O próximo foco é a Copa das Confederações
Manifestações que começaram com gritos contra o aumento da passagem tomam agora as ruas de várias capitais – principalmente cidades-sede da Copa das Confederações e do Mundo – para criticar os investimentos públicos em obras dos mundiais; Belo Horizonte, que teve protestos no terceiro dia de competição, quer impedir os próximos jogos no Mineirão; em Fortaleza, ato foi marcado para esta quarta-feira, quando o Brasil joga contra o México; Fifa se preocupa com as críticas ao evento e o governo afirma que não irá tolerar protestos que tentem prejudicar as partidas
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247 – O que começou com protestos que pediam a revogação do aumento da tarifa de ônibus em São Paulo foi amplificado agora em manifestações que mostram gritos sobre problemas bem mais amplos, como os investimentos públicos para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo. Na noite desta segunda-feira, multidões formadas principalmente por jovens e estudantes tomaram as ruas de 12 capitais simultaneamente, incluindo todas as cidades-sede da Copa das Confederações, no terceiro dia de competição.
A linha de raciocínio parece natural: a partir do momento em que o Brasil está no foco da imprensa mundial, ao sediar dois eventos de grande importância e interesse de milhões de pessoas, é hora de mostrar os problemas e tentar despertar os governantes. Os dois primeiros dias de disputa da Copa das Confederações foram logo marcados por protestos, em Brasília, durante a abertura, e no Rio, no entorno do Maracanã. Novas manifestações devem acontecer nas duas cidades, também em dias de jogos.
Em São Paulo, onde uma passeata pacífica reuniu cerca de 65 mil na noite desta segunda-feira, nova manifestação está agendada na Praça da Sé, a partir das 17h desta terça-feira, mesmo depois de uma reunião do Movimento Passei Livre com o prefeito Fernando Haddad. E apesar de os organizadores reivindicarem a revogação do aumento da tarifa, cartazes contra os investimentos da Copa e reivindicando investimentos em outros setores do País certamente estarão entre eles, como aconteceu ontem.
Em Minas Gerais, tomada por multidões nas ruas da capital, Belo Horizonte, onde aconteceu o único jogo desta segunda-feira, entre Nigéria e Taiti, os manifestantes têm um plano mais audacioso: impedir os próximos jogos do Mineirão. Novos protestos estão marcados, portanto, para o próximo sábado, às 16h, quando jogam México e Japão, e para o dia 26 de junho, dia em que será disputada uma das semifinais do torneio.
A Arena Castelão, em Fortaleza, também foi palco de manifestação na noite passada, mas a maior delas está marcada para esta quarta-feira 19, quando o Brasil jogo contra o México no estádio. Os organizadores do ato são do movimento "Mais pão e menos circo, Copa para quem?". Em Brasília, depois de um protesto pacífico que tomou as rampas e até o teto do Congresso Nacional, novo ato foi marcado para quinta-feira 20, mesmo dia do Recife, em Pernambuco.
Fifa: não é assunto nosso
Preocupado apenas com as eventuais críticas direcionadas ao evento, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse nesta segunda-feira que tudo isso será esquecido se o Brasil conquistar o hexacampeonato. "Espero que não tenhamos críticas ao final da Copa. Tenho certeza de que não haverá críticas se o Brasil vencer a final", afirmou, durante um seminário no Rio de Janeiro. "É um assunto que não tem nada a ver conosco. Tivemos a mesma situação na Turquia [onde será realizado o Mundial sub-20] O que podemos fazer? Organizamos o evento e esperamos que tudo se resolva. Não pedimos mais segurança. É o governo que vai tomar atitudes", completou o dirigente.
Governo não vai tolerar
Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, o governo não irá tolerar protestos que tentem impedir os jogos da competição. Em sua avaliação, a polícia obteve sucesso ao conseguir realizar as três primeiras partidas. "Não vamos permitir que nenhuma dessas manifestações atrapalhe nenhum dos eventos que nos comprometemos a realizar. Quem achar que pode impedi-los enfrentará a determinação do governo de impedir. As manifestações serão toleradas dentro desse limite", disse Aldo.
Nesta segunda-feira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, recebeu manifestantes que organizaram o protestos na abertura da Copa das Confederações, no Mané Garrincha, entre eles integrantes do grupo Copa pra quem?. Mas segundo os manifestantes, quem participou do ato no último sábado não pertence a apenas um grupo e nem tem ligações políticas.
O Instituto de Fiscalização e Controle, por exemplo, protestou no dia por maiores investimentos em educação e saúde, segundo Rodrigo Montezuma, diretor de mobilização do grupo. Ele também esteve na reunião com Carvalho, junto com a filha, Illyusha Montezuma, que participou do protesto. O governo, de acordo com assessoria da pasta, quer buscar um "canal de comunicação" com os manifestantes.
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