“O que poderia ser bonito se transformou em palco para baderneiros”

Jornalista Tirzah Braga (Portal Terra) relata momentos de tensão ao longo dos protestos desta terça-feira (25) em Aracaju; conta como foi o ato em frente à prefeitura e detalha ação de vândalos no viaduto Carvalho Déda; “ver profissionais atingidos e ameaçados, ficar perto de acontecer o mesmo com você, é algo constrangedor”, disse  

“O que poderia ser bonito se transformou em palco para baderneiros”
“O que poderia ser bonito se transformou em palco para baderneiros”


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Tirzah Braga, especial para o Sergipe 247 - A manifestação começou, mais uma vez, bem bonita. Com o grupo se dirigindo para as principais ruas da cidade. Como profissional, tinha ficado satisfeita no último manifesto por entender que havia sido feito de uma maneira correta, sem arruaça, vandalismo, depredação. É claro que alguns focos foram registrados, mas na maior parte do tempo, algo a se aplaudir. Sem a presença de policiais fardados, a Polícia Militar dava exemplo de como agir. Porém, o que foi visto nessa terça-feira, dia 25, foi algo muito diferente.

O primeiro momento de tensão foi na ida à Prefeitura Municipal de Aracaju e foi lá que os problemas apontados de forma esporádica durante o percurso, foram despejados. Parte do grupo, uma parte não tão pequena, pedia a invasão da sede da PMA. Eu, que estava cobrindo para o Portal Terra, me posicionei na frente do portão para tentar fazer boas imagens e por pouco não fui engolida pela massa que se jogou contra os portões da Prefeitura. Esse foi o primeiro susto. Como forma de proteção, procurei andar acompanhada de outros colegas. Depois desse momento tenso, encontrei com a repórter Ana Lícia Menezes, que estava com a testa sagrando um pouco depois de ser atingida por uma pedra. Se eu já não estava à vontade, passei a ficar ainda menos.

Na chegada ao viaduto do DIA, mais tensão. Estava claro que o núcleo da manifestação não estava à frente da baderna que ocorria no local. Muitas pessoas com o rosto coberto ameaçavam equipes de televisão e repórteres, que trabalhavam lá como eu.

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Bombas eram jogadas pelos “manifestantes”, um ônibus foi parado e depredado de forma arruaceira. Por diversas vezes tentaram atear fogo no veículo e não conseguiam. Água mole e pedra dura tanto bate até que fura. Conseguiram. Isso parecia um grande prêmio.

Por duas vezes, policiais apareceram. Na primeira, dois carros com poucos policiais que acabaram saindo do local. Na segunda, a cavalaria ameaçou, mas não fez nada. A cada hora que passava, ficava claro que não havia manifestantes, que aquele grupo que saiu da praça Fausto Cardoso não estava lá. A postura já era diferente desde a PMA, e no DIA só ficava pior.

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Mesmo sabendo que uma ação da polícia era necessária, também foi algo muito complicado. Imprensa, manifestantes e arruaceiros ficaram no mesmo bolo. Por pouco, muito pouco mesmo, eu e a repórter do JC, Grecy Andrade não fomos agredidas por uma policial militar da cavalaria. Enquanto uns carregavam máquinas e faziam fotos da cena achando o máximo, inclusive posando com um ônibus incendiado, profissionais sofriam com a iminência de uma agressão. O motivo dela seria o de apenas estar cumprindo o seu dever como jornalista. Ver profissionais atingidos e ameaçados, ficar perto de acontecer o mesmo com você, é algo constrangedor.

E o mais difícil é ver que o que poderia ser bonito se transformou em palco para baderneiros.

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Foto: Portal Infonet

Leia mais: Manifestantes tentam invadir prefeitura

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