"Ninguém será protegido ou imunizado", diz relator

Deputado Odair Cunha (PT-MG), que sofreu forte pressão da oposição por supostamente favorecer o PT no relatório da CPI do Cachoeira, conclui apresentação nesta quarta reafirmando que está aberto a negociações e que ninguém sairá ileso; petista retirou antes, no entanto, os capítulos que citam o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e Policarpo Júnior, de Veja; votação do texto final marcada para 5 de dezembro

"Ninguém será protegido ou imunizado", diz relator
"Ninguém será protegido ou imunizado", diz relator


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - Depois de uma série de tumultos e interrupções, o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), finalmente realizou a apresentação de seu relatório na sessão desta quarta-feira. "Ninguém será protegido ou imunizado", concluiu Cunha, que leu apenas um resumo do documento, cuja íntegra tem mais de cinco mil páginas. Segundo ele, a comissão "dará uma forte contribuição para o fim da impunidade". A próxima sessão da CPI, quando será feita a votação do relatório pelos parlamentares, está marcada para 5 de dezembro, às 10h15. Nessa mesma data se encerra o prazo para os votos em separados, sugestões de alteração e pedidos de vista.

O petista sofreu forte pressão da oposição, que o acusou durante semanas de ter favorecido o PT no texto final. O deputado voltou a dizer, ao final de sua fala, que está aberto a negociações para a conclusão do texto. A leitura foi iniciada com um interrupção já nos primeiros minutos, pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). O tucano protestou por não ter o texto para acompanhar. "Não tem cabimento leitura do sumário do relatório sem que os parlamentes tenham cópia!". A sessão foi suspensa por alguns minutos pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-AP), até que as cópias fossem providenciadas.

Depois de retomada a sessão, os parlamentares, inquietos, alegaram que a leitura era "desnecessária", como defendeu o deputado Silvio Costa (PTB-PE). "Vamos ler em casa". O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) alegou que começaria a ordem do dia e que, por isso, poderiam tomar como lido o documento, já que todos tinham cópias. "Parece que está todo mundo muito cansado". Os dois, porém, foram votos vencidos. A interrupção seguinte foi para a fala do deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS), que pediu vistas do relatório em nome do DEM antes mesmo de a leitura ser concluída.

continua após o anúncio

Divisão

De acordo com o relator, a primeira parte do parecer faz uma discrição dos trabalhos da CPMI, com a transcrição de depoimento. Na segunda parte, são traçados os aspectos gerais da organização criminosa chefiada por Cachoeira e a associação dela com empresas do setor de construção civil, em especial com a empreiteira Delta Construção.

continua após o anúncio

Já na terceira parte é abordado o financiamento da organização, com o detalhamento dos sigilos bancários e fiscal de todas as pessoas que tiveram envolvimento com a organização. A relação de servidores públicos e agentes privados com a organização é abordada nos tópicos 4 e 5.

No último capítulo, o relator lista uma série de sugestões para "aperfeiçoamento" da atual legislação para, segundo Odair Cunha, dotar o Estado de melhores instrumentos para o enfrentamento da criminalidade.

continua após o anúncio

Recuo

Nesta terça-feira, Cunha recuou sob pressão da oposição e admitiu que retiraria nomes inicialmente apontados para indiciamento e investigação. Inicialmente composto por oito partes, o relatório então foi lido com seis, depois de retirados os capítulos 6 e 7 – que tratavam do pedido de investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e de jornalistas, inclusive Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília. Ontem, o relator admitiu que poderia retirar do texto "questões não centrais" após reunião com outros deputados da base aliada.

continua após o anúncio

"Temas não centrais do nosso relatório podem, sim, ser negociados. Exatamente por isso estou estabelecendo o diálogo com todos os membros da CPI", afirmou o relator nesta terça-feira, antes de conversar com senadores governistas. Apesar de admitir a retirada do nome de Gurgel, Odair Cunha disse estar convencido das razões que o levaram a pedir a investigação do procurador-geral, responsável pela interrupção das investigações da Operação Vegas, que monitorou o grupo de Cachoeira em 2009.

Questionamentos

continua após o anúncio

Questionado sobre uma possível negociação para a retirada do pedido de indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), Odair Cunha deu indicativos de que essa parte do texto deve ser mantida. O indiciamento de Perillo é questão polêmica não só do ponto de vista político. Além das acusações de que a CPI estaria sendo usada para atingir o PSDB, há questionamentos legais sobre a possibilidade de indiciamento do governador pela comissão. Em documento entregue na última segunda-feira, advogados do governador citaram liminar que impediu a convocação de Perillo para alegar que ele tampouco pode ser indiciado a pedido da CPI.

Sobre uma possível inclusão no relatório de pedido de indiciamento do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e de outras pessoas que não foram investigadas, Odair Cunha afirmou não ver motivo para mudanças. "A questão do governador Sergio Cabral é uma conduta, uma ação que não foi investigada pela CPMI. Exatamente por isso não deve ser analisada do ponto de vista de indiciamento ou não".

continua após o anúncio

Com agências Senado e Brasil

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247