Os dois pesos e duas medidas de Odair Cunha
À época da CPI da Compra de Votos, que originou o processo do mensalão, o deputado petista fez o que estava ao seu alcance para impedir as investigações sob alegação de que não havia provas (hoje o STF mostra o contrário). Mas, na CPI do Cachoeira, o relator mudou subitamente de opinião para atacar a imprensa e os adversários do PT
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Goiás247_ “Sabemos que CPI é instrumento de luta política e sempre foi”, a frase foi dita pelo deputado federal Odair Cunha (PT) em 25 de maio de 2005. O empenho e a eloquência de Odair para desqualificar uma comissão parlamentar de inquérito tinham uma justificativa. O deputado petista tentava evitar a instalação da CPI dos Correios para investigar as denúncias de corrupção no governo Lula em 2005. A CPI foi criada em junho e depois virou seu foco para as investigações do escândalo do mensalão, que acabara de estoura.
Em 2005, Odair Cunha era alvo e com discurso raso tentava barrar o avanço das investigações. Hoje, como relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista certamente tem pensamento contrário e parece acreditar cegamente nos desdobramentos da CPI que relatou atendendo aos interesses do PT e de Lula.
“Quero fazer um registro sobre o tema discutido e propagandeado durante todo o dia de hoje: a CPMI dos Correios. Sr. presidente, não assinei o requerimento de instalação da CPMI e não vou assiná-lo”, disse Odair no mesmo dia 25.
A postura radical de Odair Cunha quando o assunto é CPI continua a ser aplicada. Só que desta vez para atender a seus interesses e aos do seu partido, o PT. Odair controlou a CPI do Cachoeira como mãos de ferro. Exemplos não faltam: os 508 requerimentos negados, o jeito amigo de tratar o aliado Agnelo Queiroz (PT) e a não convocação de Sérgio Cabral (PMDB). Para o adversário Marconi Perillo (PSDB), um tratamento grosseiro.
O comportamento de Odair ao longo da CPI dos Correios em 2005 expõe uma contradição monstruosa diante de tudo que ele faz hoje na CPI do Cachoeira. Naquela época, Odair Cunha se preocupava com a falta de provas para acusar seus colegas, a exemplo do então ministro da Casa Civil José Dirceu (PT). Provas são justamente o que o PSDB pede para que se justifique o indiciamento de Perillo no processo. Foram mais de 30 mil horas de gravações na Operação Monte Carlo e a próprio Polícia Federal informou não ter encontrado provas que mostrassem Marconi trabalhando a favor dos interesses de Cachoeira. Na CPI, nada de novo surgiu.
“Vivemos momento interessante no País, com denúncias de corrupção nos Correios. No entanto, algumas delas recaem sobre o nosso Parlamento, afirmando que deputados estariam votando mediante o recebimento de mesada. Está em jogo a credibilidade desta Casa. Muitos dizem o que querem, mas não provam nada”, disse Odair em 16 de junho de 2005. Hoje, o Supremo Tribunal Federal revela justamente o contrário, com a condenação de quase todos os envolvidos no escândalo.
O deputado mais vez recorre á filosofia de boteco para tentar sensibilizar seus colegas diante da saída de José Dirceu, que deixava o ministério atolado nas denúncias: “Para aqueles que neste momento estão rindo com essa saída é importante lembrarmos um velho ditado: quem ri por último ri melhor”. Neste caso, o ditado popular foi por água a baixo, pois Dirceu acaba de ser condenado a 10 anos de prisão.
Detetive
A busca por provas para derrubar Perillo fez com que Odair Cunha mostrasse uma habilidade que poucos conheciam. Ele vestiu sua capa de detetive e chegou a estar em Goiânia em busca de documentos contra Marconi. Sua ação foi duramente criticada – até mesmo por colegas de partido – e interpretada como desespero, dando mostras de que estava numa missão que mais parecia uma vingança pessoal.
Delúbio
Odair Cunha também se empenhou na defesa de Delúbio Soares e na tentativa inócua de provar que não houve mensalão. O deputado encomendou um estudo em 2005 para tentar confirmar que não havia uma relação entra a quantidade de saques e a votos a favor do governo.
O depoimento de Odair em juízo foi usado na defesa de Delúbio no julgamento do STF. “O estudo apontou o seguinte: primeiro, inegável os fatos dos saques havidos no declinar do período. O que nós buscamos naquela época foi demonstrar que não havia coincidência de saque com votação”, disse Odair. Este trecho do depoimento de Odair está anexado na defesa de Delúbio.
O que Odair Cunha tentou provar com este estudo foi justamente um dos pontos sustentados pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para embasar sua tese de que houve sim o esquema do mensalão. Em agosto deste ano, Gurgel disse que, para ele, a relação entre as grandes votações no Congresso e os saques realizados pelos envolvidos no Banco Rural comprova o esquema de corrupção.
Gurgel
O troco de Odair, que é adepto do “quem ri por último ri melhor”, para cima de Gurgel também veio no relatório da CPI do Cachoeira. O relator petista pede que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) investigue o comportamento do procurador-geral. Para Odair, é importante que seja esclarecido por que Gurgel não tomou qualquer providência em relação às denúncias apuradas pela operações Vegas e Monte Carlo.
Gurgel afirmou nesta quinta-feira que enxerga o ato de Odair como retaliação, devido à sua atuação no julgamento do processo do mensalão. “Se isso [o pedido de investigação] vier a se materializar, eu acho que é sim uma retaliação”, disse Gurgel.
O PSDB aponta mais este episódio para mostrar que Odair Cunha age movido pelas ordens do ex-presidente Lula e por vingança. O relatório de Odair ataca, por coincidência, todos aqueles tidos como “inimigos” de Lula nos últimos anos. O governador Perillo, que diz ter avisado Lula sobre a existência do mensalão. O procurador Gurgel, que atuou contra os acusados no julgamento do mensalão e a revista Veja, por meio do indiciamento do jornalista Policarpo Júnior, que sempre mostrou os podres dos governos do PT.
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