Medidas fortes desafiam charme discreto de Haddad

Novo prefeito assume às 16h00 do dia 1º pronto para polemizar; acaba com a inspeção veicular, cumprindo uma promessa de campanha, mas deve aumentar em 10% as tarifas de ônibus, provocando reflexos até mesmo na taxa de inflação; combate às previsíveis enchentes será teste de fogo para os 31 subprefeitos; Fernando Haddad sairá com prestígio incólume após primeiros dias de gestão?

Medidas fortes desafiam charme discreto de Haddad
Medidas fortes desafiam charme discreto de Haddad (Foto: Edição 247)


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247 – O comportamento até aqui discreto do prefeito eleito Fernando Haddad, de São Paulo, irá contrastar com suas primeiras medidas no cargo, que ele assume às 16h00 da terça-feira 1, na sede da Prefeitura. Elas têm tudo para fazer muito barulho. Para o bem e para o mal.

Como adiantou 247, no início do mês, Haddad irá acabar com a inspeção veicular na forma como é conhecida pelo paulistanos: feita todos os anos, para todos os veículos e mediante o pagamento de uma taxa de R$ 44,36 por carro.

A partir do início da gestão Haddad, a vistoria passará a ser feita de dois em dois anos, obrigatória apenas para veículos com cinco ou mais anos de fabricação. O pagamento da taxa pelo proprietário será suspenso, passando a ser feito diretamente pela Prefeitura à empresa que ganhou a licitação para a prestação do serviço, a Controlar.

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Ao pagar uma de suas principais promessas de campanha, Haddad certamente vai angariar simpatias na permanente peleja de um homem público com os índices de popularidade. Mas o que dizer do efeito que se pode esperar de outra de suas primeiras medidas, o aumento nas tarifas de ônibus?

Sob a alegação de que o preço das passagens está congelado há dois anos, o novo prefeito determinou a realização de inúmeros estudos para estabelecer o novo valor. Sem ter ainda um cifra precisa, sabe-se que a majoração será de cerca de 10%. À medida que irá mexer no bolso do público que faz cerca de 40 milhões de viagens ao dia em veículos coletivos dentro da Grande São Paulo, a decisão tem tudo para desagradar. E já tem uma adversária número um: a presidente Dilma Rousseff. Ela deixou escapar a auxiliares que está preocupada com o efeito que a elevação no preço das passagens em São Paulo irá provocar sobre a inflação.

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Fazendo uma bondade, de um lado, com o fim da inspeção veicular, e arriscando-se a ser reconhecido como o prefeito que, logo de saída, já aumentou as passagens de ônibus, Haddad terá nas chuvas do verão outra de suas provas de fogo. Ele nomeou, driblando interferências partidárias, um a um os 31 subprefeitos da capital. Eles serão os primeiros responsáveis, segundo a vontade do novo prefeito, pelo combate às enchentes que se multiplicam a cada chuva mais prolongada na cidade. O trabalho deles na prevenção e combate às cheias será decisivo para completar o quadro de primeiras impressões da nova gestão.

À medida em que não se esperam milagres, a previsão é a de que a natureza, mais uma vez, será mais forte do que os esforços humanos. Vai depender da boa vontade da população julgar Haddad pelo efeito de fenômenos que estão muito além de suas forças. O discreto charme pessoal do prefeito terá de funcionar muito bem para que ele saia bem avaliado dos primeiros cem difíceis dias de sua gestão.

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