No Senado, Perillo volta a defender incentivos

Comissão de Assuntos Econômicos busca consenso em relação às alíquotas do ICMS nas transações interestaduais; governo federal faz pressão pela unificação do tributo em 4%, de forma gradual, até 2025; substitutivo do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) flexibiliza regras; governador goiano defende manutenção das políticas de industrialização praticadas pelos estados emergentes

No Senado, Perillo volta a defender incentivos
No Senado, Perillo volta a defender incentivos (Foto: Henrique Luiz)


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Goiás247_ A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado voltou a se reunir nesta terça-feira (23) em busca de um consenso para colocar fim à guerra fiscal entre estados brasileiros quanto às alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas transações interestaduais. No encontro, que começou às 11 horas e se estendeu até o fim da tarde, os senadores discutiram e propuseram emendas ao substitutivo do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) ao projeto de reforma do ICMS. A matéria altera projeto de resolução original do governo que pretende unificar gradualmente as alíquotas interestaduais em 4% até 2025.

Objetivando evitar que os estados emergentes tenham perdas significativas, a proposta prevê alíquota de 7% para produtos industrializados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Espírito Santo, contra 4% para os originados das demais unidades da federação.

Durante boa parte dos debates, os senadores discutiram o que fazer com os incentivos tributários concedidos pelos estados e considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O governo mandou para a Câmara dos Deputados um projeto de lei complementar que viabiliza a convalidação dos benefícios fiscais.

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Parada na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, a proposta ganhou projeto de idêntico teor de autoria do senador Wellington Dias (PT-PI). Sua proposta é reduzir o quórum para deliberação no Conselho de Administração Fazendária – Confaz -, de unanimidade para três quintos dos estados e um terço das unidades federativas integrantes de cada uma das cinco regiões do país.

A proposta tem a simpatia do governador Marconi Perillo, único governador a comparecer na sessão desta terça-feira da CAE. “A convalidação dos incentivos não pode ser matéria do Confaz, a se manter o critério de votação atual. Bastaria um Estado discordar para que todos os incentivos já concedidos e os contratados sejam cancelados”, comentou.

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O governador defendeu a manutenção da atual política tributária praticada pelos Estados. Entende que Goiás se industrializou, cresceu acima da média nacional e gerou o maior número de empregos no Brasil, graças aos incentivos que concedeu para atrair investimentos. “Não há renúncia de receita na concessão do incentivo. Estamos oferecendo 70% de isenção de uma arrecadação que não tínhamos. Pela lógica, o Estado, além de ganhar 30% de um ICMS que era zero, ainda gera milhares de empregos”, comparou.

Marconi lembrou que todos os estados brasileiros, em épocas diferentes, cresceram e dinamizaram seus parques industriais ancorados em incentivos fiscais. “A maioria incentivos do próprio Governo Federal, como foi o caso da indústria automobilística de São Paulo. Nada mais justo, então, que os estados emergentes tenham a sua oportunidade para continuar crescendo”, observou.

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Como regra geral, o substitutivo de Delcídio do Amaral estabelece um cronograma para a redução da alíquota interestadual de 12%, praticada pelos estados emergentes (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), de um ponto percentual por ano, a partir de 2014, até 2021, quando chegaria a 4%.

Quando os produtos saírem das Regiões Sul e Sudeste para as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e ao estado do Espírito Santo, a alíquota atual de 7% seria reduzida, também em um ponto percentual por ano, a partir de 2014, até chegar a 4% em 2016.

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No caso de mercadorias e bens produzidos em conformidade com o “Processo Produtivo Básico” nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e no Espírito Santo, a alíquota interestadual será reduzida dos atuais 12%, em um ponto percentual por ano, a partir de 2014, até chegar a 7% em 2018. O mesmo arranjo vale para os produtos agropecuários dessas regiões.

O substitutivo atribui à União poder de definir o que é “Processo Produtivo Básico”. Sem essa definição, serão considerados produzidos na região os produtos resultantes de industrialização nas modalidades de transformação ou montagem.

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Da reunião participaram os três senadores por Goiás, Lúcia Vânia, Cyro Miranda e Wilder Moraes, o presidente da Fieg, Pedro Alves de Oliveira, e o secretário-Chefe da Casa Civil, deputado federal Vilmar Rocha.

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