Mudança no Plano Diretor é alvo de questionamentos

Liberação para grandes empreendimentos comerciais em vias locais de Goiânia, segundo vereador da base do prefeito, só beneficiaria uma minoria. “Não podemos dar um cheque em branco para o setor imobiliário. Se a sociedade não se unir, o plano vai acabar sendo aprovado”, avalia Djalma Araújo (PT). Já chancelado por Paulo Garcia, plano vai passar pelo Gabinete Civil e será levado à Câmara Municipal

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A Redação_ Desde que a proposta de atualização do Plano Diretor de Goiânia foi aprovada pelo prefeito Paulo Garcia (PT) diversos questionamentos foram levantados sobre algumas das alterações previstas no projeto. A principal delas diz respeito à possibilidade de se construir grandes prédios comerciais em vias locais, que margeiam os eixos de desenvolvimento da cidade.

O atual Plano Diretor permite que sejam construídos nessas vias macroempreendimentos comerciais com até 5 mil m². Com as alterações, seriam permitidos projetos com área superior. Para o vereador Djalma Araújo (PT), a alteração só beneficiaria o setor imobiliário.

“Não faz sentido alterar o Plano Diretor para beneficiar apenas uma minoria da população. Só devem ser tomadas medidas que beneficiem o todo. Não podemos dar um cheque em branco para o setor imobiliário”, afirma.

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“As propostas trarão prejuízos para Goiânia. A cidade que queremos viver tem que ser para todos e não beneficiando somente um setor. Se a sociedade não se unir, o plano vai acabar sendo aprovado”, completa o vereador, destacando que vai fazer um apelo ao prefeito para que as alterações sejam revistas.

Depois de passar pelo Gabinete Civil da Prefeitura, o Plano com as mudanças será levado à Câmara de Goiânia. “Não posso concordar com esse tipo de coisa. Os técnicos elaboraram esse Plano pensando apenas em interesses da Secretaria de Planejamento do Município, a Seplam.”

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O deputado estadual Francisco Júnior (PSD), que coordenou o Plano Diretor em 2007, também acredita que viabilizar a construção de grandes investimentos comerciais, com área superior a 5 mil m², fora dos eixos estruturantes da cidade, não é uma boa alternativa.

 “A construção desses macroeempreendimentos são importantes para a cidade, mas é preciso considerar a questão da mobilidade. Não estou totalmente por dentro das alterações que podem ser aprovadas, mas, pelo que sei, há o risco de se escolher o que não é o mais viável no momento”, suspeita.

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“Quando a atividade econômica começa a ser beneficiada, a região começa a ter interesse comercial e perde a identidade residencial. Exemplo disso é a Rua 9, no Setor Oeste”, explica.

“Acredito que não há tanta procura que justifique a necessidade de se construir grandes prédios de exploração de atividade econômica nesses locais. Talvez quando o projeto de lei for encaminhado à Câmara, vá acompanhado de dados que justifiquem a necessidade dessas construções nas vias locais.”

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Rebatendo as críticas, a arquiteta e coordenadora geral do projeto na Seplam, Magali Teixeira Daher, garante que a construção de macroprojetos fora dos eixos estruturantes da cidade vai ajudar a favorecer os locais, já que, segundo ela, as atividades comerciais ficarão mais próximas das residências.

Questionada sobre o aumento no fluxo de veículos e possíveis congestionamentos, Magali pontua que, antes de ser permitida a construção de um prédio, o responsável terá que apresentar um estudo de trânsito e de vizinhança favorável. “Se esse relatório não for feito ou se não for aprovado, não será liberada a construção”, finaliza. (Adriana Marinelli)

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