Maldição do trampolim ancora eleitos por 4 anos

As eleições de 2012 produziram ao menos um consenso; público não aceita mais saltos políticos como o empreendido por José Serra, em São Paulo, em 2005; ele ficou um ano e sete meses no cargo de prefeito, elegeu-se governador, mas agora pagou caro pela manobra, principal fator de sua rejeição de 52%; Haddad (SAO), Fruet (CUR), ACM (SAL), Arthur Virgílio (MAN) e Roberto Cláudio (FOR) irão trabalhar de olho em suas próprias reeleições – e não nas cadeiras de governador vagas em 2014

Maldição do trampolim ancora eleitos por 4 anos
Maldição do trampolim ancora eleitos por 4 anos


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247 – Nas eleições municipais em que as análises dos resultados mal coincidem, variando ao sabor da coloração ideológica de cada observador, ao menos um consenso sobressaiu: os prefeitos eleitos que tentarem, no exercício dos seus mandatos, um salto no escuro para a fila de 27 cadeiras de govenador de Estado, em jogo na dança das urnas de 2014, têm muitas chances de darem com suas caras no chão.

O alto risco do uso das Prefeituras, no meio do exercicio dos mandatos, como trampolim para vôos maiores ficou expresso na impressionante taxa de rejeição do até o domingo 28 candidato do PSDB em São Paulo, José Serra. Por mais que tentasse rebaixar o índice que atingiu, no final do pleito, 52% de avaliações de ruim e péssimo, segundo os institutos de pesquisas, o tucano viu-se acorrentado a uma âncora em seu passado político recente.

JUROS ARMINIANOS - Em 2005, depois de apenas um ano e sete meses como prefeito da maior cidade da América Latina, Serra deixou o cargo abruptamente para concorrer a governador. Venceu, sim, aquela eleição. Este ano, porém, após ter sido derrotado por Dilma Rousseff na disputa pela Presidência da República em 2010 – para a qual abriu mão, pela segunda vez, de um cargo eletivo, o de governador do Estado mais rico da Federação --, Serra pagou com juros arminianos a conta pelas ousadias. Todas as pesquisas, especialmente as qualitativas, tanto do PSDB como dos adversários, indicaram que grande parte da taxa recorde de 52% de rejeição de Serra advinha do que se considerou como esperteza política em excesso.

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A maioria do eleitorado, como mostrou a vitória de Fernando Haddad, não conseguiu digerir a intenção de Serra, que trocara a Prefeitura pela disputa para o governo, de voltar à mesma Prefeitura que rejeitara. Ficou gravada no inconsciente coletivo a impressão que ele intecionava, por detrás das repetidas promessas – e, convenhamos, nem tão enfáticas assim – de que, desta vez, finalmente, não iria renunciar, poderia sim deixar o cargo na primeira disputa por um Orçamento maior. Votar em Serra, desse ponto de vista comum a milhões de paulistanos, no fundo era o mesmo que dar o mandato ao seu vice, o desconhecido das multidões Alexandre Schineider.

PAUTA OBRIGATÓRIA EM TODO BRASIL - A decisão do eleitorado paulistano teve reflexos nas eleições municipais de todo o País. Questionar os candidatos de todos os partidos, com ou sem chances concretas, sobre se eles se comprometiam a cumprir integralmente o mandato de quatro anos tornou-se pauta obrigatória para repórteres de Porto Alegre a Manaus.

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Em São Paulo, epicentro da questão, o àquela altura líder das pesquisas Celso Russomano, do PR, saiu-se com uma boa frase para se livrar, de uma só vez, da chamada maldição do trampolim político. "Não quero ficar quatro anos na Prefeitura. Quero ficar oito anos", disse ele em sabantina organizada pelo jornal Folha de S. Paulo, na qual a questão obrigatória foi logo uma das primeiras a ser feita. Russomano não chegou ao segundo turno para ter a chance de tentar vencer seu próprio repto, mas Fernando Haddad sim.

O candidato do PT, que bateu todos os demais adversários, jamais deixou dúvida de que pretende cumprir integralmente seu mandato. A decisão, assim, além de tranquilizar o eleitorado, já ajeitou as coisas em seu próprio partido. No PT, os ministros Aluizio Mercadante, Alexandre Padilha e Marta Suplicy já procuram espaços para, aqui e ali, deixar claro que podem concorrer ao executivo estadual. O prefeito de São Bernardo do Campo, Luis Marinho, amigo pessoal do presidente Lula, também. Em seu segundo mandato, Marinho, se tentar mesmo o salto, terá a atenuante de segurança de, a menos, ter cumprido integralmente o primeiro.

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FRUET APOIARÁ GLEISE - Não há hipótese, no Paraná, do prefeito eleito Gustavo Fruet, do PDT, cobiçar o lugar do governador Beto Richa em 2016. A maldição do trampolim, mais todas as amarrações dos bastidores e dos palanques, já deixam clarrísmo que Fruet terá, sim, uma candidata a governadora: a ministra Gleise Hoffmann. Para não perder a viagem: favorita desde já ao cargo.

ACM NETO BUSCARÁ GESTÃO MODELO – O quadro em Curitiba, de o prefeito eleito manter o compromisso público de cumprir todo o seu mandato, se repete em Salvador, na Bahia. Na boa terra, ACM Neto, do DEM, não será louco de usar a Prefeitura ganha com tanto suor, e em segunda tentativa, para tentar chegar antes da hora combinada com o povo ao Palácio de Ondina, onde seu avô reinou por uma, duas, três vezes. Já avança a articulação para fazer do ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, o candidato de ACM Neto para derrotar o indicado por Jaques Wagner, do PT.

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TARIMBA DE VIRGÍLIO O AFASTA DE AVENTURAS - Em Manaus, o público que quase concedeu a Arthur Virgílio Neto, do PSDB, uma eleição em primeiro turno, o consagrou na segunda volta, com larga margem sobre a adversária Vanessa Graziotin. Com toda a sua bagagem de político tarimbado no cenário nacional, ele quererá correr o risco do salto no escuro após conseguir uma eleição justamente pelo recall de sua administração municipal no passado? A resposta é não, e também ele terá de encontrar um nome para apoiar, defendendo sua cidadela até 2016.

ROBERTO CLÁUDIO VAI ESPERAR SUA VEZ - Uma a uma, entre as capitais que fizeram prefeitos que cumprirão seus primeiros mandatos, essa regra será aplicada de maneira invariável. Fortaleza é outro exemplo. O deputado estadual Roberto Cláudio, do PSB, dificilmente poderá cair na tentação de concorrer ao lugar do atual governador Cid Gomes, que já cumpre seu segundo mandato. A solução sairá dentro desse campo político, mas não mais na exata figura do prefeito.

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Ao seu modo, Serra deu uma contribuição nacional para a elevação dos costumes políticos no País. A partir de agora, não há quem não tenha medo de enfrentar a maldição do trampolim e, como ele, arriscar-se a uma vitória de momento com o efeito colateral de uma rejeição permanente.

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