"No próprio PT a rejeição de Dilma é muito grande"
Afirmativa é do líder da oposição no Congresso, deputado Antônio Imbassahy, do PSDB; tucano continua a apostar na volta do ex-presidente Lula em 2014; "Há algum tempo atrás a presidente Dilma era considerada imbatível e seria facilmente reeleita. Depois se começou a ver o segundo turno. Agora está se falando que a Dilma nem será candidata..."; ele voltou a criticar também a postura da chefe da nação diante da "crise" instalada com as manifestações populares; "Ela levou para o campo do marketing"; leia entrevista
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Bahia 247
O líder da oposição no Congresso, deputado Antônio Imbassahy (PSDB), continua a sustentar o discurso de tucanos e democratas de que a onda de manifestação popular que tomou as ruas do Brasil nas últimas três semanas será grande vilã no projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.
"Observe que há algum tempo atrás a presidente Dilma era considerada imbatível e seria facilmente reeleita, depois se começou a ver o segundo turno, agora, no Congresso Nacional, está se falando que a Dilma nem será candidata", disse o tucano em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia.
Mais além, Imbassahy afirmou que teve conhecimento de que Dilma sofre forte rejeição até mesmo no âmbito interno do seu partido. "Dentro do próprio PT a rejeição da presidente Dilma é muito grande. Na última reunião que a bancada do PT fez, dizem no Congresso, é que 90% da bancada que estava lá só fazia críticas ao modo como a presidente Dilma está conduzindo o país".
O líder da minoria analisa ainda que o correligionário senador Aécio Neves está ganhando força e, assim como a maioria dos tucanos, faz afagos ao governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos, do PSB.
Ele vê bom quadro também na ex-ministra Marina Silva, que é considerada a responsável pelo segundo turno das eleições 2010. "A Marina Silva já introduziu na eleição passada uma pauta interessantíssima sobre o desenvolvimento sustentável".
Abaixo os principais trechos e aqui a entrevista completa de Imbassahy à Tribuna da Bahia.
Tribuna da Bahia - Como está vendo a onda de manifestações que acontece em todo país?
Antonio Imbassahy - Eu vejo com satisfação porque, pela primeira vez, de maneira eloquente, a população diz com clareza a sua insatisfação e acho que essa insatisfação decorre de dois fatores principais: o mau funcionamento do Estado brasileiro, o Estado como um todo, e também a exaustão do sistema político nacional. Isso acabou repercutindo diretamente na funcionalidade das cidades, do ponto de vista do sistema de saúde, segurança, do transporte público, do trânsito. Tudo que está acontecendo aí decorre dessas coisas. O Estado não está funcionando bem e o sistema político também está sendo contestado no que diz respeito à representação.
Como vê as críticas de que os políticos só estão agindo devido à pressão popular?
São críticas procedentes. Acho até que a presidente Dilma não reagiu da maneira que era esperada pela população. Não adianta você tomar como base a propaganda e o marketing, principalmente numa hora tão grave da vida nacional. Nós estamos vivendo um momento histórico. O Brasil já mudou a partir dessas manifestações, disso eu não tenho dúvida, no que diz respeito à conduta dos manifestantes e da sociedade de uma maneira geral. Não pense que é só uma questão de natureza dos representantes políticos, mas também dos governantes do executivo, federal, estadual e municipal e também da sociedade de uma forma geral. Portanto, quando o governo federal age dessa maneira, anunciando pacto é uma ação muito mais de natureza de marketing e propaganda do que efetiva. Agora a presidente anuncia um pacto, pacto de quê? Que tipo de pacto é esse? Ninguém consegue entender. Os problemas são de natureza real. Essa coisa de fazer uma assembleia constituinte exclusiva, que cheirava a um golpe do estado democrático brasileiro, que a presidente recuou, porque houve uma reação forte das organizações e discussões brasileiras. Agora fala-se de um plebiscito, que eu também acho problemático. Talvez fosse melhor um referendo, mas de qualquer maneira, o que eu quero dizer é que houve uma reação muito desfavorável, que não está compatível com o que está nas ruas. O governo da presidente Dilma tem que sair dessa questão da propaganda e marketing e enfrentar os problemas com eficiência e bom uso do dinheiro público.
O repúdio aos partidos representa algum risco? O povo não se sente representado. O que fazer para mudar esse quadro?
É melhorar o desempenho dos representantes no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas estaduais, nas câmaras de vereadores e também nos órgãos dos executivos. Essa crise da representação é compatível, pois há um descolamento entre a realidade das ruas, no Brasil, e o que acontece no Congresso e também a ação dos executivos. Então acho muito importante a sinalização. É claro que o melhor regime que tem com todos os defeitos é o democrático. Não podemos fugir do democrático e melhorar a qualidade da representação. O fato é que hoje o eleitor, a população não tem identidade com os seus representantes. Essa coisa se perdeu ao longo dos seus últimos anos. É preciso que a gente volte a estar conectado com as causas populares. Eu acho que esse movimento é muito bom para o Brasil. É como se fosse um "sacode a poeira" e a gente vai ver como as coisas vão se encaixar. O Congresso Nacional, até o momento, está respondendo bem.
As manifestações vão impactar na eleição de 2014? De que forma?
