Minas Gerais tem recorde de separações conjugais
Índice de divórcios cresce mais no estado do que no resto do país, segundo o IBGE. Em Minas, são 2,9 separações formais para cada mil habitantes, mais do que o dobro da média de três anos atrás e superior à média nacional (2,6 por mil)
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Minas 247 - A mais nova Estatística do Registro Civil feita pelo IBGE, e relativa ao ano passado, mostra que o mineiro está abandonando mais os casamentos do que o brasileiro de outros estados. Na média, são 2,9 divórcios para cada 1 mil habitantes em Minas Gerais. Chama a atenção o grande crescimento em relação ao último levantamento, de 2009: 107%. Além disso, o número mineiro supera a média nacional, que é de 2,9 por mil.
Leia trecho da matéria da jornalista Flávia Ayer, do jornal Estado de Minas:
Estampada na bandeira do estado, a palavra liberdade dá o tom das relações conjugais em Minas Gerais. Com mudanças na Constituição e o fim dos prazos para separação, a taxa de divórcios no estado cresceu acima da média do país. Ao mesmo tempo, o índice de casamentos em Minas se manteve acima do nacional. É o que revela a pesquisa Estatística do Registro Civil 2011, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Minas, a taxa é de 2,9 divórcios a cada 1 mil habitantes, mais que o dobro (107%) em relação a 2009, quando havia 1,4 divórcio por mil habitantes. A taxa também supera a nacional, de 2,6 divórcios por mil habitantes. O índice nacional é o maior registrado pelo IBGE desde 1984, início da série histórica, e representa aumento de 85,7% em comparação com 2009.
Em números absolutos, os divórcios no estado passaram de 27.769, em 2010, para 39.590 um ano depois, aumento de 42,5% – em relação a 2009, a alta foi de 112%. Já no Brasil, 351.153 relações tiveram fim em 2011, 45,6% a mais em relação ao ano anterior. A disparada dos divórcios é reflexo principalmente da aprovação, em 14 de julho de 2010, da Emenda Constitucional nº 66. A alteração proposta pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (Ibdfam) eliminou os prazos para o divórcio. Antes, havia o requisito da separação judicial por pelo menos um ano ou a separação de fato por, no mínimo, dois anos. De acordo com o presidente da entidade, o advogado Rodrigo da Cunha Pereira, esse contexto também influenciou a realização de mais casamentos. “Era uma grande interferência do Estado na vida das pessoas. À medida que o divórcio foi facilitado, as pessoas passaram a casar mais e a compor novas configurações de família, como a ‘mosaico’”, afirma Pereira.
Na avaliação de especialistas, a motivação de encontrar a alma gêmea mesmo depois de uma experiência frustrada tem aumentado a taxa de casamentos no estado, acima da média nacional. Enquanto em 2009 o índice era de 6,8 enlaces por mil habitantes, hoje a união de papel passado chega a 7,4 por mil habitantes, que representa, em números absolutos, 113.767 casamentos. No Brasil, a taxa saltou de 6,5 para 7, no mesmo período, num total de 1.026.736 casamentos. “Minas é o estado com menor proporção de relações consensuais, portanto, pode-se imaginar que a maior taxa de casamentos está ligada a um componente do tradicionalismo mineiro, mais resistente a uniões informais”, opina a analista do IBGE Luciene Longo.
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