Mano: Brasil precisa aprender a enfrentar a Espanha

Técnico da seleção brasileira diz que a equipe não deve imitar, mas sim estudar o estilo de jogo dos espanhóis, que têm vencido tudo ultimamente

Mano: Brasil precisa aprender a enfrentar a Espanha
Mano: Brasil precisa aprender a enfrentar a Espanha (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)


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Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 13 Jul (Reuters) - Campeã mundial e bicampeã da Europa, a Espanha tornou-se uma referência para o futebol mundial, inclusive para o Brasil. A seleção brasileira, sempre vista como o adversário a ser batido, está agora se adaptando à nova escola espanhola, mas não vai imitar o estilo de jogo da "Fúria", afirmou o técnico Mano Menezes.

Em entrevista à Reuters durante a preparação da seleção para os Jogos Olímpicos de Londres, em que o Brasil terá a Espanha como grande concorrente à medalha de ouro, o treinador não escondeu sua admiração pelo futebol de passes rápidos, posse de bola prolongada e variações táticas da "Fúria".

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Garantiu, no entanto, que apesar de buscar inspiração nos espanhóis, o Brasil tem um estilo próprio de jogar, em que seria impossível abrir mão de atacantes de ofício, como a Espanha tem feito.

"Não temos que copiar a Espanha, temos que estudar como enfrentar", disse Mano na noite de quinta-feira, no hotel onde a seleção está concentrada durante período de treinos no Rio de Janeiro.

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"Se o nosso futebol sempre foi baseado nos atacantes e culturalmente é assim que a nossa torcida gosta de ver a seleção jogar, não vejo por que abrir mão disso só porque a Espanha foi exitosa. Temos que encontrar uma maneira de ganhar com atacantes", acrescentou o treinador, que fez uma profunda avaliação tática sobre a seleção espanhola.

Durante a campanha que culminou com a conquista da Euro 2012 na Ucrânia e na Polônia, em junho e julho, a Espanha atuou com formações diferentes dependendo dos adversários. Em alguns jogos, a equipe entrou em campo sem atacante, o que não significou, de forma alguma, que não passou a maior parte do jogo atacando.

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O time olímpico espanhol segue o mesmo padrão de jogo. A base da equipe vem da seleção que conquistou o título europeu sub-21 no ano passado, com o reforço do trio que venceu a Euro 2012 Jordi Alba (recém-contratado pelo Barcelona), Juan Mata e Javi Martínez.

Segundo Mano, mais importante do que tentar imitar a forma de jogar da Espanha é aprender com eles a implantar uma filosofia de trabalho duradoura.

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Desde que assumiu o time, após a derrota nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, o treinador implantou uma renovação no time visando o Mundial de 2014, buscando justamente dar mais posse de bola ao time que antes estava marcado pela força defensiva sob comando do ex-técnico Dunga.

"É um futebol diferente, é um trabalho feito por anos e acharam uma maneira. Se persistir por mais um tempo, será a escola espanhola de jogar futebol", avaliou o treinador do Brasil, que assistiu à final da Euro, na qual a Espanha venceu a Itália por 4 x 0.

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"Antes deles se tornarem vencedores , eles se prepararam e vieram vencendo. É óbvio que existe uma distância entre nós e eles. A gente fez um reinício no Brasil", disse Mano, que também apontou a seleção da Alemanha como exemplo de formação de um time com sucesso a longo prazo, a partir da Copa de 2006 disputada no país.

"O campeão sempre é uma referência, e a Espanha está delineando o futebol que se joga no mundo. Eles ditam as regras hoje como o Brasil já ditou um dia", acrescentou.

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A admiração pela Espanha levou Mano inclusive a classificar de "blasfêmia" as críticas feitas durante a Eurocopa ao excesso de posse de bola do time espanhol, que às vezes troca muitos passes até encontrar a chance certa de atacar.

"Ninguém consegue enfrentar a Espanha de igual para igual... são dados significativos de uma seleção que joga e bate todo mundo. Se você vence todo mundo com essa maneira de jogar, cabe aos demais desmanchar essa maneira", disse.

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"Todo mundo já jogou com posse de bola, mas como eles e na maneira que eles tomam a bola, ninguém fez."

 

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