Marconi sai da defesa e ataca revista Época

“Época mente”; assim o governador de Goiás conclui a nota em que rebate reportagem deste fim de semana da revista das Organizações Globo; acusações, segundo ele, seriam fruto da “imaginação de seus redatores”

Marconi sai da defesa e ataca revista Época
Marconi sai da defesa e ataca revista Época (Foto: Edição/247)


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Goiás 247 – Acossado por um vendaval de denúncias que se intensificou nos últimos dias, o governador de Goiás, Marconi Perillo, decidiu sair da defensiva. A gota d´água foi uma reportagem deste fim de semana da revista Época, chamada “Os três amigos”, sobre negócios que Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira teriam tratado, em nome do governador (leia mais aqui).

Em nota divulgada no final da tarde deste sábado (21), o governo afirma que a revista Época mente ao relatar novas conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. “Baseando-se em especial na imaginação de seus redatores e em gravações que lhe são vazadas seletivamente com nítidas intenções políticas, a revista mistifica os fatos, enfraquece os compromissos da imprensa com a democracia e, mais grave ainda, mente”, diz o comunicado.

A nota interpreta a reportagem publicada na sexta-feira (20) como “uma campanha contra o governador Marconi Perillo”. A revista, segundo o governo de Goiás, “tenta, de forma equivocada e sem consistência, envolver o nome dele em atividades suspeitas, irregulares ou ilegais”. Para isso, “Época seleciona fragmentos de mais de 30 mil horas de gravações e, com essas conversas pinçadas, tenta construir situações que seriam para o governador, no mínimo embaraçosas, se verdadeiras”.

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Com o título “Os três amigos”, Época em reportagem disponibiliza a íntegra de conversas – 5,9 gigabytes de informação – que corre sob segredo de Justiça na 11ª Vara Federal de Goiânia. Segundo a revista, o governador Marconi Perillo “mandou passar” à Delta um contrato que poderia render R$ 1,2 bilhão – seria a obra de um veículo leve sobre trilhos que não foi sequer licitada. A publicação “não consegue provar sequer um único benefício concedido de maneira imoral ou fora da lei pelo governador”, rebate o Palácio das Esmeraldas.  Abaixo, a íntegra da nota.

Nota do Governo de Goiás

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No que parece ser uma campanha contra o governador Marconi Perillo, mais uma vez Época publica reportagem sobre a Operação Monte Carlo na qual tenta, de forma equivocada e sem consistência, envolver o nome dele em atividades suspeitas, irregulares ou ilegais.  Para isso, Época seleciona fragmentos de mais de 30 mil horas de gravações e, com essas conversas pinçadas, tenta construir situações que seriam para o governador no mínimo embaraçosas, se verdadeiras.

A revista não consegue provar sequer um único benefício concedido de maneira imoral ou fora da lei pelo governador ou por seu governo a quem quer que seja. Tentou, na edição passada, estabelecer uma relação dele com a empresa Delta, e toda a matéria foi desmontada pelos fatos e informações divulgados pelo governo. Agora, na edição número 740, repete a estratégia.  Diante disso temos a informar o seguinte:

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1. Época omitiu parte importante da transcrição da resposta que solicitou e recebeu do governo. Por isso, transcrevemos aqui o que a revista perguntou e o que lhe foi respondido:

Pergunta: Por que o governador orientou Edivaldo Cardoso a receber, em março de 2011, representantes da empresa Politec? Como essa empresa o ajudou na campanha?

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Resposta: Todos os empresários que procuram o governador são por ele encaminhados aos órgãos competentes para que se inteirem dos projetos e assuntos relacionados ao governo. Isso é feito de forma transparente. As informações são prestadas pelos responsáveis por cada área do governo sempre obedecendo-se aos princípios de ética, lisura e  transparência. Prova disso é que nos três mandatos de Marconi Perillo nunca houve um escândalo ou contestação de qualquer licitação. Reforça esse argumento o fato de que a imprensa nacional e local vem, desde o início da divulgação da Operação Monte Carlo, tentando achar algum ato do governador ou de seu governo que possa ter beneficiado irregular ou ilegalmente pessoas ou empresas. E não foi encontrado absolutamente nada.   

2. Na reportagem de agora, o governador Marconi encaminha o sr. Barros ao Detran e,  nas gravações divulgadas por Época, ele apenas pede que o presidente do órgão o receba.. Não existe nenhum pedido do governador  para  contratação da empresa. Época deveria ter se dado ao trabalho de verificar como são feitas as contratações por este governo, o nível de interferência ou participação do governador em licitações e contratos. A própria matéria contradiz seu  embasamento, que seriam as supostas relações do governador com o sr. Cachoeira. Pelo que se ouve nas gravações, a contratação da Politec vai contra os  interesses do sr. Cachoeira. Se a própria reportagem divulga gravações em que os personagens reclamam do governador e da Politec, onde foi encontrar indícios de favorecimento ou envolvimento do governador com o grupo Cachoeira?

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3. Época não aponta um único negócio ou contrato feito na atual gestão com participação ou interferência do sr. Antônio Perillo. Apenas sugere, a partir de diálogos que ela própria seleciona e encadeia ardilosamente,  vínculo entre o governo, o sr. Antônio  e o sr. Carlos Cachoeira. Faltam provas ou indicações consistentes de que houve realmente favorecimento ou ao menos participação do sr. Antônio Perillo em algum contrato firmado na atual administração. Mais uma vez evidencia-se a  inconsistência da reportagem.

4. Em relação à obra do VLT (veículo leve sobre trilhos), o absurdo é ainda maior. Como poderia um governo com apenas dois meses de administração,  tomando pé de enormes problemas de toda ordem,  prometer obra a quem quer que fosse?  No inicio de marco de 2011, data da gravação em que Época se baseia, não se cogitava do VLT. Hoje, mais de 15 meses depois, o governo ainda elabora projetos e estudos de uma PPP para implantação do VLT. Um projeto deste porte, quando concluído, será contratado através de licitação, a ser amplamente divulgada e, acreditamos, também muito disputada. Como é que o governador mandaria passar para alguma empresa uma obra que nem no papel existia? É mais uma prova de que Época não conseguiu indicar pelo menos um negócio ou beneficio do atual governo para o sr. Cachoeira e a Delta. Alias, na grande maioria das gravações divulgadas sempre se ouve alguns deles reclamando da forma como estão sendo tratados pelo governo estadual. E vale lembrar que o sr. Wladmir Garcêz disse em seu depoimento à CPMI que inventava negócios  e usava indevidamente o nome do governador e dos secretários para se fortalecer diante de seus patrões.

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 4) Se Época investigasse  a gestão do sr. Edvaldo  Cardoso no Detran e a    relação entre ele e o governador, concluiria que o então presidente não exercia qualquer influência, fora de suas atribuições regulares no órgão,  junto ao governador ou aos  demais membros da equipe.

Baseando-se em especial na imaginação de seus redatores e em gravações que lhe são vazadas seletivamente com nítidas intenções políticas, a revista mistifica os fatos, enfraquece os compromissos da imprensa com a democracia e, mais grave ainda, mente.

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Governo do Estado de Goiás

 

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