Marconi comemora. Adversários choram

Governistas festejam resultado da participação do governador goiano na CPMI, mas a dúvida agora é o que ele vai fazer: manter-se no ritmo de campanha, tensionando as disputas internas, ou tocar o governo? Oposição espera, com medo de, em vez de paz, o tucano queira vingança

Marconi comemora. Adversários choram
Marconi comemora. Adversários choram (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)


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Vassil Oliveira_Goiás 247 – Passado o dia do depoimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), na CPI mista do Cachoeira, no governo estadual o clima é de comemoração. A avaliação alardeada é a de que o governador se saiu “muito bem”, “foi perfeito”, “arrasou”, e que terá agora pela frente clima mais ameno para tocar a administração e investir na eleição de aliados pelos municípios, algo estratégico para o atual grupo no poder manter-se fortalecido.

Do outro lado, entre os adversários, o ambiente é de consternação. Perdeu-se uma oportunidade rara, pelo menos, de se deixar o tucano nas cordas onde ele ficou de fato nas últimas semanas – eis um resumo do sentimento entre alguns parlamentares e líderes. Predominam avaliações de que Marconi Perillo caiu em contradições, confirmou ligação com Cachoeira em partes do depoimento (como a do jantar) e repetiu a estratégia de Lula – que dizia não saber do mensalão – ao dizer que nada sabia sobre a influência do contraventor no seu governo. Mas ninguém tem força ou coragem de externar isso, muito menos de fazer disso cavalo de batalha. O silêncio predomina.

O pós-guerra para os adversários pode ser definido como melancólico, por reforçar a convicção de que não conseguem se unir e muito menos sabem como se contrapor ao governador. Mais um embate, mais uma derrota, eis o fato. Goiás, assim, continua a não ter oposição pelo simples fato de que a aposta geral continua a ser a de que o melhor é ficar quieto porque uma hora a população vai se cansar do tucano ou então que Deus vai providenciar a sua derrota. Em 2014, quem sabe? Ninguém está articulado para fazer a hora acontecer ou, então, como Deus recomenda, para fazer a sua parte, de modo que Ele possa, aí sim, providenciar o milagre.

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Fica, na prática, o medo do que Marconi Perillo vai fazer: vingar-se ou compor?

Para o governador, o dia seguinte carrega a incerteza sobre o melhor caminho a seguir. Manter o ritmo de campanha, com tensão alta e discursos venenosos? Continuar no ataque no contato com a população, nas redes sociais, na cobrança de ação e reação dos aliados contra inimigos que, na prática, nem existem? Ou concentrar atenção na recomposição do governo, distendendo ânimos e ímpetos, para organizar a casa e mostrar serviço?

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Ou ainda: abrir espaço para a ampliação dos apoios e composições, com o governo buscando o diálogo, em vez do combate? Um ponto chave nessa avaliação será o comportamento da CPI goiana do Cachoeira. Vai se concentrar no emparedamento dos adversários dos governistas? Ou vai esfriar, para alívio dos adversários? Expectativa de ‘alívio’ que revela uma das pontas do medo, diga-se.

O resultado da participação do governador na CPMI foi positivo. Mais do que esclarecer dúvidas sobre seu envolvimento com Cachoeira, ele aproveitou o tempo para falar de Goiás e de sua administração. Para os mais otimistas, até lançou bases para voltar a ser pré-candidato a presidente da República.

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Porém ele ‘vendeu’ um Estado que não pode entregar, por conta das várias dificuldades que vem enfrentando e do clima de paralisia verificado desde que veio à tona a Operação Monte Carlo, que resultou na prisão de Cachoeira e no calvário tucano. Isso não é desconsiderado por um grupo de auxiliares diretos, os que mais trabalharam nos bastidores para resolver os problemas. Para eles, o momento é a oportunidade ideal para uma mudança de rumo.

Marconi Perillo tem problemas na equipe. Ele deixou claro, por exemplo, que gostaria de ver fora alguns nomes, como os de João Furtado (Segurança), Alexandre Baldy (Indústria e Comércio) e José Luiz Bittencourt (Comunicação). Agora, a situação é outra. Fortalecido, ele vai tirar quem não conseguiu quando estava fragilizado? Ou, pelo contrário, agora não tirará ninguém para não criar mais turbulência? O mais provável – e se ouvido o grupo de orientação – é que fique, de imediato, com a segunda hipótese, mas que se prepare para uma grande mexida depois das eleições, até o final do ano.

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Outro problema que o governador tem é com a motivação dos servidores e auxiliares de segundo e terceiro escalão, com vários do primeiro, e com parlamentares de sua base de apoio. Quanto mais questionado no caso Cachoeira, mais Marconi viu seus habituais colaboradores calados, esperando para ver o que ia acontecer. Recolocar todo mundo para trabalhar e, mais que isso, para voltar a defendê-lo é uma medida avaliada no grupo de orientadores como importante porque, na ponta (nas ruas e praças), é este pessoal que funciona como ‘garoto propaganda’ da imagem do governador. Uma imagem abalada, que precisa ser recomposta.

Há ainda o problema do descontrole na articulação política, um dos pontos fortes do tucano mas que tem falhado. Um exemplo foi exatamente a reação de aliados a uma possível mudança na equipe. Marconi Perillo teve de recuar. E ter pulso é decisivo este mês, quando serão fechadas as candidaturas nos municípios. Ironicamente, a favor do governador está a própria desarticulação dos adversários – que trabalham mais na base do cada um por si –, maior que a sua. Em outros tempos, Marconi vencia mesmo quando seus apoiados perdiam, porque ele, depois do período eleitoral, cooptava o vencedor. Com o fôlego pós-CPI, o mais provável é que volte a ter ambiente para isso. E, se depender de conselhos, vai fazer.

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