Odair alivia com Delta e pesa a mão sobre Perillo
A empreiteira, que era o braço financeiro de Carlinhos Cachoeira, não deve ser indiciada. Já o governador goiano, mesmo com uma liminar controversa em mãos, será o alvo principal do petista, que também deve preservar governadores aliados
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Goiás247 - A CPI do Cachoeira terá um capítulo especial na quarta-feira e pode expor novamente o viés partidário da comissão. Os jornais Folha de S.Paulo e Estadão informam nesta terça-feira que o relatório do deputado e relator Odair Cunha (PT-MG) deve poupar a Delta. A empreiteira, que era o braço financeiro de Carlinhos Cachoeira, não deverá ser indiciada.
Odair também decidiu poupar os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Os dois tiveram seus nomes envolvidos com a Delta. Cabral, inclusive, era amigo de diretores da empresa. Agnelo depôs na CPI e negou envolvimento no esquema montado por Cachoeira e Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste.
As ações de Odair Cunha vão de encontro ao que sempre pregaram os parlamentares tucanos. Os opositores temiam que a CPI fosse usada politicamente e preservasse aliados do governo federal. Na versão dos tucanos, o mais prejudicado foi o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que se tornou alvo principal da comissão e de Odair.
O relator deve pedir o indiciamento de Perillo. Na segunda-feira, o governador goiano obteve decisão do Supremo Tribunal Federal que, nas palavras de seus advogados, impediria que o indiciamento ocorresse. A liminar foi dada pelo ministro Marco Aurélio. O relator chegou a pedir um parecer para respaldar sua decisão de fazer o indiciamento.
No mandado de segurança, os advogados de Perillo pediram a concessão da liminar para determinar à CPI que "se abstenha de o convocar, conduzir, investigar ou indiciar". No mérito do recurso, a defesa pede a confirmação da decisão liminar.
Cunha também pretende apontar no relatório as 37 empresas que têm ligação com o esquema de Cachoeira.
A comissão averiguou que pelo menos 21 empresas serviram à organização criminosa. Dessas, cinco são com certeza fantasmas: Alberto & Pantoja, Adécio & Rafael, Brava Construções, JR Prestadora de Serviços, Construtora Veloso e Conceição.
Antes mesmo de conhecer o teor do relatório, os parlamentares do chamado bloco "independente" da CPI - integrado na maior parte por políticos de oposição - avisaram que vão apresentar um relatório paralelo. Integrado pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) e pelos deputados Rubens Bueno (PPS-SP) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o bloco também anunciou que vai ingressar na Procuradoria-Geral da República com uma representação pedindo o aprofundamento da investigação das relações de Cachoeira com agentes públicos fora do Estado de Goiás.
O relator também pedirá o indiciamento do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) por sete crimes: lavagem de dinheiro, corrupção passiva, advocacia administrativa, tráfico de influência, formação de quadrilha, violação do sigilo funcional e crime contra a ordem tributária. O relatório tem 4 mil páginas.
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