"Ninguém olha o outro lado da moeda"
Apontado pelo PMDB de Mário Kertész como causador do 'racha' das oposições, Neto joga a bola para os adversários e diz que o partido é culpado pela situação em entrevista à Tribuna da Bahia: "Eles aceitavam ser apoiados, mas não aceitavam apoiar"
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Bahia 247
Candidato à Prefeitura de Salvador pelo Democratas, deputado federal ACM Neto é uma das grandes apostas do partido para sair do fundo do poço; ele costurou alianças importantes, escolheu uma vice improvável e agora vai para o tudo ou nada nas urnas.
Dono do primeiro lugar em todas as pesquisas de intenções de voto, o deputado federal ACM Neto, candidato a prefeito de Salvador, é uma das grandes apostas do Democratas (DEM) para sair do fundo do poço em que se enterrou, nacional e regionalmente. Desidratado, o partido joga alto no nome de Neto e espera comandar a prefeitura da terceira maior capital do país, buscando o prestígio e poder de outros tempos.
Para tanto, o neto do velho ACM costurou uma aliança com o PSDB, surpreendeu ao indicar uma vice militante do movimento negro e defensora do meio ambiente, Célia Sacramento (PV), além de conseguir neutralizar a força do deputado tucano Antônio Imbassahy, que também queria ser candidato. O ex-carlista ficou descontente com a aliança e resolveu se calar diante da situação. Desde então, Imbassahy não declarou apoio explícito ao democrata.
Tribuna - Como observa as acusações de que foi o responsável pelo naufrágio da unidade das oposições?
Neto - Olha eu acho isso absolutamente infundado, até porque o Democratas tem ao seu lado a parceria do PSDB, do PPS, do PV e do PTN. Temos cinco partidos em nossa aliança, sendo que o PSDB e o PPS partidos claramente no campo de oposição, portanto Agora eu não pude impedir que o PMDB tivesse seu candidato. Era legítimo que ele quisesse ter. Contudo, ninguém olha o outro lado da moeda. Por que o PMDB jamais aceitou discutir um critério conosco para ter uma candidatura comum? O PMDB aceitava ser apoiado, mas não admitia apoiar. Não se faz política assim.
Tribuna da Bahia - Acredita que a estratégia será de todos contra o senhor?
Neto - Não. Não acho isso de jeito nenhum. Até porque tenho muita confiança de que essa campanha será propositiva e baseada na discussão do futuro de Salvador. Pelo menos da minha parte é o que vou fazer. Eu acho que Salvador não quer isso. Não vou partir para ataque, não vou alimentar brigas. Eu acho que Salvador não quer isso e que fizer isso vai acabar pagando um preço caro com a população. Depois, eu não tenho pesquisas oficiais divulgadas, mas pesquisas internas para consumo interno do nosso partido e o que a gente ver hoje é que estamos muito bem posicionados, ocupando a primeira posição e os outros dois candidatos estão distantes e naturalmente vão querer disputar entre si para ver qual dos dois chegam ao segundo turno. Eu não acho que será essa lógica de todos contra um.
Tribuna - Quais são os dois principais erros da atual gestão? O que faria diferente?
Neto - Primeiro erro foi ter permitido um fatiamento partidário da prefeitura de Salvador. Nós sabemos que esse excesso de partidos ocupando a administração compromete a qualidade da administração. Eu considero que esse foi um erro do prefeito João Henrique. Já tive a oportunidade de dizer isso a ele. Vejo que existem candidatos que estão caminhando numa mesma direção, com uma série de partidos e depois vão querer dividir a prefeitura em treze ou catorze fatias. Eu não vou fazer isso. Se eu for prefeito de Salvador eu vou escolher os melhores quadros, os mais competentes para governar a cidade. Depois o critério será preponderantemente técnico.
