Lula e Marconi Perillo: o pêndulo se inverte

Em 2005, o ex-presidente Lula viveu seu ponto mais crítico quando, numa CPI, o publicitário Duda Mendonça confessou ter recebido recursos no exterior para sua campanha; Marconi Perillo, que era seu algoz, terá nesta terça-feira, também numa CPI, o seu dia D; Lula virou o jogo; Marconi conseguirá?

Lula e Marconi Perillo: o pêndulo se inverte
Lula e Marconi Perillo: o pêndulo se inverte (Foto: Edição/247)


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247 – Num Brasil onde antigos coronéis e líderes populares são aliados de ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva e Marconi Perillo poderiam ser dois bons amigos. São políticos carismáticos e que conseguiram razoáveis índices de aprovação popular em seus governos. A luta política entre PT e PSDB, no entanto, os afastou. E um episódio específico, o do mensalão, fez com que Lula alimentasse, por Marconi, um ódio que ele não nutre por nenhum outro adversário político. Em 2005, quando Lula vivia seu momento mais crítico, o então governador de Goiás em segundo mandato (hoje ele está no terceiro), disse ter alertado o presidente sobre a compra de parlamentares em seu governo. Movido talvez pela ambição de concorrer à presidência da República, Marconi jogou mais lenha na fogueira. E Lula não esqueceu. Nem perdoou.

Na sua vitoriosa carreira política, Lula viveu o seu ponto mais baixo, o seu nadir, no dia em que o publicitário Duda Mendonça depôs na CPI dos Correios e admitiu ter recebido boa parte de seu pagamento, estimado em US$ 25 milhões, numa conta no exterior batizada como Düsseldorf. Naquele momento, até aliados do PT cogitaram o impeachment. Mas a estratégia adotada pela oposição foi a de deixar Lula sangrar – imaginava-se que, assim, ele chegaria em frangalhos às eleições de 2006 e seria facilmente derrotado por um nome do PSDB. O desfecho, como se sabe, foi bem diferente. Lula remodelou seu governo, foi reeleito e fechou seu segundo mandato com aprovação superior à do primeiro.

Nesta segunda-feira, falou-se também no impeachment de Marconi Perillo. Jovens que organizam o movimento #foramarconi foram à Assembleia Legislativa de Goiás, onde Marconi tem ampla maioria, e protocolaram um pedido de afastamento do governador.  “É uma batalha inglória, mas lutaremos para que o impossível seja viabilizado”, declarou Ayme Souza, que lidera o movimento.

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Marconi sabe que o pedido terá pouca chance de prosperar entre os deputados estaduais e teve também outra boa notícia na véspera do seu Dia D. O Tribunal de Contas do Estado aprovou as contas do seu governo, relativas a 2011. Na CPI, ele dirá o mesmo que afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira. Dirá que é “vítima de perseguição” por ter denunciado o mensalão.

Na entrevista, ele fez um apelo ao ex-presidente Lula. “Não sou capaz de guardar por um segundo sequer ódio ou rancor de qualquer pessoa. Espero sinceramente que os sentimentos do presidente Lula sejam nobres, especialmente em se tratando de alguém que passou por uma provação recente, que foi um câncer. Todas as pessoas do Brasil, inclusive eu, rezamos por ele. Quero imaginar que isso não parta dele. Seria muito pequeno, muito mesquinho...”

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Marconi espera um gesto de paz, mas passou a segunda-feira se preparando para a guerra, em reuniões com seus assessores. Espera virar o jogo e tocar, sem maiores sobressaltos, seu terceiro mandato. Mas sabe que, para sobreviver, terá que seguir o exemplo de Lula e também reinventar o seu governo.

Lula deu a volta por cima. Marconi vai conseguir?

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