Para Geddel, 2014 "zerou": "Não há favoritismo"
Secretário nacional do PMDB avalia que onda de manifestação popular que tomou as ruas há duas semanas enfraqueceu politicamente a presidente Dilma Rousseff pela disputa de 2014 e mais uma vez mostrou insatisfação com seu partido no trato com o governo; "O grande problema do meu partido hoje talvez tenha sido confundir apoio com a falta de capacidade de dizer o que pensa. Governo é governo e partido é partido"
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Bahia 247
Não é só a oposição que acha que o momento vivido pelo Brasil diante da onda de manifestação popular que tomou as ruas há duas semanas enfraqueceu politicamente a presidente Dilma Rousseff pela disputa de 2014, na qual ela vai tentar se reeleger.
Secretário nacional do PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer, Geddel Vieira Lima continua a fazer jus à fama de 'encrenqueiro' e afirma que Dilma perdeu o favoritismo que lhe era concedido, sobretudo pela outrora ótima avaliação popular.
"Na visão política, a primeira consequência clara dessas manifestações é que zerou 2014. Ninguém pode dizer hoje que você tem um quadro de favoritismo de quem quer que seja. A posição ponderada agora, e eu tenho essa cautela, é esperar as ondas pararem de bater nas pedras para ver como é que fica essa espuma. A sociedade brasileira não é mais a mesma, até porque ela descobre a sua força nas ruas, a capacidade de manifestar-se como uma coisa totalmente interessante e você tem que aguardar para saber qual é o efeito disso".
Em entrevista à rádio CBN Salvador, o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa e ex-ministro da Integração no governo Lula avaliou que a o "avanço" da inflação contribui para a queda da popularidade de Dilma Rousseff e que é um dos fatores que têm levado milhões de pessoas às ruas.
"Antes você tinha a presidente da República extremamente bem avaliada e as políticas implantadas como algo que lhe dava conforto. Essa revolta só comprova que a economia tem uma influência brutal na vida das pessoas. Ou seja, na hora que a inflação avança e você tem queda da renda por impossibilidade de continuar tendo ganhos reais de salário no mesmo ritmo a sociedade começa a questionar. O quadro para 2014 está reaberto. Depois que passar esse momento de emoção [o eleitor estará atento para saber] quem vai chegar junto com um discurso que devolva fé e esperança e possa resolver as questões que estão postas".
O peemedebista compactua da necessidade de reforma política. "O modelo político brasileiro precisa ser discutido, redefinido e modificado para que não você não tenha uma crise de representação ainda mais forte".
Para Geddel, o principal recado das ruas foi a insatisfação com o retorno dos impostos pagos. "Fundamentalmente o que o povo está dizendo é: eu quero gestão, eu quero saúde pública de qualidade, posto de saúde que tenha médico, segurança pública que tenha atitude e nos tire esse medo que a gente está vivendo, e transporte de qualidade".
O ex-ministro mandou chumbo grosso também contra os demais caciques do PMDB, apesar de não citar nomes. Para ele, seu partido não tem "capacidade" de discordar do Planalto.
"O grande problema do meu partido hoje talvez tenha sido confundir apoio com a falta de capacidade de dizer o que pensa. Governo é governo e partido é partido. Se você quer ser um bom aliado você tem que ter independência para contribuir... Evidente que tenho divergência com meu partido. Vou fazer um debate interno mostrando que o partido tem que ter atitudes proativas".
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