Ocaso das oposições na América do Sul
Definitivamente, as oposições de direita da América do Sul devem repensar suas ações, pois vivem um profundo ocaso
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Definitivamente, as oposições de direita da América do Sul devem repensar suas ações, pois vivem um profundo ocaso. A mais recente prova disso é a estrondosa derrota que as forças de esquerda impuseram nas eleições argentinas. Cristina Kirchner foi reeleita com números históricos: 54% dos votos, 35 pontos de diferença do segundo colocado, 8 milhões de votos a mais, vitória em oito das nove Províncias, feito inédito de vencer nas Províncias de Santa Fé e Córdoba, vitória em todas as cidades importantes do país e maioria congressual de que não dispunha até a eleição. É a terceira vitória eleitoral seguida dos Kirchner, e os candidatos de esquerda somaram, juntos, 84,9% dos votos.
Mas o fenômeno não é restrito à Argentina. As últimas eleições em quase todos os países da América do Sul registraram vitórias da esquerda: no Brasil, Dilma Rousseff; no Uruguai, José Mojica; no Peru, Ollanta Humala; no Equador, Rafael Correa; na Bolívia, Evo Morales; e, na Venezuela, Hugo Chávez. Além disso, na Colômbia, Juan Manuel Santos foi eleito pelo seu antecessor, Álvaro Uribe, mas assumiu reatando as relações com a Venezuela; e, no Chile, Sebastián Piñera, enfrenta protestos estudantis contra as reformas, de direita, no sistema educacional.
O que acontece, então, com as previsões e análises que dominaram nossa mídia tupiniquim e viraram pó nas eleições argentinas?
Há um duplo fator que explica o atual quadro político na América do Sul: o êxito das políticas de esquerda, de orientação produtiva, de valorização do mercado interno, aumento do emprego e distribuição de renda; e o fracasso das receitas neoliberais, adotas pela direita sul-americana nos anos 1990 e que culminaram no plano internacional na maior crise econômica desde 1929. Some-se a isso a desorganização das forças conservadoras no continente.
Há outra mudança comum a todos países com governos de esquerda e progressista: a retomada dos recursos naturais e da renda obtida em benefício do país e de suas maiorias, com o fortalecimento do papel do Estado no desenvolvimento com distribuição de renda. Além disso, a adoção de políticas externas soberanas e integradoras da região, aliadas à defesa da economia nacional e do mercado interno com retomada dos investimentos em inovação e infraestrutura.
Nesse quadro, não adianta a mídia tradicional, formada por grupos ligados às forças da direita decadente, estrilar e aumentar o volume de seus ataques. Porque o problema é de fundo: a ausência de um projeto a apresentar às nações da América do Sul. Com a crise, isso ficou ainda mais evidente. Mas a grande imprensa segue atirando e deve ampliar ainda mais seus ataques, como se vê no Brasil. A tentativa é de tentar desestabilizar os governos, comprometer as instituições e, assim, recuperar terreno.
Mas, como diria nosso brilhante Mané Garrincha, “falta combinar com os russos”. Ou seja, nessas tentativas, falta encontrar eco nas ruas, nos anseios populares. Estes, com a melhoria de situação de vida e da perspectiva de seguir ampliando o processo de inclusão que vivenciam com as políticas de esquerda, estão cada vez mais descolados desse roteiro conservador-midiático.
José Dirceu, 65, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT
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