados", calculou o biólogo. O parque, considerado um dos maiores do país fora da região amazônica, ocupa quase 152 mil hectares. Desse total, mais de 60% são terras da União. Apesar da extensão, a unidade representa apenas uma pequena parte de toda a Chapada Diamantina.

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Ainda assim, a unidade, que abrange seis municípios da Bahia - Ibicoara, Itaeté, Lençóis, Mucugê, Palmeiras e Andaraí -, é a guardiã de nascentes importantes para a região. O Rio Paraguaçu, responsável pelo abastecimento de 60% da população da capital baiana, corta todo o território da unidade, que também é reconhecida por pesquisadores como sede de importantes bancos genéticos.

Estimativas divulgadas no site da Chapada Diamantina apontam que, anualmente, quatro ou cinco novas espécies de plantas endêmicas e três de animais são descobertas na região. "É variável, mas essa tem sido a média, o que, para os padrões mundiais, é muita coisa", destacou Gonçalves.

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O registro de visitações do parque ainda não está consolidado, mas a Associação dos Condutores de Visitantes do Vale do Capão (ACV-VC), uma das organizações que colaboram com a administração da unidade com monitoramento voluntário há mais de 12 anos, registrou, no ano passado, a presença de quase 16 mil pessoas na Cachoeira da Fumaça. A queda d'água, de 340 metros de altura, é considerada o principal atrativo turístico do PNCD.

Cezar Gonçalves disse ainda que técnicos e analistas do órgão responsável por essas unidades têm que lidar também com ameaças externas. Pelas características típicas da Caatinga, a ocorrência de incêndios nessa região torna-se um desafio. Com a estiagem prolongada que afetou a área até abril de 2013, foi necessário contratar 14 brigadistas de combate a incêndios florestais para atuar por três meses caracterizados, geralmente, por um clima menos seco.

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Os agentes ainda não têm um mapeamento que indique as causas exatas das ocorrências, mas suspeitam de pelos menos duas atividades. Uma delas é a queimada para a renovação de pastagens e a mais grave é a queimada para a caça. "A caça é o problema mais grave. Todo ano enfrentamos esse problema, mesmo com todo o esforço feito, mas geralmente contratamos uma média de 42 brigadistas só a partir de junho ou julho", explicou o biólogo.

No Piauí, a pouco mais de 600 quilômetros da capital Teresina, o Parque da Serra das Confusões, apontado pelos administradores como o maior da Caatinga brasileira, ainda não foi aberto a visitações.

 Ainda assim, a unidade, que tem mais de 823 mil hectares ao longo de seis municípios piauienses, consegue manter projetos de educação ambiental, recreação e abrir espaço para pesquisas científicas em toda a sua área.

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Criado em 1998, o Parque da Serra das Confusões é responsável pela proteção de diversas espécies ameaçadas como o tatu-canastra, o tatu-bola, as onças parda e pintada e o tamanduá-bandeira, que é o símbolo do local e alvo predileto de caçadores clandestinos da região pelo valor e sabor da carne.

Edição: Marcos Chagas

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