Para base, Perillo sai na frente na disputa de 2014
Grupo de prefeitos eleitos e bolsão de votos nulos em Goiânia chamam A atenção de tucanos e aliados para disputa de 2014; agora, força do governo já começa a atrair espontaneamente lideranças eleitas por partidos de oposição
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O inesperado aconteceu: apesar da superexposição negativa na imprensa por conta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura os desdobramentos da operação Monte Carlo, e da pressão de opositores, em Goiás, a base de sustentação do governo conseguiu eleger 167 prefeitos contra menos 100 da oposição. Se política fosse matemática, as contas já estariam fechadas para 2014, com a dianteira do governador Marconi Perillo (PSDB), potencial candidato à reeleição.
A surpresa maior se deve a pouca ação do governador, que agiu estrategicamente e atuou em poucos processos eleitorais. Para quem achava que Marconi Perillo estava liquidado política e eleitoralmente, a base aliada venceu com maioria de prefeitos. “Muitos ainda podem perfilar com o governo”, diz um cardeal tucano que articula a aproximação do grupo da base com prefeitos opositores.
A estratégia de aproximação está pulverizada, com a morte do ex-articulador político do grupo, o advogado Fernando Cunha. Uma das baixas mais sentidas da base, Cunha era um ás que articulava as migrações e atentava para o crescimento sadio do grupo. Conforme a fonte tucana, o partido agora busca reaprender a fazer esta articulação. Não é uma prioridade em um primeiro momento a cooptação de novos prefeitos, pois a base prepara ainda uma avaliação mais profunda dos resultados das eleições.
O grupo quer levar em conta, por exemplo, o peso eleitoral em cada região do Estado, como Entorno de Brasília e os bolsões de votos em Goiânia. Chamou atenção da base o enorme vácuo eleitoral deixado na Capital por conta dos votos nulos. É o mais alto índice de votos anulados do Brasil e maior de Goiânia desde 1996, quando Goiânia era governada pelo petista Darci Accorsi. Do total de eleitores que foram às urnas no domingo, 12,92% recusaram os políticos que se candidataram.
Uma das obras centrais da base aliada, em Goiânia, é a construção do VLT (Veículo leve sobre Trilhos), que deve começar a ser licitada no próximo mês. A magnitude da obra e visibilidade, pois corta a Capital pelo eixo Anhanguera, poderá ser o chamariz do grupo para o enorme percentual de votos nulos.
O desempenho mais significativo do PSDB ocorreu em dois centros de poder importantes: Trindade e Catalão. Mas o grupo dominou as cidades de médio porte, como Itumbiara, que ele Chico Bala (PTB), o candidato de Zé Gomes e Marconi Perillo. Das 60 maiores, 46 ficaram com prefeitos que apoiam o governador.
Movimento pendular
A oposição também evoluiu. Mas de uma forma esperada. O grupo manteve o domínio histórico: Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia. Com raras exceções, os comandantes destes municípios sempre governaram com governadores opositores. Existe um movimento pendular de poderes na política goiana: quando o atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, era governador de Goiás em 1995, o prefeito de Goiânia era o opositor Darci Accorsi (PT). No mesmo período, o prefeito de Aparecida de Goiânia era Ademir Menezes (no então PFL), que administrou Aparecida tendo o peemedebista Iris Rezende como governador de Goiás.
O mesmo ocorreu com os primeiros e segundos mandatos de Perillo, que teve prefeitos opositores, como ocorreu em Anápolis com o ex-prefeito Ernani de Paula. O resultado atual confirma algo ainda não explicado pela ciência política. A reportagem consultou dois pesquisadores de política para explicar o fato e nenhum se debruçou sobre o assunto. “Não parece mera coincidência. Pode ter a ver com as forças políticas, a relação da rápida urbanização destas cidades e das carências do resto do Estado”, diz Luiz Gomes, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).
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