O brasileiro aperta o cinto

Pesquisa revela que 60% dos consumidores pretendem reduzir gastos em 2013, motivados principalmente por endividamento

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Apesar da melhora de renda, os consumidores brasileiros pretendem reduzir os gastos nos próximos meses, revela pesquisa divulgada no dia 12 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, 60% da população planejam consumir menos por dois motivos: o endividamento e a perspectiva de retração da economia. Isso ocorrerá apesar de 87% dos entrevistados terem dito que o orçamento doméstico aumentou ou permaneceu estável nos últimos 12 meses.

Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros têm dívidas. Desse total, 42% disseram ter chegado ao limite de comprometimento do orçamento familiar e 38% admitiram ter prestações em atraso. Além disso, 55% dos consumidores endividados informaram ter mais dívidas agora que em dezembro do ano passado.

Os bancos representam a maior fonte de endividamento dos brasileiros. De acordo com a CNI, entre as pessoas que estão pagando algum tipo de parcelamento de compras, empréstimo ou financiamento, 41% devem para um banco. As lojas concentram a dívida de 31% dos consumidores. Outros 29% devem às administradoras de cartão de crédito, 15% a financeiras e 8% a amigos e parentes. A soma é superior a 100% porque cada entrevistado podia apresentar mais de uma opção.

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Para diminuir o endividamento, os consumidores têm cortado primeiramente os gastos com lazer, viagens e práticas esportivas. Nos últimos três anos, 18% da população gastaram menos com esses serviços. Em contrapartida, subiram as despesas com saúde e cuidados pessoais, como higiene e beleza.

Mesmo com as perspectivas de diminuição dos gastos supérfluos nos próximos meses, o levantamento indicou que os brasileiros pretendem continuar comprando e viajando nos próximos seis meses. Conforme a pesquisa, 63% dos entrevistados disseram que planejam comprar um bem durável no próximo semestre. Os bens mais procurados são materiais de construção, automóveis, computadores e televisão.

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Na avaliação dos consumidores, a queda dos juros em 2012 foi insuficiente para estimular os gastos. De acordo com a CNI, 58% dos entrevistados disseram que não vão consumir mais porque os juros caíram. Em relação ao planejamento financeiro, prevalece, na população, a noção de que o valor da prestação é mais importante que as taxas de juros na hora de contratar um financiamento. Segundo a pesquisa, 69% dos consumidores disseram concordar com essa afirmação. No entanto, 64% declararam que as compras a prazo devem ser reservadas apenas para bens de alto valor.

O estudo apontou ainda que 28% dos brasileiros tiveram aumento da renda familiar nos últimos 12 meses. Os ganhos se concentraram nas maiores faixas de renda: 47% dos entrevistados com rendimento superior a dez salários mínimos alegaram terem notado melhora do orçamento doméstico neste ano, contra 17% entre os que recebem até um salário mínimo. Para 59% dos trabalhadores, a renda familiar ficou estável no período.

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Feita em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a pesquisa ouviu 2.002 entrevistados em 141 municípios de todo o país.

No Rio, descontrole puxa inadimplência

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A falta de controle nos gastos foi a principal causa da inadimplência no comércio no terceiro semestre deste ano no Rio de Janeiro. Do total de consumidores que buscaram os postos de atendimento nos meses de julho, agosto e setembro, 27% disseram que deixaram de pagar as suas dívidas por descontrole financeiro. Os dados constam de outra pesquisa, chamada Perfil do Inadimplente e divulgada no dia 11 pelo Centro de Estudos de Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Outras causas foram: o desemprego (15%), as despesas extras com saúde e educação (12%), a diminuição da renda (11%) e o atraso de salário (7%). Entre os entrevistados, 34% são casados, 51% homens e 49% mulheres. Em relação à renda familiar, 60% ganham até três salários mínimos e 19% entre três e dez salários mínimos.

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O analista de compras e contratações, Carlos Eduardo Ribeiro da Silva, 30 anos, disse que o seu endividamento começou por causa do uso do cartão de crédito e, principalmente, do cheque especial. "Como eu pago aluguel, veio uma despesa extra que eu não esperava e acabei utilizando tudo [o limite do cheque especial] para fazer o pagamento, mas foi por falta de controle mesmo. Eu negociei o empréstimo no valor total da dívida e estou fazendo esse pagamento todo mês", disse.

O estudo apontou ainda que 26% das pessoas têm prestações atrasadas no valor até R$ 500; 21% de R$ 500 a R$ 1 mil; 20% de R$ 1 mil a R$ 2 mil; 12% de R$ 2 mil a R$ 3 mil, entre outras faixas. Entre os pesquisados, 80% pretendem quitar as dívidas por meio de parcelamentos e acordos com os credores, e 20% à vista. Dos consumidores que preferem fazer negociações, 23% pretendem pagar no próximos 30 dias; 34% entre 30 e 90 dias; 26% entre 90 e 180 dias; e 17% acima de 180 dias.

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