Outro ponto que eu destacaria é de que não houve nos últimos anos um planejamento para a cidade. Salvador e aí é um problema histórico, mas que a atual administração também não olhou – não tem uma estratégia de desenvolvimento econômico olhando para o futuro. É preciso associar as ações que você toma na área urbana, na organização da cidade, no transporte, no trânsito, isso tudo deve ser associado a um planejamento de futuro. Para onde queremos crescer? Aonde queremos chegar? Que caminho nós vamos adotar?
Tribuna - Como vai se comportar diante da gestão de João Henrique na campanha?
Neto - Olha todo mundo sabe que de alguma maneira e em algum momento todos os partidos tiveram participação na gestão do prefeito João Henrique. Dos três partidos principais que disputam as eleições, o Democratas foi o que teve a participação mais modesta. Demos a nossa contribuição na área do turismo, organizando o carnaval com a Saltur. Na primeira gestão de João Henrique passaram seis presidentes na Saltur e no segundo governo teve apenas um presidente que organizou quatro carnavais, muito bem avaliados, que foi Cláudio Tinoco. Então nós temos tranquilidade em sabermos que damos a nossa parcela de contribuição para a cidade. Já o PT teve uma participação enorme na prefeitura, chegou a ter secretário de saúde, secretário de governo e o PMDB de todos foi o que teve maior participação e por mais tempo. Eu acho que os problemas da cidade são claros, o diagnóstico dos problemas é claro. Nós não vamos esconder isso. Salvador não vive um momento positivo. Nós não vamos esconder isso. Isso tem que ser mostrado, porém eu acho que não podemos ficar olhando para o passado. Eu não vou fazer uma campanha baseada nas críticas ao que existe hoje. Nós vamos evidenciar os problemas, mas, sobretudo buscar as soluções. Quando eu assumir se for eleito não vou ficar buscando desculpas ou culpados. Não vou ficar olhando para trás dizendo que o ex-prefeito fez isso, fez aquilo. Todo mundo sabe quais são os problemas de Salvador. Não adianta depois buscar desculpas, nem culpados. Eu acho que é olhar para o futuro, concentrar energias em apresentar boas propostas e dialogar com o dia de amanhã, claro entendendo profundamente os problemas do presente.
Tribuna - O PT terá dificuldade em dividir o palanque com João Henrique?
Neto - Não sei. Aí é uma questão que cabe ao PT, ao PP e ao prefeito João Henrique.
Tribuna - Como analisa o silêncio de Imbassahy?
Neto - Olha eu acho que é natural. O PSDB está todo conosco. O vereador do PSDB, Paulo Câmara está engajado em nossa campanha, os candidatos a vereadores estão engajados em nossa campanha, o presidente municipal José Carlos Fernandes está engajado, o presidente estadual Sérgio Passos está envolvido, o ex-deputado João Almeida, o deputado Jutahy (Magalhães Jr.), o PSDB está todo conosco. Agora temos que respeitar o ex-prefeito Imbassahy. Ele não se pronunciou até agora. O tempo é dele. Quem tem que dizer o que vai fazer e quando vai fazer é ele. No momento certo imagino que ele vai se pronunciar.
Tribuna - Mas seria um apoio importante em sua campanha?
Neto - Claro que sim. Óbvio que gostaríamos de ter Imbassahy em nossa campanha. Não há dúvidas que sim, agora evidentemente respeitando a posição que ele tomar.
Tribuna - Há possibilidade de o ex-prefeito apoiar Mário Kertész (PMDB) e levar com ele uma parte do PSDB?
Neto - Eu acho que se ele apoiar Mário Kertész ele vai apoiar sozinho porque o PSDB está todo engajado em nossa campanha. Você vê material nas ruas com os candidatos a vereadores pelo PSDB conosco. Nós fizemos uma coligação com o PSDB. O PSDB precisava de uma coligação na proporcional e nós fizemos essa coligação.
Leia entrevista completa do jornal Tribuna da Bahia
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