É difícil dizer nesse momento. A fotografia atual é que já impactou. Com muita clareza podemos ver a satisfação da população com o que está acontecendo. Agora daqui até lá (2014) é preciso que tanto o Executivo quanto o Legislativo e também o judiciário, tenham uma atitude mais afinada com esses anseios. Isso não é nenhum tipo de falta de interesse, pelo contrário, há um grande interesse da população para que as coisas se encaixem. Agora cabe a nós todos, de maneira geral, que tem responsabilidade com o país, entender e se ajustar, especialmente na atitude e na conduta de cada um.
Como líder da oposição no Congresso, como vê as últimas ações da presidente Dilma, em tentar dialogar com a sociedade?
São medidas que foram da iniciativa de marqueteiros. É impensável que num momento como esse a presidente Dilma vá se reunir com o ex-presidente Lula. Tudo bem, mas levar como conselheiro principal o marqueteiro João Santana é impensável, é uma falta de respeito com a população. Esse assunto não é de interesse de marqueteiro e nem de propaganda. É de interesse da economia, da atividade e do bem-estar da população. No momento ela cometeu um grave equívoco. Ela está dando muito mais importância a uma reação que atenda a uma política de marketing e propaganda do que a que atenda aos interesses nacionais.
Acredita que até lá teremos uma reforma política? Qual o modelo ideal?
Acho que isso pode acontecer e deve acontecer. Sobre o modelo ideal, cada um pode ter um pensamento. Eu sou francamente contrário ao financiamento público de campanha. Eu acho um absurdo, nesse momento, se imaginar tirar dinheiro do contribuinte. O contribuinte brasileiro paga tanto tributo e não vê esses tributos voltarem em forma de serviços públicos. Quer dizer, pegar esse dinheiro do contribuinte e financiar campanhas de deputadas, campanhas de candidatos. Isso não tem nada a ver com a população. O dinheiro do contribuinte deve ser direcionado para segurança, educação, saúde, meio ambiente e obras de infraestrutura. Pegar mais recursos da população para financiar campanhas é um equívoco enorme por mais justificativa que apareça do ponto de vista de conflito de base, eu rejeito essa preliminar.
Aécio Neves conseguirá construir um projeto de governo e chegar fortalecido na eleição?
Eu acho que ele tem tudo para se transformar primeiro, num candidato a presidente do PSDB. Acho que não é o momento de colocá-lo como candidato. A legislação nem sequer permitiria isso, mas como ele está caminhando para ser o nosso candidato a presidente, terá todas as possibilidades para se eleger. Observe que há algum tempo atrás a presidente Dilma era considerada imbatível e seria facilmente reeleita, depois se começou a ver o segundo turno, agora, no Congresso Nacional, está se falando que a Dilma nem será candidata. Inclusive, dentro do próprio PT a rejeição da presidente Dilma é muito grande. Na última reunião, que a bancada do PT fez, dizem no Congresso, é que 90% da bancada que estava lá só fazia críticas ao modo como a presidente Dilma está conduzindo o país. Então o Aécio Neves, que está se colocando como alternativa para mudar os rumos do país, tem que ser o candidato da oposição. O Aécio Neves tem todas as condições porque foi um grande presidente da Câmara, foi duas vezes governador de Minas Gerias, considerado um dos melhores governadores da história do estado, um senador da República com excelente performance e que tem um conjunto de valores na biografia dele, que vai permitir se apresentar como um candidato confiável e com projeto de novos rumos para o país, que é um projeto muito bom, inclusive eu estou participando de tudo isso.
Eduardo Campo e Marina saem candidatos? Ajudam ou atrapalham os planos do PSDB?
Eu não sei se serão candidatos. Nesse momento todos os dois estão se colocando como pré-candidatos. Eduardo Campos que é também um político jovem, com visão moderna, fez e faz um excelente governo em Pernambuco, pois as coisas boas que poderiam vir para a Bahia estão indo para Pernambuco porque lá tem governante mais efetivo do que o nosso governador. A Marina Silva já introduziu na eleição passada uma pauta interessantíssima sobre o desenvolvimento sustentável. Então a presença deles hoje, no debate nacional e na disputa da presidência da república, só vai enriquecer, porque são duas pessoas de conteúdo, são dois quadros fantásticos que vão, inclusive, colocar no campo da oposição candidatos de boa qualidade, junto com Aécio Neves. Os três contra esse status cor, essa situação que estamos vivendo há 10 anos, que teve algum avanço, mas agora dá sinais claros de exaustão, esgotamento e até de irritação da população pelas práticas abusivas, que o governo do PT está realizando.
E quanto a Copa de 2014. É possível acontecer ainda os legados prometidos, sobretudo, na área da mobilidade ou os governos perderam o time?
São sete anos que se passaram desde o momento que a Copa do Mundo foi decidida a ser realizada no Brasil. De lá pra cá o que foi feito? Só os estádios e mais nada. E ainda assim, com os custos sendo questionados pelos brasileiros. Então não tem nada de efetivo. Uma cidade quando vai receber um evento como a Copa do Mundo, evento internacional, ela abre uma oportunidade enorme para atrair investimentos, que possa transformar a cidade no ponto de vista urbano, transporte público e hospitais como outras cidades no mundo fizeram. Aqui no Brasil a resposta quem está dando é o próprio Jérôme Valcke, que é o secretário da Fifa, que disse, recentemente, que o único legado que vai ficar para os brasileiros sobre a Copa é a Arena e a Fifa não é responsável por isso e sim o governo federal e os governos estaduais que não souberam aproveitar essa grande oportunidade e atrair investimentos para a cidade. É essa a gastança que aconteceu nos estados e a população ficou tão aborrecida que foi às ruas protestar.
Colaboraram Daniela Pereira e Fernanda Chagas
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