Militantes pró-Bolsonaro tumultuam audiência sobre invasão da Unifesp pela PM

Integrantes de um grupo intitulado Mobilização Brasil provocaram debatedores durante encontro realizado nas dependências da Câmara Municipal de Santos nesta quarta-feira (23); Aos gritos de "viva Bolsonaro", "Ustra" e "Vai para Cuba", um grupo de 15 pessoas tumultuou debate sobre a invasão da Unifesp Baixada Santista em 11 de agosto

Integrantes de um grupo intitulado Mobilização Brasil provocaram debatedores durante encontro realizado nas dependências da Câmara Municipal de Santos nesta quarta-feira (23); Aos gritos de "viva Bolsonaro", "Ustra" e "Vai para Cuba", um grupo de 15 pessoas tumultuou debate sobre a invasão da Unifesp Baixada Santista em 11 de agosto
Integrantes de um grupo intitulado Mobilização Brasil provocaram debatedores durante encontro realizado nas dependências da Câmara Municipal de Santos nesta quarta-feira (23); Aos gritos de "viva Bolsonaro", "Ustra" e "Vai para Cuba", um grupo de 15 pessoas tumultuou debate sobre a invasão da Unifesp Baixada Santista em 11 de agosto (Foto: Charles Nisz)


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Revista Fórum - A audiência pública, realizada na noite desta quarta-feira (23), na Câmara dos Vereadores de Santos, com o objetivo de discutir a ação da Polícia Militar, que intimidou e constrangeu estudantes e professores no Campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no dia 11 de agosto, acabou em bate-boca, confusão e, por pouco, em briga. Um grupo intitulado Mobilização Brasil, presente ao local com cerca de 15 integrantes, defendeu a atitude dos PMs na universidade, tumultuou o debate e desviou o foco central das intervenções, inclusive com gritos de “Viva Bolsonaro”, “Ustra” e citações pouco elogiosas à Venezuela e ao presidente Nicolás Maduro, além do já tradicional “Vai pra Cuba”.

“Só tenho a lamentar as cenas de violência que presenciamos e as palavras de enfrentamento ouvidas aqui. Se eu estava triste com o que ocorreu na Unifesp, saio agora mais triste ainda”. Dessa forma Rodrigo Medina Zagni, presidente da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp), resumiu seu sentimento, após a audiência, que foi convocada pela vereadora Telma de Souza (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal de Santos.

Para Medina, é difícil observar pessoas que “são facilmente cooptadas por grupos políticos oportunistas, que se apropriam desse tipo de discurso e acabam virando massa de manobra”.

Raphael da Rocha Pereira, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Santos, procurou se manter no tema do debate e afirmou que o encontro foi importante para que se discutisse o papel da polícia em uma sociedade democrática.

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“Apesar de tudo, fiquei satisfeita com o saldo da audiência, porque todos puderam expor suas opiniões. Ninguém pode dizer que foi cerceado. Acredito que cumprimos o papel de trazer a discussão para que fatos como os que ocorreram na Unifesp não se tornem regra”, avaliou Telma de Souza.

Já Carina Vitral, ex-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), alertou para a necessidade do diálogo para que esse tipo de situação avance na direção de uma solução satisfatória. “O momento de polarização política faz com que ocorram situações como a que aconteceu na Unifesp. Provocou, inclusive, a violação da Constituição Brasileira, com a efetivação do golpe, que tirou a presidenta legítima Dilma Rousseff.

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Durante as intervenções, dois policiais militares desmentiram que tenha ocorrido truculência por parte da PM, no campus da Unifesp, no que foram confrontados por professores da instituição e por representantes de movimentos sociais, que estiveram presentes no dia 11 de agosto.

Os participantes da mesa de debates foram unânimes em relação à opinião de que se deve adotar uma postura e uma narrativa civilizadas e democráticas, ao contrário do que foi visto até o momento. “O autoritarismo é inaceitável e não é compatível com as questões relacionadas aos direitos humanos”, disse Telma.

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Além da vereadora e dos representantes da Adunifesp e da OAB, participaram como debatedores Wenderson Gasparotto, integrante do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condep); os vereadores Francisco Nogueira (PT) e Sérgio Santana (PR), integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara de Santos; Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo; e Sérgio Sérvulo da Cunha, representante do Fórum da Cidadania. Convidado, o comandante-geral da PM na região, coronel Rogério Silva, não compareceu.

Intimidação
Tudo começou no dia 11 de agosto, quando alunos e professores da Unifesp foram surpreendidos durante a realização, no campus Baixada Santista, de audiência pública, convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana, para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo. Causou estranheza a presença de cerca de 100 policiais militares, fardados e à paisana, que estavam ali, de forma truculenta, para aprovar pautas no plano que limitam o conceito de direitos humanos na educação. O fato motivou Telma de Souza a convocar a audiência pública desta quarta.

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Imagens: Ailton Martins – Comunicação Livre & Direitos Humanos
Foto: Produtora Flor de Sal

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