Modigliani - Simplesmente Modi

A maior mostra de Modigliani já exposta no Brasil está em cartaz no MASP – Museu de Arte de São Paulo. Conta com 37 obras originais: 11 pinturas, 22 desenhos e 5 esculturas, além de documentos e fotos sobre a vida e obra do artista

Modigliani - Simplesmente Modi
Modigliani - Simplesmente Modi (Foto: Divulgação)


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Texto e fotos: Regina Azevedo

Uma alma tão delicada quanto os retratos que se tornaram sua marca registrada. Assim era Amedeo Clemente Modigliani, pintor e escultor italiano, nascido em 1884, que desenvolveu traços marcantes e inigualáveis ao longo de sua breve vida, dando adeus às artes antes mesmo de completar 36 anos.

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À mercê de graves doenças durante a infância, dentre elas a tuberculose, teve uma trajetória singular. Devido à saúde precária, Modigliani não recebeu educação formal. O apreço pelas artes foi despertado, desde cedo, pelo avô Isaac Garsin, um apaixonado por história e filosofia, que introduziu Modigliani no mundo maravilhoso dos museus. Seu talento foi revelado através da pintura em Livorno, sua cidade natal, pelas mãos de Guglielmo Micheli, passando depois por Florença, onde estudou com Giovanni Fattori, e por Veneza, onde frequentou a Escola de Belas Artes, a partir de 1903.

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Modigliani, judeu

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Desembarcando finalmente em Paris, em 1906, contando com o apoio financeiro do tio Amédée Garsin, instala-se em Montmartre, bairro que abrigava artistas como Picasso, André Derain e Diego Rivera. Ali passa a integrar o Círculo de Montparnasse, que reunia artistas e intelectuais judeus.

A essa época, Paris ainda amargava os efeitos do caso Dreyfus, um oficial judeu do exército francês, condenado injustamente por traição em 1884, cuja pena foi revista apenas em 1906. Nesse contexto, pela primeira vez, Modigliani sente na pele os efeitos do antissemitismo – ele, um judeu sefaradita italiano, imbuído do ideal igualitário socialista, passa a reafirmar sua identidade judaica apresentando-se como “Modigliani, judeu”.

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Entre 1909 e 1912, sob a influência de Constantin Brancusi, o artista dedicou-se também à escultura, abandonada por sua precária condição física. Curiosamente, foi uma escultura, Teti, que se tornou sua obra mais cara na atualidade, vendida a um colecionador por 43 milhões de euros.

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Modigliani fez várias esculturas sob a influência de Brancusi

Modi, o “maudit”, e as mulheres

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Bonito e elegante, sua fama com as mulheres causava descontentamento junto aos parisienses, que passam a chamá-lo “Modi”, numa alusão à palavra “maudit” (maldito). Há também quem atribua o apelido ao fato de pertencer a um círculo de “Artistas Malditos” boêmios que circulavam por Paris.

Constam da biografia de Modigliani, dentre seus amores, a poetisa russa Anna Achmatova, a jornalista inglesa Beatrice Hastings, a estudante de artes franco-canadense Simone Thiroux, com quem teve um filho não-reconhecido, e Jeanne Hébuterne, com quem viveu entre 1917 até o fim de seus dias. Desesperada com a falta de seu amado, Jeanne, que já lhe dera uma filha e estava prestes a dar à luz um outro bebê, atira-se da janela de um apartamento localizado no quinto andar, no dia seguinte à morte de Modigliani.

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Exposições e marchands

Modigliani angariava simpatias e admiradores com seu trabalho. Em 1910, conhece o escritor Max Jacob, que, mais tarde atua como seu marchand. No mesmo ano, expõe pela segunda vez no Salon des Indépendants.

Em 1912, suas esculturas são expostas no Salon d'Automne. Em 1914, é apresentado por Jacob ao negociante de arte Paul Guillaume, que inclui sua obra em várias exposições coletivas na sua galeria. No mesmo ano, conhece Leopold Zborowski, que se torna seu patrono e marchand.

Em 1917, Zborowski organiza para Modigliani uma exposição individual na Gallerie Berthe Weill. A mostra durou apenas algumas horas, sendo fechada sob a alegação de que os nus expostos na vitrine estariam “escandalizando” os parisienses.

Em 1919, Zborovski promove a apresentação de várias obras de Modigliani em exposições realizadas em Londres: em Heale, na mostra de “Pintura Moderna Francesa”, na Hill Gallery e na Mansard Gallery. Suas obras começam a alcançar reconhecimento e, com isso, bons preços. Mas, no inverno, sua saúde piora. No início do ano seguinte, Modigliani morre.

Hoje, o pintor é constante alvo de homenagens, sobretudo na França e na Itália, países onde atuou

Um estilo único

Modigliani ocupa, atualmente, o 7º lugar no ranking dos pintores mais importantes do mundo. Segundo Olívio Guedes, curador da Casa Modigliani e da Exposição “Modigliani, imagens de uma vida”, tal importância se deve à simplicidade de seus traços que conferem unidade à sua obra, tanto na pintura quanto na escultura.

A mística judaica também está presente em sua arte. “Os pescoços alongados se desenvolvem na arte de Modigliani a partir de conhecimentos ligados à cabala. Apresentam-se como pedestais para sustentar e glorificar a kether – palavra hebraica que significa ‘coroa’ (numa alusão à cabeça), relacionada à ain sof (luz divina)”, afirma Guedes.

A maior mostra de Modigliani já exposta no Brasil conta com 37 obras originais: 11 pinturas, 22 desenhos e 5 esculturas, além de documentos e fotos sobre a vida e obra do artista.

SERVIÇO

Modigliani, imagens de uma vida


MASP, Museu de Arte de São Paulo

Avenida Paulista, 1578

Informações: (11) 3251-5644

Até 15 de julho, de terça a domingo e feriados: das 11h às 18h; quinta-feira: das 11h às 20h
Ingressos: R$ 15 (inteira); R$ 7 (meia); crianças até 10 anos e idosos acima de 60 anos têm entrada franca. Grátis às terças.

Casa Modigliani

Rua Estados Unidos, 1097 – Fone: 5506-0370

 

Olívio Guedes conta a história da "Grande Figura Nua Deitada".  Céline Howard, mulher de um escultor americano, foi retratada por Modigliani em apenas três sessões, na presença do marido, que não queria correr o risco de deixá-la a sós com o charmoso artista

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