Nordeste marca início da corrida presidencial
A viagem da presidente Dilma Rousseff (PT) ao Piauí teve objetivo claro: recuperar a força do PT no Nordeste, responsável em grande parte pelo sucesso da legenda nas duas eleições do ex-presidente Lula e da sua sucessora, e dar uma debreada na força do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, que tem intenções de chegar ao Planalto em 2014; outros três estados serão visitados nas próximas semanas e a movimentação não deixa dúvidas de que a disputa eleitoral já começou
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Paulo Emílio _PE247 - A viagem da presidente Dilma Rousseff (PT) ao Piauí nesta semana não foi somente um componente da agenda administrativa do Governo. A visita faz parte de uma movimentação que tem um objetivo claro: recuperar a força do Partido dos Trabalhadores na Região Nordeste, responsável em grande parte pelo sucesso da legenda nas duas eleições do ex-presidente Lula e da sua sucessora, e dar uma debreada na força do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, que tem intenções de chegar ao Planalto em 2014. E nas próximas semanas esta movimentação ficará ainda mais evidente, quando a presidente visitará outros estados do Nordeste, quase todos administrados pelo PSB.
Uma outra movimentação atinge, também, o candidato tucano, o senador Aécio Neves. Dilma montou um showroom, em Brasília, para apresentar aos prefeitos eleitos os projetos e programas do Governo Federal e os caminhos para viabilizá-los. Com isto, Dilma espera enfraquecer o discurso dos pré-candidatos em torno da necessidade de se criar um novo pacto federativo que garanta mais autonomia aos estados e municípios.
Depois de três encontros com o govenador socialista, onde o mesmo não afirmou se será ou não candidato em 2014, a presidente saiu na frente. O primeiro estado visitado, o Piauí é administrado pelo PSB, assim como Pernambuco e Paraíba. A exceção fica por conta de Alagoas, cujo governador integra os quadros do PSDB. Além de tentar reocupar espaços que anteriormente eram do PT e que acabaram migrando em parte para o PSB, as viagens de Dilma á Região também tentam conter as críticas dos gestores estaduais e municipais insatisfeitos com a diferença de tratamento dada atualmente ao Nordeste quando em comparação com o governo do ex-presidente Lula.
Esta jornada ao Nordeste deverá ganhar reforços em breve, com a retomada das Caravanas da Cidadania por parte do ex-presidente . Embora afastado do poder, Lula ainda é detentor de um alto índice de aceitação e popularidade no Nordeste e o seu engajamento é visto como fundamental para reforçar o palanque da reeleição de Dilma em 2014. Mas setores do próprio PT avaliam que, caso a candidatura da presidente não decole, as “caravanas” já colocariam o nome de Lula como opção preferencial na disputa pelo Planalto.
Embora Dilma tenha saído na frente na corrida presidencial, o PSB somente deverá se pronunciar sobre uma provável candidatura mais à frente, provavelmente no segundo semestre. Além de não querer bater de frente com o Governo, a legenda entende que o comportamento da economia ao longo de 2013 será um componente fundamental tanto para socialistas como petistas. Caso a economia cresça como esperado em 2013, as chances da reeleição da presidente são praticamente certas. Mas se isso não ocorrer, o governador poderá se posicionar como uma alternativa viável a hegemonia do PT no poder.
Enquanto a situação permanece indefinida, o PSB continua integrando a base governista, muito embora trabalhe nos bastidores para fechar alianças e angariar apoio em torno de suas intenções. Nesta linha, Dilma já teria dito a Campos que o apoio do PSB é fundamental aos interesses do Governo em 2013 e que uma eventual candidatura do socialista não alteraria esta situação. Por sua vez, Campos vem repetindo reiteradamente que o PSB estará ao lado da presidente ao longo deste exercício.
Agora, com o jogo cada vez mais aberto, resta aguardar para saber se esta posição será mantida ou não.
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