Metalúrgicos abrem campanha com manifesto contra a venda da Embraer

Três sindicatos de metalúrgicos do interior de São Paulo, ligados a diferentes centrais, lançaram campanha contra a venda da Embraer, assinando um manifesto em que defendem a reestatização da companhia, privatizada em 1994; "O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing", diz o texto 

Três sindicatos de metalúrgicos do interior de São Paulo, ligados a diferentes centrais, lançaram campanha contra a venda da Embraer, assinando um manifesto em que defendem a reestatização da companhia, privatizada em 1994; "O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing", diz o texto 
Três sindicatos de metalúrgicos do interior de São Paulo, ligados a diferentes centrais, lançaram campanha contra a venda da Embraer, assinando um manifesto em que defendem a reestatização da companhia, privatizada em 1994; "O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing", diz o texto  (Foto: Leonardo Lucena)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Rede Brasil Atual - Três sindicatos de metalúrgicos do interior de São Paulo, ligados a diferentes centrais, lançaram hoje (16) campanha contra a venda da Embraer, assinando um manifesto em que defendem a reestatização da companhia, privatizada em 1994. As entidades afirmam que a medida seria "essencial para preservar a soberania nacional e o emprego dos trabalhadores brasileiros e barrar o acelerado processo de desnacionalização da empresa". 

Os sindicalistas rechaçam uma possível negociação com a norte-americana Boeing. "O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing. O presidente Michel Temer tem a obrigação de vetar essa negociação e usar a ação Golden Share (ação especial que confere poder de veto ao governo) para impedir que o Estado perca definitivamente o controle da Embraer", afirmam.

O manifesto é assinado pelos sindicatos de São José dos Campos (filiado ao CSP-Conlutas), Botucatu (Força Sindical) e Araraquara (CUT). Nos próximos dias, as entidades farão assembleias nas fábricas instaladas nessas cidades. Também estão previstas audiências públicas na Câmara dos Deputados, no Senado e em Câmaras Municipais, além de um seminário internacional.

continua após o anúncio

No texto, os sindicalistas questionam a entrada de dinheiro público na ex-estatal, criticando o governo Michel Temer. "Apesar de ter sido privatizada, a Embraer ainda continua recebendo recursos públicos. Somente entre 2001 e 2016, o BNDES liberou US$ 14 bilhões para financiamento de exportações de aviões montados no Brasil."

A Embraer informou nesta terça que atingiu a meta de entrega de aeronaves no ano passado. Segundo a empresa, foram 210, sendo 109 jatos executivos e 101 jatos comerciais. Ontem, a empresa disse que não cabe a ela comentar declarações públicas do governo, referindo-se a negociações com a Boeing.

continua após o anúncio

Leia a íntegra do documento:

MANIFESTO CONTRA A VENDA DA EMBRAER PARA A BOEING

continua após o anúncio

A Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, está sendo objeto de negociação pela norte-americana Boeing, gigante da indústria aeroespacial. Nascida em 1969 no interior do CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em São José dos Campos (SP), hoje a Embraer detém tecnologia para desenvolvimento e produção de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, além de peças aeroespaciais, satélites e monitoramento de fronteira. É, portanto, estratégica para o Brasil. Sua entrega, total ou parcial, representa risco à soberania nacional.

Qualquer transação comercial que represente a transferência de controle da Embraer será prejudicial ao país e merece a rejeição de toda sociedade. A empresa gera 17 mil empregos diretos e 5 mil terceirizados no Brasil, é a terceira maior exportadora do país, com plantas em São José dos Campos (sede), Gavião Peixoto, Botucatu, Taubaté e Sorocaba. Vendê-la seria repetir e aprofundar o erro cometido em 1994, quando foi privatizada.

continua após o anúncio

Apesar da gravidade dos fatos, nem Embraer nem Boeing esclarecem quais são os reais termos das negociações. Entre os contratos que podem ser assinados, nenhum é favorável ao Brasil. Afinal, uma gigante como a Boeing não vai entrar numa transação comercial se não for para ganhar. Já a Embraer e o Brasil só têm a perder com a entrega de conhecimento.

O Brasil tem um importante debate pela frente. O interesse da Boeing pela Embraer mostra que a privatização da empresa brasileira foi um erro e que esse processo precisa ser revertido com urgência. A reestatização é essencial para preservar a soberania nacional e o emprego dos trabalhadores brasileiros e barrar o acelerado processo de desnacionalização da empresa.

continua após o anúncio

Mesmo continuando a receber dinheiro público após a privatização, a Embraer adotou a política de desnacionalização por meio da transferência de parte da produção para o exterior, como é o caso dos jatos Legacy e Phenom para os Estados Unidos. Peças do cargueiro militar KC-390, que custou R$ 6 bilhões aos cofres públicos, estão sendo produzidas no exterior.

O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing. O presidente Michel Temer tem a obrigação de vetar essa negociação e usar a ação Golden Share (ação especial que confere poder de veto ao governo) para impedir que o Estado perca definitivamente o controle da Embraer.

continua após o anúncio

A história de fusões e construção de monopólios mostra que o resultado dessas transações são demissões, retirada de direitos e fechamento de fábricas. Não podemos fechar os olhos para esta realidade.

Diante deste cenário, defendemos:

continua após o anúncio

- A Embraer é nossa.

- Não à venda da Embraer para a Boeing.

- Reestatização, já! Em defesa da soberania nacional e dos empregos.

ASSINAM ESTE MANIFESTO:

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (CSP-Conlutas)

Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu (Força Sindical)

Sindicato dos Metalúrgicos de Araraquara (CUT)

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247