MP pede quebra do sigilo do presidente do Galo
Alexandre Kalil teria feito empréstimos a juros mais altos que o do mercado para o Atlético-MG, do qual é o dirigente máximo. Além de Kalil, Ministério Público pede para ver as contas bancárias de outros três ex-dirigentes máximos do clube. Presidente do Atlético divulga nota dizendo não temer investigação
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Minas 247 - Quatro ex-dirigentes máximos do Atlético Mineiro podem ter seus sigilos bancários quebrados. O pedido foi feito à Justiça pelo Ministério Público de Minas. De janeiro de 1998 a dezembro de 2006, segundo o MP, o Atlético estaria sem crédito e obrigado a recorrer a empréstimos da própria diretoria do clube. Kalil, na época diretor (hoje, é o presidente do Galo), teria concedido financiamentos a juros elevados, aproveitando-se da proximidade com os dirigentes de então: Ricardo Guimarães, Nélio Brant e Zia Valadares.
A denúncia foi publicada em reportagem de Ezequiel Fagundes, do jornal O Globo. Segundo ela, o pedido de quebra de sigilo se refere ao período de janeiro de 1998 a dezembro de 2006. Na petição, o MP justifica ser necessário o acesso às informações bancárias e fiscais para instruir uma investigação de enriquecimento ilícito através de agiotagem em empréstimos contraídos pelo clube de futebol. Sem crédito naquela época, o Atlético teve de recorrer a integrantes da diretoria para conseguir dinheiro.
Segundo o MP, o empréstimo era tomado pelos dirigentes e, posteriormente, o recurso era repassado ao clube com juros acima de mercado. Instaurado em 2005, a investigação não foi concluída até hoje. O Atlético contraiu junto a oito instituições financeiras empréstimos, entre 1998 a 2005, no montante de R$ 125,4 milhões. Quatorze foram firmados com o Banco Rural, que irrigou o esquema do mensalão do PT. Segundo o MPE, todos os empréstimos feitos no Rural têm os números, valores, datas e signatários.
O presidente do Atlético-MG divulgou nota respondendo:
"Em respeito aos meus filhos e à grande torcida atleticana, venho mostrar minha indignação sobre a matéria veiculada hoje, dia 17 de Janeiro, no jornal O Globo, na qual o Ministério Publico de Minas Gerais questiona empréstimos feitos por mim ao Atlético, 11 anos atrás. Esclareço que:
1. Nunca fui sequer chamado pelo Ministério Público para qualquer esclarecimento.
2. A estratégia intimidatória não vai funcionar. Causou estranheza que tal assunto, já explorado e esclarecido em outras ocasiões, tenha vindo à tona agora, quando travo mais uma batalha em defesa do Atlético. Tenho a consciência tranquila e as mãos limpas, e vou continuar buscando os objetivos que entendo interessantes para o clube.
3. Coloco as contas e toda a documentação pedida na referida ação, que não conheço, à disposição do Ministério Público.
4. Esses empréstimos nunca circularam em minha conta, nem na conta de minha empresa. Eram tomados no banco em meu nome e transferidos diretamente ao clube, que por sua vez pagava, também diretamente à instituição financeira, como prova toda documentação que tenho em minhas mãos. Tal transação será devidamente comprovada na quebra de meu sigilo bancário.
5. A transação em questão foi aprovada, quando à época, passou por auditoria interna e externa, estando também a documentação em meu poder, assim como no clube.
6. Se tivesse que fazer tudo novamente, eu o faria, já que tudo que fiz, naquele momento, além de legal, foi única e exclusivamente com a intenção de socorrer meu clube em um momento difícil.”
Alexandre Kalil
Presidente"
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