O fascismo servil é a "inovação" do governo Bolsonaro, ironiza escritor Rogério de Campos
"Talvez essa extrema-direita do Brasil seja uma forma nova de regressão, uma inovação brasileira: um fascismo servil", diz o escritor Rogério de Campos. Não é o imigrante que faz "faz surgir o nazista" no governo Jair Bolsonaro, afirma
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247 - "Uma prova de que não é o imigrante que faz surgir o nazista é a existência do novo fascismo brasileiro, que apesar de racista não se sustenta na xenofobia", afirma o escritor brasileiro Rogério de Campos em análise no jornal Le Monde Diplomatique.
Ele também critica a submissão do governo Jair Bolsonaro aos Estados Unidos. De acordo com o escritor, "talvez essa extrema-direita do Brasil seja uma forma nova de regressão, uma inovação brasileira: um fascismo servil, especialmente criado para países obrigados a se submeter aos fascismos dos países que mandam".
"Uma jabuticaba do avesso: dura dentro e mole pra fora. Um fascismo que ultrapassa os anos 1930 e avança pelo século XIX e vai mais para trás. Que usa instrumentos do século XXI e estratégias do início do século XX para defender uma situação do século XVIII. Os fascistas italianos sonhavam reviver a Roma Imperial, os fascistas brasileiros sonham com a volta do Brasil Colonial", diz.
Na avaliação de Campos, "talvez pelo fato de a imigração aqui não ter a dimensão que tem na Europa, os fascistas brasileiros não têm tido muitas oportunidades de exibir publicamente o lado xenofóbico de sua estupidez". "É por isso também que alguns pesquisadores resistem a caracterizar essa nova extrema-direita brasileira como fascista. Que fascismo é esse que não é nacionalista? Que apesar das camisetas verde e amarelas, não demonstram raiva do estrangeiro, mas, sim, desprezo pelo próprio brasileiro", diz.
"Contra esse argumento de que o bolsonarismo não é fascista porque não é nacionalista, pode-se dizer que os diversos fascismos do início do século XX tiveram de tudo, inclusive 'entreguistas'. Na Europa, roedores foram correndo abrir a porteira de seus países para a invasão nazista e depois se destacaram como os mais miseráveis colaboracionistas", acrescenta.
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