Marconi refuta versão de pagamento ilegal à Delta
Defesa do governador de Goiás sustenta que dados da própria Operação Monte Carlo contradizem as informações de que ele teria se beneficiado dos esquemas de Carlinhos Cachoeira
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As interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, o cronograma de pagamentos do Grupo Delta e os números das operações de combate ao jogo ilegal no Estado evidenciam que, ao contrário do que vêm afirmando a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional e aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o contraventor Carlos Cachoeira não conseguiu implantar seu pretenso esquema de influência na administração de Marconi Perillo. A análise é do núcleo estratégico do governo Marconi Perillo, que reforça a tese de que está em curso uma ação articulada para expor o governador goiano em detrimento de figuras proeminentes do petismo nacional e para ofuscar as repercussões do julgamento do Mensalão, que está marcado para começar no dia 2 de agosto.
O núcleo sustenta que inúmeras gravações feitas pela Polícia Federal com autorização judicial mostram Cachoeira reclamando que não conseguia emplacar seus pleitos junto ao Governo de Goiás. Em outras, o contraventor usaria indevidamente o nome do governador de Goiás para tentar obter vantagens junto na administração estadual. Cachoeira reclama, entre outros assuntos, que, por ordem de Marconi, empresas e órgãos estaduais acompanhavam com lupa o andamento de licitações e de contratos firmados no governo anterior.
Paralelamente, o cronograma de pagamentos dos contratos firmados com o Governo de Goiás mostraria que não há relação entre a venda da casa do governador e os depósitos feitos para o pagamento do contrato com o Grupo Delta. As planilhas da Agência Goiana de Obras Públicas (Agetop) e da Secretaria de Segurança Pública e Justiça (SSPJ) derrubariam, assim, a versão apresentada pela reportagem da revista Época do último fim de semana de que o Grupo Delta recebeu nos meses em que os cheques pela venda da residência no Alphaville foram compensados na conta do governador.
O governo de Goiás alega que, no caso da Agetop, não foi feito nenhum pagamento à Delta nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2011, período em que ocorreu a transação de compra e venda da casa do governador. Nos meses de maio, junho e julho os pagamentos foram irrisórios se comparados ao volume de recursos que o Estado repassa para honrar contratos essenciais para o funcionamento das atividades da administração. Foram pouco mais de R$ 560 mil nesses três meses.
No caso da Segurança Pública, os recursos repassados atenderiam rigorosamente ao cumprimento do contrato de locação de viaturas para as Polícias Civil e Militar do Estado. Os pagamentos são não apenas regulares, de janeiro a dezembro, conforme estabelece o contrato, como a maioria se repete ao longo dos meses. O valor de R$ 3.191.982,50 é repassado de março a agosto, sem alteração de valores, repetindo-se em dezembro de 2011 e variando de R$ 403,7 mil a R$ 2,89 milhões nos demais meses.
Com base nesses dados, enviados na prestação de contas apresentada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), o governador goiano vai tentar desmentir não apenas a versão de relação entre os pagamentos e a venda da casa, mas também a informação de que a empresa teria repassado R$ 500 mil além do R$ 1,6 milhão estabelecido no contrato de compra e venda da casa. O governo sustenta que não há qualquer menção a tal repasse no inquérito da Operação Monte Carlo. Mais contundente ainda seria a afirmação, feita no próprio inquérito, de que a tal quantia que seria entregue pelo ex-vereador Wladmir Garcêz no Palácio das Esmeraldas jamais chegou a seu pretenso destino.
Queixas
Outro argumento de que o governo lança mão são as frequentes queixas de Cachoeira sobre suas relações com o governo. Em uma das interceptações telefônicas, publicada anteontem no jornal O Globo, o contraventor reclama das tentativas frustradas de nomear apaniguados no governo. "Wladmir, eu tô fazendo a coisa. Esquece esse negócio de viagem, meu. Eu tô puto, porque vai enchendo o saco, vai caindo a gota, sabe, aí um bobão tá lá no trem lá, ele tá lá. O Edivaldo [Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás] fala que não tem isso, não tem aquilo, que acabou com a CLT, que não sei o que que tem, que não vai fazer isso, não vai fazer aquilo, e o cara tá lá. Tá sendo empossado na nossa cara, rapaz. E nós aqui, ó", reclama Cachoeira, durante conversa com Wladmir interceptada pela Polícia Federal na Monte Carlo.
Logo a seguir, Cachoeira reclama também do presidente da Agetop, Jayme Rincón. "Um cargo que a gente tinha, todo dia, esse bosta deste cara, esse malandro desse Rincón, todo dia você tá com ele, rapaz, nós tínhamos uma gerência, nós tínhamos uma diretoria forte. Não temos mais nada. Não temos uma pessoa nossa lá", afirma Cachoeira, supostamente em referência a pessoas nomeadas na administração anterior à de Marconi.
Em outro diálogo interceptado pela Polícia Federal, Cachoeira combina com Wladmir que se passaria pelo governador na troca de mensagens de celular. "Eu vou mandar uma mensagem pra você. Primeiro você vai e grava Marconi P no meu número. Eu vou mandar uma mensagem pra você cobrando e você manda pra ele", afirma Cachoeira, segundo o diálogo interceptado. "Pode deixar", afirma o ex-vereador tucano. Em outros trechos, Carlos Cachoeira afirma estar sofrendo "retaliações" em outras áreas do governo, como junto às Polícias Civil e Militar.
Combate ao jogo
Os números das operações de combate ao jogo ilegal no Estado mostrariam que o Governo de Goiás estaria cumprindo sua incumbência de fiscalizar, coibir e punir a contravenção da jogatina no Estado. Entre 2007 e este ano, foram lavrados 4.167 termos circunstanciados de ocorrência contra o jogo ilegal no Estado. É bom lembrar que cada termo circunstanciado de ocorrência pode registrar a apreensão de uma ou mais máquinas caça-níquel. Em alguns casos, era apreendidas centenas de equipamentos clandestinos. Foram 450 autos no ano passado e, de janeiro a julho deste ano, mais 491. Já em relação à apreensão de máquinas caça-nível, foram recolhidas 1.305 máquinas somente neste e outras 1.442 máquinas no ano passado.
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