Miguel Corrêa Júnior e o novo PT que emerge

Escolhido para ser o candidato a vice prefeito de BH na chapa de Marcio Lacerda (PSB), o deputado federal está longe do perfil do petista típico. Ex-PPS, amante de marcas famosas de roupas, ele nunca militou em sindicatos e preferiu montar uma ONG

Miguel Corrêa Júnior e o novo PT que emerge
Miguel Corrêa Júnior e o novo PT que emerge (Foto: Divulgação)


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Heberth Xavier_247 - Quem participava do movimento estudantil de Belo Horizonte no início dos anos 2000 se lembra do então presidente do DCE do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), um estudante com o nome de Miguel Corrêa Júnior. Durante três anos seguidos ele comandou o diretório dos estudantes da universidade. Filiado ao PPS, Miguel não era bem visto por petistas e nem pela turma do PCdoB. Mas hoje, mais de dez anos depois, eles farão fila para apoia-lo nas eleições: o ex-PPS é o nome indicado pelo PT para fazer chapa com o prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição em Belo Horizonte e favoritíssimo à vitória.

Miguel Corrêa não é o típico petista que ganhou fama nos últimos anos. Quem viu o deputado federal articulando e discursando durante o encontro petista que o escolheu candidato a vice, no último domingo, sabe disso. Usando roupas e sapatos de marcas famosas - e caras -, o jovem parlamentar de fala mansa representava o que já se chama de neo-petismo.

Sem atuação sindical e com origem longe do PT, ele não é o candidato dos sonhos dos filiados mais antigos. Miguel engajou-se na política inicialmente no movimento estudantil, desde os tempos de secundarista, mas numa linha, digamos, mais de centro (centro-esquerda, vá lá), inclusive fortemente crítica ao PT. Participou de diversos grêmios e chegou enfim ao DCE do Uni-BH.

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Em 2004, iniciou sua trajetória na política formal, elegendo-se vereador pelo PPS. No plano federal, o PT já havia chegado ao poder, com Lula presidente. O PPS, que no início esteve com o petista em Brasília, logo deixaria a situação e cerraria filas com o PSDB e o DEM (na época, PFL) na oposição. Em BH, Miguelzinho, como era - e é - conhecido, porém, não fez parte do grupo dos antipetistas radicais. Adotava já outra marca característica do novo PT: o pragmatismo político.

Pragmatismo que acabou levando o jovem vereador ao partido de Lula em 2005. Convidado pelo então prefeito da cidade, o hoje ministro Fernando Pimentel, Miguel Corrêa saboreava a popularidade em alta, conseguida sobretudo por seu trabalho na ONG que criara, a Mudança Já. Além de não cumprir os rituais típicos dos sindicatos de trabalhadores, a ONG de Miguel se dedicava - e ainda se dedica - a cursos de capacitação profissional e à arrecadação de doações para famílias carentes. Com o perdão do exagero na comparação, era uma Fundação Roberto Marinho menor e menos ambiciosa...

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Em 2008, Miguel, já como deputado federal do PT, e sua ONG, foram criticados por emenda que resultou numa ajuda de R$ 400 mil para o evento Axé Brasil 2008. O deputado esteve lá em camarote próprio, animado principalmente pelos jovens integrantes de sua ONG.

No domingo, parte da claque de jovens que o aplaudia no encontro petista ostentava uma tatuagem. Não, nada a ver com o herói das esquerdas Che Guevara; a tatuagem tampouco era da estrela do PT. Os braços dos simpatizantes de Miguelzinho eram enfeitados com o símbolo da Mudança Já.

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