O cartola de grife

Ronaldinho Gaúcho é mais uma ação de Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, um dirigente que adora o marketing e a polêmica. Antes do ex-flamenguista, geraram controvérsia - mas muita mídia - a adoção da camisa rosa, as discutidas contratações de Richarlyson e Luxemburgo, o uso do Twitter nos anúncios oficiais...

O cartola de grife
O cartola de grife (Foto: Divulgação)


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Minas 247 - Enquanto dava entrevista para a imprensa ao anunciar a contratação do jogador Ronaldinho Gaúcho, o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, em certo momento pôs a mão no bolso. Pegou o celular e leu a mensagem: avisavam-no que ele estava em rede nacional de TV. Naquela hora, Kalil deve ter pensado: “Já valeu a pena”.

A história mostra um pouco da personalidade do dirigente mineiro. Desde que assumiu o comando do Atlético, em outubro de 2008, ele marca sua gestão pela polêmica mas, antes de tudo, pelo marketing. É um cartola de grife.

A começar pela forma que encontrou para divulgar suas ações no Galo, usando o Twitter. Não apenas as contratações, mas as alfinetadas nos jogadores do time que preside e, principalmente, no grande rival, o Cruzeiro. A torcida, geralmente, adora. A imprensa também não reclama. Não poucas vezes, as twittadas de Kalil renderam boas manchetes na imprensa esportiva.

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O gosto pelas decisões de impacto e que chamam a atenção começou quando Kalil decidiu adotar a cor rosa na camisa de treino do Atlético Mineiro. Parcela relevante da torcida chiou, acompanhada por setores da imprensa. O conservadorismo, aliado ao velho machismo mineiro, fizeram da nova camisa muito mais polêmica do que de fato deveria. Kalil levantou os ombros e deu o recado nas câmeras de TV: “Tem que ser homem para usar um camisa dessas”. Deu certo e, principalmente nos primeiros dias, a camisa rosa do Galo esgotou nas lojas.

A contratação do meia Richarlyson seguiu a mesma linha. Ex-jogador do São Paulo, o jogador é vítima de manifestações de homofobia exploradas sobretudo pelas torcidas rivais. Antes de ser contratado pelo time mineiro, por exemplo, circularam rumores de que ele estaria indo para o Palmeiras. Uma onda de protestos dos palmeirenses nas redes sociais fez os cartolas da equipe paulista desistirem. Um grupo chegou a dizer que o repúdio ao atleta se devia ao seu suposto jeito “afeminado” e aos seus “trejeitos”.

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Kalil comprou a briga e contratou Richarlyson, o que lhe rendeu, e a seu time, mais espaços na mídia. Não sem protestos. Atleticanos questionaram com veemência, alguns usando termos claramente preconceituosos. No início deste ano, o jogador chegou a reclamar abertamente de ser vítima de homofobia.

Antes disso, pelo menos com os próprios torcedores, Kalil enfrentou bem menos polêmica quando decidiu contratar o técnico Vanderlei Luxemburgo, no fim de 2009. Na época, o ex-técnico da seleção brasileira passava por fase muito ruim, descartado por praticamente todos os grandes times do país. Pior: seu último grande êxito no futebol, pelo menos na cabeça dos torcedores mineiros, havia sido no grande rival do Galo, ao ganhar a tríplice coroa (títulos do campeonato estadual, da Copa do Brasil e do Brasileiro) pelo Cruzeiro, em 2003. Ainda assim, o desejo da grife falou mais alto e “Luxa” foi chamado, recebido com festa pela torcida e iniciou o trabalho em 2010. Fracasso total, a ponto de ser demitido já no começo do semestre seguinte.

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Antes de optar por Ronaldinho Gaúcho, outro esnobado pelos grandes do país mas certamente jogador de grife, Kalil tentou uma cartada, em certo aspecto, até mais ousada: contratar o atacante uruguaio Diego Forlán, da Inter de Milão. Além do preço alto, o Galo pagaria pelo jogador escolhido o melhor da última Copa do Mundo, na África do Sul (2010).

Ficou caro contratar o uruguaio, mas Kalil não perdeu a pose nem nessa hora. “Agora posso dizer que, quando houve aquela declaração do pai do Forlán, liguei para o empresário dele e falei que o jogador não interessava mais”, disse ele na coletiva para anunciar Ronaldinho Gaúcho. Ele se referia ao ex-jogador Pablo Forlán, pai do atleta da Inter que manifestou o desejo que o filho jogasse no Brasil pelo São Paulo e pelo… Cruzeiro.

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Mas o cartola do Atlético Mineiro é isso mesmo. Passional, polêmico e amante do marketing. Às vezes, dá certo. Mas, quando dá errado, as críticas são em dobro. Com o gaúcho eleito duas vezes o melhor do mundo, mas em descrédito atualmente, isso vai ocorrer em estágio ainda maior. Alexandre Kalil sabe disso. Mas a enorme repercussão da contratação deve fazê-lo pensar com seus botões: “Está valendo a pena”.

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