Não Pago: "João veio com proposta de solução, mas não fez nada"
Movimento que luta por mudanças no sistema de transporte coletivo de Aracaju realizou nova manifestação nesta quinta-feira (8); eles fizeram algumas intervenções em terminais, liberando o pagamento da tarifa; houve ainda uma caminhada pela avenida Marechal Rondon; "João permite que o Setransp lucre milhões para o município e qual foi a melhoria que o povo viu desde que ele assumiu?", questiona Demétrio Varjão, do Movimento Não Pago
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Milton Alves Júnior, do Jornal do Dia - Manifestantes do Movimento 'Não Pago' realizaram na tarde de quinta-feira (8) mais um ato público em Aracaju contra o reajuste da tarifa do transporte público e em protesto contra as atuais condições precárias dos ônibus coletivos, terminais de integração e pontos. Reunidos desta vez no terminal Leonel Brizola, ao lado da Rodoviária José Rollemberg Leite, cerca de 40 pessoas liberaram as catracas e os usuários que chegavam ao guichê foram orientados a não pagar a tarifa que custa R$ 2,35. Observados de longe por agentes da Guarda Municipal e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), o grupo também intercedia os ônibus que chegavam ao terminal e determinava que os passageiros saíssem pela porta frontal sem pagar a passagem.
Utilizando-se de um carro de som para propagar as palavras de ordem, o prefeito da capital sergipana João Alves Filho (DEM) foi o mais criticado e a promessa de continuar parando Aracaju voltou a ser declarada. Para o economista e um dos representantes do 'Não Pago', Demétrio Varjão, o chefe do executivo municipal está dando as costas para o povo que mais uma vez votou nele em busca de melhorias. "Ele veio com a proposta de solução, mas não faz nada. Ele permite que o Setransp lucre milhões para o município e qual foi a melhoria que o povo viu desde que ele assumiu? Por isso que hoje a catraca é livre!", disse.
Durante todo o ato, o grupo de manifestantes conquistou novos adeptos e alguns também discursaram contra o valor da passagem. Esse foi o caso do cadeirante Antônio dos Santos que aproveitou a oportunidade para reclamar da falta de acessibilidade nos terminais, desrespeito aos deficientes por parte de alguns motoristas, e baixo número de ônibus capacitados para transportar pessoas com necessidades especiais. "Isso aqui é uma vergonha. Se os passageiros sem nenhuma deficiência sofrem, imaginem a gente que nem em todos os ônibus podemos entrar. Essa situação chega ser inacreditável", afirmou.
Acuados e surpresos com a receptividade 'calorosa' dos manifestantes, os motoristas e cobradores disseram temer que ações mais violentas e de amplo vandalismo fossem protagonizados. De acordo com Luciano Bonfim, motorista de ônibus há mais de oito anos, essa tem sido a mobilização mais intensa e duradoura dos últimos 20 anos. "Não vou mentir, fiquei com medo da forma que eles pararam o veículo, mas nenhum arranhão no carro foi constatado. Eles exigiram que eu abrisse a porta da frente e assim eu fiz. O brasileiro acordou para as irregularidades e o prefeito está vacilando". Durante o ato, nenhuma equipe da Polícia Militar foi acionada para garantir a ordem no local.
Sequência - Dando continuidade a mobilização, os manifestantes decidiram seguir em marcha até o terminal de integração que fica instalado nas proximidades da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ocupando o terminal, mais uma edição da 'Catraca Livre' foi promovida. Até chegar ao terminal, o grupo realizou protesto pela Avenida Marechal Rondon e contribuiu para formação de um congestionamento superior a quatro quilômetros no sentido Aracaju - São Cristóvão.
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