Meirelles alerta para fortalecimento do dólar

Ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles diz que a moeda americana tende a se valorizar e diz que isso trará consequências para a economia brasileira

Meirelles alerta para fortalecimento do dólar
Meirelles alerta para fortalecimento do dólar (Foto: tOrange.biz)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, alerta: a moeda americana tende a se valorizar e isso exige novas preocupações no manejo da economia brasileira. Segundo ele, as reservas de US$ 380 bilhões amortecem eventuais crises, mas os fluxos de capitais tendem a mudar de direção. Leia abaixo:

O alerta do dólar forte

Muitos analistas anunciam o fim da era do dólar fraco em relação a uma cesta abrangente de moedas.

continua após o anúncio

No Brasil, quando o real se deprecia, muitos falam em aumento do dólar. Sim, é um aumento do dólar ante o real, mas não necessariamente ante as demais moedas.

O que se discute agora é o fortalecimento do dólar diante da maioria das moedas, independentemente do real.

continua após o anúncio

O dólar passou por um processo histórico de depreciação em função dos deficit comerciais crescentes dos EUA, gerados pelo aumento das importações de bens de consumo e energia durante décadas.

A crise reverteu essa tendência. A aversão ao risco gerou grande demanda pelo dólar como moeda de reserva de valor. Mas ele voltou a se depreciar com o programa de aumento agressivo de liquidez do Fed (o BC dos EUA).

continua após o anúncio

Agora, com a aproximação do momento de normalização da política monetária americana, espera-se a continuidade do fortalecimento do dólar. Há razões para isso.

A economia americana se ajustou antes da Europa e do Japão, restaurando com relativa rapidez a capacidade dos bancos de emprestar. Já as empresas do país investiram muito em produtividade e reestruturações, elevando a margem de lucro mesmo com a lenta retomada econômica.

continua após o anúncio

Paralelamente, a exploração do gás de xisto evoluiu com rapidez. Os EUA estão não só recuperando autossuficiência energética, mas estão em processo de reindustrialização liderado por setores intensivos em energia, já que o preço do gás no país ficou menor do que o praticado em outros países.

Finalizando esse quadro, o ajuste fiscal americano, que levaria ao temido abismo fiscal, está tendo efeito ne- gativo menor do que o esperado no curto prazo e efei- to positivo nas expectativas de longo prazo.

continua após o anúncio

Tudo isso fortalece o dólar e traz como consequência uma mudança nos fluxos de capital, que, conjugada com a perspectiva futura de aumento de juros nos EUA, deve ser objeto de atenção das autoridades econômicas dos países que têm baixa taxa de poupança e que necessitam de recursos externos para crescer, como é o caso do Brasil.

Não há dúvida de que não há crise à vista, já que os US$ 380 bilhões de reservas internacionais do Banco Central do Brasil fornecem um amortecedor adequado para qualquer ajuste futuro.

continua após o anúncio

Temos, no entanto, que pensar cuidadosamente no nosso modelo de crescimento, visando evitar problemas no futuro, quando se confi-gurar uma mudança dos fluxos de capital globais em função de uma economia americana que atraia parte dos capitais hoje destinados a outros países.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247