Médico defende Huse: "estão atacando um aliado dos sergipanos"
Diretor clínico do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), Augusto Cesar Esmeraldo, critica solicitação de intervenção da maior unidade hospitalar pública do Estado: "Jogaremos com as regras! Regularemos as portas da nossa Urgência, usando as mesmas RDCs citadas pelo CRM. Casos simples serão contra referenciados para as Unidades Básicas de Saúde; Ambulâncias que chegarem sem regulação terão suas macas apreendidas temporariamente, o médico que fez a transferência será denunciado no Conselho por infração. Vaga zero só para o Samu, que estiver atendendo ocorrência. Assim, teremos a certeza de que trabalharemos com folga, com espaço de sobra entre as macas, com conforto para a equipe, sem falta de insumos, sem ter que escolher entre a vida e a morte das pessoas"
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Sergipe 247 - O neurocirurgião oncológico Augusto Cesar Esmeraldo, diretor técnico do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), assina artigo publicado na edição desta terça-feira (2) no blog do jornalista Cláudio Nunes, em defesa do trabalho desenvolvido na unidade. "O Modelo de Atenção à Saúde dos sergipanos nas últimas décadas tem sido quase que totalmente hospitalocêntrico. O que não se resolve nos postos de saúde, com certeza será resolvido no Huse. Esse gigante que é o Huse, concentra a maior densidade tecnológica em Medicina no Estado de Sergipe", afirma.
Esmeraldo ressalta que o hospital atende a população aracajuana, sergipana e além fronteiras. "Os maiores conhecedores das BRs que levam às portas da nossa Urgência são nossos irmãos baianos e alagoanos. E isso não é por causa somente da longa distância de algumas cidades em relação às suas capitais: é porque não existe Regulação Médica de fato em Sergipe. As vagas são frequentemente negadas nos principais Hospitais de Salvador, para os seus próprios conterrâneos, a ponto destes recorrerem ao HUSE, pois encontram nossas portas escancaradas", ressalta.
E faz uma crítica à solicitação de intervenção da unidade pelos ministérios públicos e pelo Conselho Regional de Medicina: "Então vamos ver se eu entendi: “Superlotação das Áreas azul e verde, macas que não respeitam a distância exigida pela RDC 50/2002, que deve ser: 0,8 m entre macas e paredes(...).” Certo, e qual a solução? Já sei: Jogaremos com AS REGRAS! Regularemos as portas da nossa Urgência, usando as mesmas RDCs citadas pelo CRM. Casos simples serão contra referenciados para as Unidades Básicas de Saúde; Ambulâncias que chegarem sem regulação terão suas macas apreendidas temporariamente, o médico que fez a transferência será denunciado no Conselho por infração. Vaga ZERO só para o SAMU, que estiver atendendo ocorrência. Assim, teremos a certeza de que trabalharemos com folga, com espaço de sobra entre as macas, com conforto para a equipe, sem falta de insumos, sem ter que escolher entre a vida e a morte das pessoas".
Confira o artigo na íntegra:
"Estão atacando um aliado dos sergipanos, não um inimigo!"
Por Augusto Cesar S.Esmeraldo*
"Joga pedra na Geni!Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar!Ela é boa de cuspir!Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!"
A superlotação dos Pronto Socorros do País é fruto de uma gama entrelaçada de falhas, que vai desde a dificuldade que a população tem de acessar a rede básica e especializada, com seus recursos diagnósticos insuficientes, até a falta de hierarquização dos casos encaminhados ao Hospital. Some-se a tudo isso, a escassez de leitos de retaguarda, para assegurar a continuidade do tratamento em condições que dêem ao usuário, a sensação de cidadania plena.
O Modelo de Atenção à Saúde dos sergipanos nas últimas décadas tem sido quase que totalmente hospitalocêntrico. O que não se resolve nos postos de saúde, com certeza será resolvido no HUSE. Esse gigante que é o HUSE, concentra a maior densidade tecnológica em Medicina no Estado de Sergipe.
Prefeituras tentam manter equipes de Saúde da Família, mas para tê-las, faz-se necessários acordos de gaveta, onde as horas contratadas por semana, geralmente quarenta horas, não raro completam vinte. E finge-se que trabalha, e as prefeituras fingem que cumprem seu papel constitucional, e a população é ludibriada mais uma vez. Fruto de uma política de remuneração incompatível com o que almeja o médico? Talvez. E por que estes seguidores de Hipócrates submetem-se a isso?
