Nivaldo: "A gente ressuscitou João e recebeu dele um punhal no peito"
Os 15 sindicatos que representam todos os servidores municipais de Aracaju estão irados com o prefeito João Alves, por ele ter anunciado o reajuste de 5% abaixo da inflação, sem qualquer negociação e extinguindo a data-base em janeiro; na próxima semana, eles farão diversas manifestações; “o João durante a campanha, que foi pedir voto ao servidor não é o mesmo João prefeito que decidiu o reajuste e não teve coragem de anunciar olhando na cara”, afirma Nivaldo, do Sepuma
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Os dirigentes dos sindicatos que representam todos os servidores municipais de Aracaju estão irados com o prefeito João Alves Filho (DEM), por ele ter anunciado o reajuste de 5% para todas as categorias (abaixo da inflação), sem qualquer negociação prévia e extinguindo a data-base em janeiro e recolocando-a em abril. Reunidos nesta sexta-feira (18), os 15 sindicatos definiram uma agenda comum de reivindicações e preparam para a próxima semana uma manifestação em frente à prefeitura.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Aracaju (Sepuma), Nivaldo Fernando dos Santos, o anúncio do aumento salarial “pegou a todos de surpresa”. Ele diz que no início deste mês, o prefeito agendou uma reunião com os sindicatos e prometeu conversou com todos antes de tomar qualquer decisão em relação aos servidores.
“Estamos revoltados. E não é nem com reajuste, é com o gesto, com a conduta de traição, autoritária, de quem se sente absolutista. É lamentável. Esperávamos participar do debate, mas fomos surpreendidos com um anúncio feito na calada da noite, sorrateiramente”, criticou.
Nivaldo lembrou ainda que foi promessa do atual prefeito negociar pessoalmente com os servidores, mas já no quarto mês de mandato, ele demonstra desrespeito aos profissionais. “O João durante a campanha, que foi pedir voto ao servidor, que foi na festa do Sepuma abraçar o servidor e pedir voto não é o mesmo João prefeito que decidiu o reajuste e não teve coragem de anunciar olhando na cara”, desabafou.
Para o presidente do Sepuma, “a indignação é enorme”. “Ele agiu como esses coronéis da época escravocrata, como aquele cara que ia lá e colocava o prato na senzala e dizia ao escravo: coma se quiser, senão morra de fome”, comparou. De acordo com Nivaldo, parecia que João iria iniciar um processo proveitoso de relação com os sindicatos, mas optou por “ressuscitar uma época que o Estado democrático de direito não permite mais”.
“Nem os prefeitos biônicos, que não pediram votos, porque eram indicados, agiram dessa forma”, reforçou. Para Nivaldo, João enganou o povo durante a eleição. “Ele veio como o João do povo, do trabalhador, contemporâneo, mas na primeira oportunidade age de forma neofacista, de uma forma que faz inveja a Pinochet, entre outros ditadores”, disse.
Nivaldo foi ainda irônico ao comentar a definição do valor do reajuste dos salários. “João conseguiu descobrir um novo indexador da economia. Não é IGP, não é IGPM, não é IPC, nem IPCA. É IJ, Índice de João, porque ninguém consegue encontrar um indexador que estabeleça a revisão das perdas salariais em 5%”, disse.
Ele também lamentou a mudança na data-base. “Conseguimos colocar a data-base para janeiro, após muita luta. Não foi Edvaldo que foi bonzinho não. Foi muita luta nossa. Eu mesmo fui preso, a professora Avilete quase foi atropelada. Nós lutamos, mas João quer jogar nossos direitos no lixo. Enquanto isso tem diretor de órgão que antes recebia R$ 4,5 mil e passou a receber R$ 15 mil”, disse.
Segundo o sindicalista, no ano passado, o servidor da administração geral consumiu 16,3% das despesas com pessoal. Este ano, “com a proposta indecente de João”, cairá para 13%. “A gente ressuscita esse senhor e recebe uma cruz e um punhal no peito dessa natureza. É revoltante”, desabafa.
Em decorrência disto, representantes dos 15 sindicatos emitirão nota de repúdio ao prefeito na tarde desta quinta-feira, irão também à Câmara solicitar uma sessão especial para terça-feira. Na quinta, todos os sindicatos se reunirão em assembleia para discutir a situação e na sexta-feira, farão uma grande manifestação em frente ao Centro Administrativo. “Queremos reunir mais de 800 pessoas”, disse Nivaldo.
Foto: Portal Infonet
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