Ambulâncias chegam a cada hora, trazendo pacientes de todas as partes, vindos de lugares onde não foram assistidos, transportados sem a menor condição. Não raro, pacientes chegam mortos! E sem qualquer profissional de saúde acompanhando.
Atendemos a população aracajuana, sergipana e além fronteiras. Os maiores conhecedores das BRs que levam às portas da nossa Urgência são nossos irmãos baianos e alagoanos. E isso não é por causa somente da longa distância de algumas cidades em relação às suas capitais: é porque não existe Regulação Médica de fato em Sergipe. As vagas são frequentemente negadas nos principais Hospitais de Salvador, para os seus próprios conterrâneos, a ponto destes recorrerem ao HUSE, pois encontram nossas portas escancaradas.
E aquele caso de câncer em estágio terminal, que dá entrada em um hospital ou posto de qualquer lugar? - Manda pro HUSE pra morrer lá.
Mas se você “torcer o pé”, não se preocupe! Com certeza terá atendimento no HUSE, e você ganhará uma bota de gesso. “Mas dotô, onde é que eu tiro esse gesso?” Aqui mesmo no Huse, meu filho! Em Aracaju, é o único lugar que tem pra você fazer sua revisão!
- MAS EU TENHO CONVÊNIO!, diz aquele pobre ingênuo, que acha que nunca vai precisar do SUS. Ledo engano.
Essa semana, atendemos uma menor de 16 anos, QUE TINHA CONVÊNIO, gestante de 30 semanas, com fortes dores abdominais e sinais de septicemia, após peregrinar pela rede privada, e acabar chegando ao HUSE. Não precisa dizer que o parto foi feito no centro cirúrgico, onde participaram abnegados Profissionais com “P Maiúsculo”, que usaram toda a sua expertise para trazer à luz, um filho do descaso com que a saúde tem sido mal tratada! Yes, nós temos Cezárea! A mãe faleceu. A órfã, está na UTIN da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes...A órfã tem convênio...
- MAS EU NUNCA VOU PISAR OS PÉS NO HUSE! ? Coitado...
O Huse acolhe também aqueles pacientes que procuram os atendimentos nos Hospitais Privados de Aracaju, mas que não “aguentam” quando vêem a conta. Não há um só hospital que não tenha transferido pacientes para o HUSE, após esgotados os recursos financeiros do enfermo. Sem problema, o HUSE é para TODOS! Não importa se não há vagas (quase nunca as temos!). Interessante, né?!
Então vamos ver se eu entendi: “Superlotação das Áreas azul e verde, macas que não respeitam a distância exigida pela RDC 50/2002, que deve ser: 0,8 m entre macas e paredes(...).” Certo, e qual a solução?
Já sei: Jogaremos com AS REGRAS! Regularemos as portas da nossa Urgência, usando as mesmas RDCs citadas pelo CRM. Casos simples serão contra referenciados para as Unidades Básicas de Saúde; Ambulâncias que chegarem sem regulação terão suas macas apreendidas temporariamente, o médico que fez a transferência será denunciado no Conselho por infração. Vaga ZERO só para o SAMU, que estiver atendendo ocorrência.
Assim, teremos a certeza de que trabalharemos com folga, com espaço de sobra entre as macas, com conforto para a equipe, sem falta de insumos, sem ter que escolher entre a vida e a morte das pessoas.
Nunca estive tão envolvido num projeto como agora. O HUSE é dos Sergipanos! Precisamos resgatar o que ele tem de bom. Implementar a excelência que seus profissionais já possuem, mas que está sufocada por um bombardeio de mídias negativas, utilizadas para um propósito que não é o seu bem.
Tenho orgulho de trabalhar lá, e orgulho da Equipe que temos. Não deixarei macular a imagem dessa instituição, que acolhe 17 mil pessoas por mês, que faz mais de 800 cirurgias por mês, que faz cesárea, que atende até quem o procura para receber um prato de comida.
Os últimos movimentos das Entidades Sergipanas preocupadas em resolver os problemas pelos quais passa a Saúde do Estado, amplamente alardeados por coletivas pirotécnicas, têm sido comemorados como uma grande vitória. Vitória de quem?
O debate está aberto. Maldita Geni!
*Neurocirurgia Oncológica
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